Procura-se profissionais com habilidades emocionais

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02.11.2020, 06:00:00
As habilidades socioemocionais são consideradas mais importante que o QI para determinar o profissional com capacidade de liderança (Shutterstock/reprodução)

Procura-se profissionais com habilidades emocionais

Saiba como as empresas estão trocando as habilidades técnicas por inteligência emocional na hora de contratar

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Comunicação eficaz, escuta ativa, empatia, ética, criatividade, liderança. Essas são algumas das habilidades subjetivas que as organizações estão procurando atualmente. De tão importantes, as chamadas competências comportamentais estão se sobrepondo às habilidades técnicas (hard skills) na hora da contratação. Segundo especialistas em carreiras e mercado, isso se deve ao fato de que as chamadas soft skills são mais difíceis de serem encontradas que as capacidades técnicas, que podem ser treinadas.

De acordo com a Diretora de Operações na Região Nordeste da Consultoria LHH, a especialista em carreiras Mariângela Shoenacker, as habilidades socioemocionais são um conjunto de competências que contribuem para a convivência com os outros e para o relacionamento consigo mesmo, pois criam condições para que haja uma melhor interação no trabalho, ambiente educacional e na família. “As habilidades socioemocionais são capacidades que podem ser adquiridas, baseada na inteligência emocional”, esclarece Mariângela.

Mariangela salienta que os recrutadores consideram que as habilidades socio emocionais devem ter o mesmo peso dos conhecimentos técnicos (Foto: Divulgação/Américo NUnes)

Ela salienta que num ambiente incerto e cheio de desafios, é fundamental ter profissionais que saibam lidar com suas próprias emoções e interagir com os outros, pois isto é fundamental no enfrentamento de desafios enfrentados. “As empresas precisam de colaboradores capazes de trabalhar bem em conjunto, com capacidade de inovar para lidar com a transformação digital acelerada , interconectividade, a crescente complexidade das transformações sociais e todas as mudanças no cenário de negócios, que está cada vez mais competitivo”, explica, salientando que esses profissionais precisam ter pessoas com vontade e capacidade de aprender rapidamente, se adaptar, ler cenários e resolver problemas complexos,  para poder tomar decisões melhores num futuro que não se sabe como será.

Ambientes híbridos

“Além disso, os profissionais devem conseguir navegar neste ambiente híbrido (presencial e remoto), ser capazes de se autogerenciar e colaborar com os outros através de diferentes canais”, completa, salientado que muitas empresas têm incluído nas suas grades de treinamento, o desenvolvimento de habilidades tais como liderar virtualmente, inteligência emocional e resiliência e outras habilidades socioemocionais, pois percebem claramente estas habilidades auxiliam muito os profissionais a lidar com o cenário incerto da pandemia e pós pandemia.

O economista e mestre em filosofia com educação executiva em Liderança e Comunicação Matheus Jacob defende que, cada vez mais, as empresas vão focar em habilidades comportamentais e emocionais, entendendo como fundamentais para o bom desempenho de habilidades técnicas. “Antes, os processos seletivos eram bastante focados em conhecimentos, porém o desempenho em muitos casos não se comprovava por um desenvolvimento emocional não maduro”, pontua. Para ele, essas habilidades sempre tiverem um peso importante enquanto relações e desenvolvimento profissional, porém não eram presentes de forma tão estrutura nas contratações, avaliações e métricas de desempenho dos profissionais. “Agora, estas habilidades são valiosas não apenas nas relações, mas na própria estrutura e jornada do colaborador, desde a fase de pré-contratação”, completa.

Matheus Jacob diz que se a pessoa tem escuta ativa, comunicação, protagonismo, ela conseguirá aprimorar as habilidades técnicas dentro da empresa (Foto: Divulgação)

Para desenvolver as chamadas soft skills, o especialista sugere o investimento nas diversas formas de autoconhecimento e de entendimento do comportamento humano. “Desenvolver as habilidades de soft skills, realizar experiências de autoconhecimento, investir em habilidades de relacionamento são os caminhos fundamentais”, ensina. Jacob lembra que além da autoaprendizagem, através de conteúdos como vídeos, livros, canais e cursos online dos mais diversos, há sempre a possibilidade do profissional encontrar consultores, escolas e empresas específicas nesse tipo de desenvolvimento.


Passos para desenvolver soft skills 

1.Reconheça seus pontos fortes e a desenvolver, tenha consciência do que precisa mudar e busque colocar planos de ação efetivos.
Não basta apenas reconhecermos a existência de nossos sentimentos, é preciso também saber lidar com eles.
 A melhor forma de criar consciência sobre si é se auto-observar. Esse é um exercício que deve ser diário.
Comece elencando os momentos de seu dia a dia que mais mexem com suas emoções.
Esse exercício contínuo permitirá que você saia do automático e compreenda melhor como trabalhar sua inteligência emocional.
Vai ajudar você a falar de você numa entrevista com mais tranquilidade e mesmo responder testes online pois já pensou nisto.
Lembre o entrevistador quer conhecer a pessoa, e não só o seu currículo. Você tem que estar preparado para falar de você e como lida com as situações no dia dia.

2.Domine suas emoções
Existem inúmeras técnicas.- meditação, yoga, caminhada, respiração
Caberá a você colecioná-las em sua caixa de ferramentas pessoal e recorrer a elas nos momentos em que necessitar.
Processos seletivos são estressantes muitas vezes, e tem um timing que nem sempre corresponde a suas necessidades, e portanto é preciso aprender a esperar e não deixar o nível de ansiedade subir.

3.Melhore a sua comunicação
Aprender a se expressar significa não só falar e gesticular bem, ser sucinto, mas também perceber se seu interlocutor compreendeu o que foi falado.
Em processos seletivos, perguntar sobre o tempo que tem disponível para falar e quando terá o retorno, evitando utilizar demais do tempo do recrutador.
Estudar a empresa, quer é o entrevistador, se planejar para a entrevista é fundamental.

4.Treine seu cérebro para pensar em respostas ao invés de reagir no automático
Sempre que num processo seletivo, receber uma resposta negativa, ou feedback que não esperava, evite retrucar, agradeça.
Uma dica de ouro é nunca responder um e-mail que desperte emoções logo após fazer sua leitura.
Espere alguns minutos, respire profundamente ou vá dar uma volta (olha a caixinha de ferramentas barrando o cérebro emocional) e só depois formule uma resposta.Ao reagir no automático, nos colocamos em uma posição contrária à inteligência emocional.

5.Reconheça seus limites e peça ajuda sempre que precisar. Tenha uma rede de apoio
Hoje ter uma rede de apoio é fundamental para que você chegue onde quer e possa ter pessoas para te apoiar nos desafios que vai enfrentar  nos processos seletivos ou num novo emprego ou mudanças no seu contexto atual.

6. Exercite a empatia
Tentar compreender como o outro se sente e suas emoções desperta em cada pessoa a vontade de agir melhor.
Ser empático significa olhar menos para seus problemas e olhar para fora, enxergar quem está ao seu redor, com intuito de poder ajudar de verdade.
A empatia, quando bem trabalhada, gera conexão entre as pessoas. E é fundamental para ampliar seu networking e rede de ajuda para buscar uma colocação no mercado, como também estabelecer um bom relacionamento com recrutadores.
 

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