Preço dos carros novos sobem 30%; veja qual seu dinheiro pode comprar

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03.04.2021, 06:05:00
Atualizado: 03.04.2021, 13:03:00
O carro zero-quilômetro mais barato do Brasil custa R$ 41.590, porém não tem ar-condicionado e nem direção com assistência elétrica ou hidráulica (Foto: Wirestock/Freepik)

Preço dos carros novos sobem 30%; veja qual seu dinheiro pode comprar

Conheça opções com bom custo/benefício entre hatches e sedãs

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Se você não olha anúncios e não lê reportagens sobre automóveis há três anos, sugiro que respire fundo e beba um copo d'água. O cenário mudou bastante e os preços subiram muito. Em agosto de 2018, quando testei o Renault Kwid, na versão intermediária Zen, ele custava R$ 37.490. Hoje, o mesmo carro, na mesma configuração, custa R$ 49.090. O aumento nesse período foi superior a 30%.

Mas o aumento de preços não foi exclusivo da Renault. Todos os veículos subiram e outras marcas deixaram de trabalhar com produtos mais baratos, os chamados carros populares. É o caso da Ford, que deixou de comercializar o Ka, e da Nissan, que encerrou a produção do March. 

A Toyota também já comunicou que o Etios, seu modelo mais acessível, só será comercializado no país até este mês. O C3, da Citroën, também deixou o mercado. O caso da marca francesa é mais complexo: no momento, ela só atua com um único produto no país, o C4 Cactus - que é um SUV.

E qual é hoje o carro zero mais barato do Brasil? É o Fiat Mobi, que custa R$ 41.590, preço da versão Easy. O segundo é o Renault Kwid, oferecido por R$ 42.090, preço da versão Life. 

No entanto, ambos não possuem ar-condicionado e nem direção com assistência, seja elétrica ou hidráulica. Com esses equipamentos, o preço de qualquer um deles passa para R$ 49.090. Dessa forma, basta acrescentar uma simples pintura metálica para o valor do veículo ultrapassar os R$ 50 mil.

Modelos com bom custo/benefício
Diante desse cenário, separei alguns modelos que são boas opções para quem busca um carro zero-quilômetro mais barato. Ou melhor, menos caro... Lembrando que uma das vantagens do modelo novo é que com ele vem a garantia de fábrica, que se reflete em uma segurança de pelo menos três anos. 

Isso é muito importante, principalmente para quem vai financiar ou quer se manter dentro do orçamento. Além disso, algumas taxas são subsidiadas pelas montadoras, o que pode deixar o preço final mais atraente.

O Joy Plus é o sedã mais barato da Chevrolet e sua central multimídia é um acessório vendido à parte
O Joy Plus é o sedã mais barato da Chevrolet e sua central multimídia é um acessório vendido à parte (Foto: GM)
No Argo 1.3 Drive, da Fiat, a central multimídia é um equipamento de série
No Argo 1.3 Drive, da Fiat, a central multimídia é um equipamento de série (Foto: Stellantis)
O Hyundai HB20 Sense 2022 tem quatro airbags de série
O Hyundai HB20 Sense 2022 tem quatro airbags de série (Foto: HMB)
A configuração Intense do Renault Kwid tem central multimídia de série
A configuração Intense do Renault Kwid tem central multimídia de série (Foto: Renault)
Um detalhe do interior do V-Drive, sedã mais barato da Nissan
Um detalhe do interior do V-Drive, sedã mais barato da Nissan (Foto: Nissan)
O interior do Fox, um quatro dos hatches que a Volkswagen oferece no país
O interior do Fox, um quatro dos hatches que a Volkswagen oferece no país (Foto: VW)

CHEVROLET JOY PLUS
A nova geração do Onix, o carro mais vendido do Brasil nos últimos anos, custa a partir de R$ 71.130. A versão sedã, que recebe o sobrenome Plus, parte de R$ 76.060. Mas quem não pode optar pela novidade tem uma saída: a Chevrolet continua fabricando a primeira geração, que foi rebatizada como Joy e Joy Plus.

Assim, por R$ 63.830, é possível levar um sedã bem equipado, que conta com ar-condicionado, direção com assistência elétrica e banco do motorista com regulagem de altura. A Chevrolet fica devendo apenas a central multimídia MyLink nessa versão. O porta-malas é um ponto forte, com capacidade para 500 litros, e agrada quem precisa do veículo para trabalho ou tem uma família maior.

O Chevrolet Joy Plus é uma boa opção para quem busca um sedã e quer pagar menos de R$ 65 mil (Foto: GM)

FIAT ARGO
O hatch produzido em Minas Gerais parte de R$ 57.890, preço da opção denominada apenas como 1.0 (que rende até 77 cv), mas se você puder gastar R$ 65.790, terá um produto que atende melhor. Esse é o preço da versão Drive com motor 1.3 (109 cv), que já tem de série uma central multimídia e chave do tipo canivete com controle remoto para abertura e fechamento do carro.

