Patroa escreve carta pedindo perdão à mãe do menino Miguel; leia na íntegra

"Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento", escreveu a patroa e primeira-dama de Tamandaré

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  • Da Redação

Publicado em 5 de junho de 2020 às 20:42

- Atualizado há um ano

. Crédito: Fotos: Reprodução/Redes sociais

O advogado da família de Sarí Corte Real, patroa da mãe do menino Miguel, divulgou, nesta sexta-feira (5), uma carta em que Sarí pede perdão à empregada doméstica Mirtes Renata, mãe da criança. Miguel morreu após cair de uma altura de aproximadamente 35 metros em um prédio de luxo localizado na área central do Recife, na última terça-feira (2). "Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento", escreveu a patroa.

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Na ocasião da queda, Miguel estava sob os cuidados de Sarí, primeira-dama da Prefeitura de Tamandaré, também em Pernambuco. A patroa foi indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e agora responde em liberdade após pagar fiança de R$ 20 mil. O conteúdo foi liberado à TV Globo pelo advogado Pedro Avelino.

Também na tarde desta sexta-feira, movimentos sociais organizaram um ato em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), na área central da capital pernambucana, para pedir justiça pela morte da criança. Por volta das 14h, o grupo saiu em direção às "Torres Gêmeas", como é conhecido o Condomínio Píer Maurício de Nassau, onde Miguel caiu.

Vestindo roupas pretas e de máscaras, os manifestantes entoaram "Justiça por Miguel" várias vezes. Pouco antes das 14h, aproximadamente 150 pessoas, incluindo crianças, estavam presentes.

"São vários movimentos sociais participando do ato, pessoas comuns, que se solidarizaram com a morte da vítima, por conta da estrutura do contexto que é o racismo social. E se fosse ao contrário? Como a mãe mesmo diz, e se fosse ela?", comentou o coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU), Jean Pierre, uma das entidades que organizaram o protesto. 

Os participantes do protesto levaram vários cartazes e flores em homenagem ao menino. "E se fosse ao contrário? #JustiçaPorMiguel", "Justiça para Miguel e sua família", "Nós crianças negras queremos viver", "E do filho da empregada quem cuida? #JustiçaPorMiguel", destacavam alguns dos cartazes.

Leia a carta na íntegra:

Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família. Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável. Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu. Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente. Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração.

Sarí Gaspar