Primeiro dia de vacinação contra a gripe para o público geral é movimentado em Salvador

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05.06.2017, 12:40:00
Atualizado: 05.06.2017, 14:37:55

Primeiro dia de vacinação contra a gripe para o público geral é movimentado em Salvador

Na sexta-feira (2), Ministério da Saúde (MS) decidiu disponibilizar a imunização para todas as faixas etárias, enquanto durarem os estoques

O primeiro dia de vacinação contra a gripe estendida a toda população tem sido movimentado em Salvador. Nesta segunda-feira (5), mais pessoas foram aos postos de saúde se vacinar, após a decisão do Ministério da Saúde (MS) de disponibilizar a imunização para todas as faixas etárias, enquanto durarem os estoques. 

Segundo o órgão federal, a medida só é válida este ano e foi adotada porque ainda existe um estoque disponível de 10 milhões de doses. Em Salvador, a vacina está sendo ofertada em 110 salas de vacinação – ou seja, todos os postos de saúde da cidade, segundo a subcoordenadora do Controle de Doenças Imunopreveníveis, Doiane Lemos. Na rede particular, em três laboratórios procurados pelo CORREIO, a vacinafica entre R$ 110 e R$ 150. 

Confira a lista dos postos de vacinação em Salvador

“Pelo que os distritos têm colocado, algumas unidades na região de Cajazeiras, Pau da Lima, São Caetano e Liberdade estão com movimento bom, com filas. Mas a procura e de que forma ela vai acontecer são coisas inesperadas porque a Influenza nunca tinha sido liberada para a população geral. Foi uma coisa que o MS anunciou na sexta (2) e que pegou todo mundo de surpresa”, diz ela. A novidade, inclusive, fez com que o município cancelasse o Dia D de vacinação, que ocorreria no sábado (3), em toda a cidade, mas focado nos públicos iniciais. O balanço da vacinação só deve ser divulgado nesta terça-feira (6).

Foto: EBC


Na verdade, a campanha não estendida à toda população: em virtude da baixa procura entre alguns grupos prioritários, o MS decidiu disponibilizar o que restou das doses ofertadas inicialmente para todas as faixas etárias, como destacou a assessoria do órgão de saúde. 

Originalmente, a imunização só é garantida a crianças com idades entre seis meses a menores de cinco anos; pessoas com 60 anos ou mais; trabalhadores de saúde; povos indígenas; gestantes, mulheres que deram a luz nós últimos 45 dias; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; pessoas com doenças crônicas não transmissíveis; e professores de escolas públicas e particulares. A vacina contra a gripe é disponibilizada pelo governo federal desde 1999, mas foi só em 2009, com a pandemia do vírus H1N1, que novos públicos começaram a ser incluídos. Este ano, foram os professores. 

Crianças e gestantes

Em Salvador, até sexta-feira, 426 mil pessoas tinham sido vacinadas – 66% do total. Assim, estão disponíveis para o público geral cerca de 180 mil doses, segundo Doiane Lemos. 

“É importante frisar que o grupo de crianças e de gestantes ainda está muito baixo. Crianças tem 44% e gestantes 52,8%. É importante que esses grupos continuem buscando as unidades de saúde. O mais preocupante é o caso das crianças, que precisam dos pais para levá-las”.

Doiane diz que não há como saber se o público estendido será como os públicos iniciais. “Pode ser que o grupo geral tenha o mesmo perfil do prioritário e não procure as unidades de saúde ou pode ser que a demanda aumente. Nosso limite é enquanto durarem os estoques”. 

O CORREIO esteve em duas unidades de saúde nesta segunda-feira. Nas duas – tanto no Complexo de Saúde Clementino Fraga, na Avenida Centenário, quanto no Centro de Saúde Ramiro de Azevedo, no Campo da Pólvora – havia movimento, mas rapidez no atendimento. A doméstica Maricélia Santana, 24 anos, disse que esperou por pouco mais de cinco minutos no Campo da Pólvora. 

“Não gosto de agulha, mas vim tomar mesmo assim. Eu tento tomar sempre as vacinas, então vim aproveitar hoje que abriu para todo mundo. A gente tem que se prevenir, porque tem tanta doença hoje em dia... Pelo menos, ficamos mais seguros”, contou. 

A dona de casa Ana Paula Santos, 33, já tinha vacinado o filho, um adolescente de 13 anos que tem paralisia cerebral, e aproveitou o primeiro dia da campanha para o público geral para ser imunizada também. “Eu ando muito em hospitais com ele, por isso acho importante tomar. Eu moro em Valéria, mas já estava aqui pelo Centro, então aproveitei logo para tomar”. 

Foi o mesmo caso da estudante de técnica em Enfermagem Cleidiane Bastos, 20. Como tinha consulta marcada com a pediatra para o filho de dois anos no Complexo Clementino Fraga, ela também preferiu garantir sua dose logo. “Eu já estava aqui e vim ver se estava cheio. Como está rápido, vim logo. Acho importante vir tomar, pela prevenção mesmo, até porque tenho criança pequena. A gripe é uma doença que pode ser silenciosa, mas é perigosa”. 

A advogada e professora Elisângela Andrade, 40, tinha ido tomar a vacina na semana passada, mas não conseguiu – estava sem o comprovante de que lecionava. Nesta segunda-feira, voltou ao Clementino Fraga para a imunização e ainda tomou a da febre amarela. “Tomo a da gripe todo ano. No ano passado, por exemplo, tomei junto ao órgão de classe”, disse ela, referindo-se à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

O técnico em hotelaria Joselino Carvalho, 54, recebeu incentivo extra da esposa, que trabalha com higienização na área de saúde. Como os profissionais da área fazem parte do público-alvo prioritário, ela já tinha sido vacinada. “Vim cedo para aproveitar, porque, caso acabasse, eu ficaria sem, já que são só 10 milhões de doses (para todo o Brasil)”. 

Em todo o estado, até as 11h20 desta segunda, tinham sido vacinadas 2.240.585 pessoas, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). 

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