Os pontos positivos do Argo são o bom acabamento, a direção com assistência elétrica - que deixa o veículo mais leve para manobrar - e o bom rendimento do motor 1.3, tanto em economia quanto em desempenho.

Quem quer um hatch da Fiat deve considerar a versão 1.3 Drive (Foto: Stellantis)

HYUNDAI HB20
Um dos modelos mais atuais dessa lista, o HB20 já está sendo oferecido com linha 2022 pelo preço inicial de R$ 56.890, preço da versão Sense com motor 1.0 (80 cv). A partir de agora, todos os modelos da linha contam de série com ar-condicionado, direção com assistência elétrica, quatro airbags e controles de tração e estabilidade de série.

Se você puder chegar aos R$ 60.790, opte pela versão Evolution, que inclui a central multimídia. Além de ser o lançamento mais recente dessa lista, o HB20 é o único dos citados aqui com garantia total de cinco anos.

A Hyundai já está comercializando a linha 2022 do HB20, e a configuração mais barata é a Sense (Foto: HMB)

NISSAN V-DRIVE
Mesmo com a chegada da nova geração do Versa (que custa a partir de R$ 76.890), que é importada do México, a Nissan continua produzindo o modelo anterior. Rebatizado como V-Drive, ele pode ser uma boa alternativa para você que tem família grande ou vai utilizar o veículo para trabalho.

A opção mais barata é equipada com motor 1.0 (77 cv de potência), tem ar-condicionado e direção hidráulica. Custa R$ 61.990. No entanto, se possível, invista mais R$ 4.500 e leve o motor 1.6 litro. O carro terá mais potência (111 cv) e ainda será bastante econômico. 

Os pontos fortes do V-Drive são o amplo espaço interno e o grande porta-malas (460 litros). Para quem quiser um câmbio automático, terá que gastar ainda mais: R$ 71.990, preço do 1.6 Special Edition.

Com a chegada da nova geração do Versa, a anterior continua sendo produzida e foi renomeada para V-Drive (Foto: Nissan)

RENAULT KWID
Uma das boas opções da Renault é o Kwid na versão Intense, que custa R$ 51.790. Nessa configuração, o compacto tem central multimídia, câmera de ré e travamento das portas por controle remoto - incluindo a chave tipo canivete.

O Kwid é econômico, tem direção elétrica, quatro airbags e conta com um bom porta-malas para a categoria. Seu bagageiro tem capacidade para 290 litros.

A versão Intense do Kwid tem quatro airbags e central multimídia de série (Foto: Rodolfo Buhrer/Renault)

VOLKSWAGEN FOX
O carro mais barato da Volkswagen é o Gol, que com motor 1.0 custa R$ 57.030. No entanto, sugiro a você, que quer um modelo dessa marca, que preste atenção no Fox. A versão Connect, que tem motor 1.6, custa R$ 58.190, mais barato que um Gol com a mesma motorização, oferecido por R$ 63.930.

O Fox ainda tem o porta-malas um pouco maior que o Gol, são 270 litros contra 263 litros. Ambos possuem ar-condicionado e direção hidráulica, mas o Fox já conta com rodas de liga leve, piloto automático, comandos do som no volante, vidros elétricos e travamento elétrico das portas via controle remoto.

Entre os modelos mais baratos da VW, o Fox se destaca pelo custo/benefício (Foto: VW)

O preço vai baixar?
Se você imagina que se fizer um boicote as fábricas vão reduzir o preço, desista. Carro não é como fruta em final de feira. O Real foi uma das moedas que mais perderam valor no último ano, a carga de impostos é alta e os insumos subiram.

O aço, por exemplo, matéria-prima fundamental para a construção de um veículo, é uma commodity com cotação internacional, em Dólar. Ou seja, mesmo sem ele subir nessa moeda, se o Real perde valor, o aço fica mais caro no Brasil.

Como a população perdeu poder de compra, as fábricas estão vendendo menos. Com isso, a escala de produção é reduzida. Essa menor escala reflete em um preço mais alto. Até por isso, como citei no início, muitas montadoras estão saindo do mercado de carros de entrada.

Para piorar, com o agravamento da pandemia, várias fábricas estão fechadas até a próxima semana. Algumas, como a Chevrolet, pararam a linha de produção por um outro agravante, a falta de peças, principalmente componentes eletrônicos.

Até para manter um carro usado ficou mais caro. Todos os componentes ficaram mais caro, começando pelos pneus. Ou seja, se você for comprar um modelo novo, sugiro que faça as contas: lembre-se dos impostos, seguro e veja se seu orçamento permite. Caso contrário, ajuste logo o carro que tem na garagem.

De qualquer forma, vale barganhar um desconto, tentar ganhar algum acessório e checar se o automóvel tem um preço melhor se você compra-lo via CNPJ, por exemplo.

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