Poliglota, galã e impiedoso: conheça Johnny Bravo, o traficante que comanda a Rocinha

brasil
16.09.2020, 17:38:09
Atualizado: 17.09.2020, 11:49:34

Poliglota, galã e impiedoso: conheça Johnny Bravo, o traficante que comanda a Rocinha

Ele frequenta bailes funk com escolta armada, mas não permite registros; bando mandou 'caçar' quem fez e divulgou imagem

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Poliglota, galã e perigoso: conheça Johnny Bravo, o traficante que comanda a Rocinha

Johnny, de roupa preta, não sai de casa mal vestido (Foto: Reprodução)

John Wallace da Silva Viana é extremamente vaidoso, tanto que recebeu o apelido de Johnny Bravo. Mas toda a produção e o rostinho bonito escondem que Johnny, de fato, é bravo. Segundo o jornal Extra, o chefe do tráfico da Rocinha, apesar do metrossexualismo, não gosta de mostrar seu estilo ao mundo, se recusando a tirar fotos. Além disso, é considerado extremamente perigoso e vingativo.

Para quem fica atraída(o) por ele, mostra seu lado galã. Para os inimigos que o ameaçam, a sentença dada por ele é a morte.

O último nome que entrou na lista negra do Bravo é o autor de imagens em que o traficante aparece curtindo um baile funk ao lado de marginais que, armados com 22 fuzis, faziam sua escolta.

"Quem gravou a equipe do Bravo na Rocinha no baile vai morrer. quem estava do lado de quem estava gravando vai ser cassado para falar como a pessoa era, entendeu?", diz, segundo o Extra, mensagem postada em redes sociais pela quadrilha.

Em uma de suas poucas fotos obtidas pela polícia ele, claro, aparece ousando no look: um colar precioso, anéis, roupa preta e um fuzil para dar o toque final.

No anel utilizado por ele aparecia o nome Rogério 157, o traficante Rogério Avelino da Silva, preso em 2018 e condenado a 32 anos de prisão. Mesmo preso na penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia, ele continua dando as cartas na Rocinha.

Rogério 157 destituiu do poder José Carlos de Souza Silva, o Gênio, e colocou em seu lugar Jhony Bravo e Leandro Pereira da Rocha, o Bambu, acusado de ser o pivô da morte de um policial em 2018. 

Além do tráfico, Johnny ganha dinheiro extorquindo motoristas de apicativos e vans, além de motoboys. Ele também vende "gatonet" e aluga o campo de futebol da comunidade por R$ 300. 

"Jhony Bravo é um dos piores traficantes de quem eu já tive notícia. Durante a guerra da Rocinha entre o Nem (Antônio Francisco Bonfim Lopes) e o 157, Bravo e os seguranças dele foram os únicos que não saíram da comunidade. Mesmo com a intervenção do Exército e aquela quantidade toda de policiais, ele encontrou uma forma de permanecer na comunidade. É um traficante que tem uma cabeça de 'empresário' e de 'guerra' ao mesmo tempo, o que é meio difícil de se ver. Geralmente, eles são um ou outro, mas ele tenta unir os dois lados. Jhony é o tipo de bandido que não posta nada, não gosta que tirem sua foto, é reservado e meio neurótico com o corpo. Gosta de malhar. Em cada um de seus esconderijos há uma mini academia de ginástica", contou ao Extra uma fonte na polícia.

A fonte disse ainda que Gênio foi afastado por causa de sua relação ostensiva com a população da Rocinha.

"Ele agredia moradores, punha barricadas para controlar os acessos, chegava a pedir a identificação de pessoas. Na cadeia hierárquica do crime, Bravo era o 03 ou 04 sob o comando do 157, mas acredito que por questão de capacidade mesmo acabou assumindo. Bambu, ao que parece, é um idiota e no caso do soldado Mesquita quase foi preso. Nessa, o Bravo ganhou 

Segundo o Portal dos Procurados, que oferece recompensa de R$ 1 mil para informações que levem ao traficante, em 2014 circulou uma informação de que Jhony Bravo teria saído do Brasil e fugido para a Suíça por desavenças com sua quadrilha. Essa não teria sido sua única viagem internacional: Jhony, que fala inglês, viajaria frequentemente para o exterior.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas