'Preciso proteger minha filha': gestantes desabafam após suspensão de vacinação

salvador
13.05.2021, 05:30:00
Vacinas CoronaVac e Pfizer podem ser aplicadas na Bahia apenas em gestantes com comorbidades (Shutterstock)

'Preciso proteger minha filha': gestantes desabafam após suspensão de vacinação

Futuras mamães relatam medo ao saber que não receberão imunizante

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A estudante de psicologia Bruna Ambrozi, 20, está grávida de sete meses do primeiro filho, Ian Luca. Ela esperava os 15 dias de intervalo recomendados pelas autoridades de saúde entre a vacina da gripe (H1N1) e a da covid-19, para se imunizar contra o coronavírus, mas não deu tempo. Antes das duas semanas de prazo, o Ministério da Saúde (MS) recomendou aos estados e municípios que só imunizassem as gestantes que têm comorbidades. 

Como Bruna não tem nenhuma doença de base, ela não tem perspectiva de quando receberá o imunizante. A vacinação em gestantes sem comorbidades está suspensa pelo MS até que se conclua a investigação do caso de uma grávida de 35 anos, do Rio de Janeiro, que morreu por conta de um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC) após receber a vacina da Oxford/AstraZeneca.  

Antes da pasta orientar a suspensão do grupo de gestantes, um dos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já tinha recomendado que as gestantes não fossem imunizadas com a vacina de Oxford/Astrazeneca. Agora, somente as que têm comorbidades podem se vacinar com os outros dois imunizantes disponíveis no Brasil, Pfizer e CoronaVac. 

Bruna espera o primeiro filho

(Foto: Nara Gentil/CORREIO)

“Gostaria de me vacinar para ficar mais tranquila em relação a pegar covid na gravidez, porque tenho muito medo. Li muitos relatos de complicações da doença nas gestações, até da morte do feto e da mãe. Então isso me deixa assustada”, desabafa Bruna, que mora com a tia, a avó e a mãe na Vila Laura, em Salvador.  

“Se eu tomasse a vacina ia sentir mais um alívio desse tempo todo de tensão, da gravidez toda de tensão, preocupada em pegar o coronavírus”, completa a estudante. Desde que começou a gestação, ela tem tomado todos os cuidados possíveis e tem feito tudo que pode de forma remota. Porém, o isolamento também virou sinônimo de ansiedade.   

“Para as grávidas, a gestação já dá muita ansiedade e ainda gravidez sem poder sair, sem poder ver os amigos gera muito mais ansiedade. Mas é uma fase, vai passar”, reflete Bruna. Ela acredita que a vacinação deveria ser mantida para todas as grávidas, com ou sem comorbidade. “Se a vacina pode ser eficaz nas grávidas, acho que tinha que vacinar todas, em geral, porque, querendo ou não, é um grupo de risco”, opina. 

Leia mais: antes da suspensão, 21 grávidas em Salvador tinham tomado a vacina de Oxford

Isabel, que tem comorbidade, planeja se vacinar nesta quinta

(Foto: Nara Gentil/CORREIO)

A estudante de medicina veterinária Isabel Rodrigues, 21, também é uma das gestantes que aguarda sua vez na fila da vacina. “Minha preocupação maior é com minha mãe, que tem problema pulmonar, fibrose sistêmica, e meu pai, que é idoso, mas já vacinou. Mas eu posso pegar também e minha filha, então tenho que me proteger e proteger minha filha”, diz.  

Grávida de oito meses da primeira filha, Luiza Helena, a estudante se encaixa no grupo de comorbidades por ter obesidade mórbida. Contudo, enfrentava problemas no cadastro até a tarde desta quarta-feira (12). “Ia me vacinar hoje só que o sistema está dando problema. A médica cadastrou no dia 7 de maio, só que a moça da vacinação do Shopping da Bahia disse que teria que ter o QR Code”, relata Isabel.  

Contudo, não é necessário ter o código de barras para vacinar. Basta o nome constar no sistema da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Com a notícia, ela planeja se vacinar nesta quinta-feira (13), no Shopping da Bahia, que é mais perto de casa. Isabel mora no Caminho das Árvores. A mãe, de 58 anos, receberá o relatório médico amanhã (14) e pretende se imunizar assim que possível. Salvador está vacinando todas as pessoas que têm comorbidades acima de 40 anos.  

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas