Restauração do Museu Casa de Ruy Barbosa está em fase avançada de negociação

bahia
11.02.2021, 16:57:00
Atualizado: 11.02.2021, 17:30:00
José Dirson Argolo avalia acervo do Museu (Foto: Joseanne Guedes/Divulgação)

Restauração do Museu Casa de Ruy Barbosa está em fase avançada de negociação

Restaurador fez avaliação de obras de arte e iniciou a fase de orçamento para executar o serviço

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Restaurador de obras de arte e especialista em preservação de monumentos e bens históricos, o professor José Dirson Argolo fez visita técnica ao Museu Casa de Ruy Barbosa na última quarta (10) para avaliar o estado do acervo do equipamento cultural. 

A iniciativa faz parte dos esforços da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e do Centro Universitário UniRuy para dimensionar os custos de um projeto de restauro das obras e da Casa. O vice-presidente da instituição, Luís Guilherme Pontes Tavares, e a museóloga Renata Ramos, responsável pelo Museu de Imprensa da ABI, receberam o docente no local.

O Museu Casa de Ruy Barbosa foi erguido sobre a casa onde, em 1849, nasceu Ruy Barbosa, na Rua dos Capitães (atual Rua Ruy Barbosa), no Centro Histórico de Salvador. 

O imóvel original encontrava-se em ruínas quando foi adquirido pela ABI, após uma campanha de subscrição popular liderada pelo jornalista Simões Filho (1886-1957). O Museu é administrado, desde 1998, por meio de um convênio firmado com a Faculdade Ruy Barbosa, instituição pertencente à outra empresa, que posteriormente recebeu o status de centro universitário. Em 2021, o UniRuy e a ABI retomaram as negociações que viabilizarão um acordo para a restauração do Museu e seu acervo.

De acordo com José Dirson Argolo, o tempo fechado e sem manutenção expôs o acervo e o imóvel. Ele comparou as obras com fotos feitas há dois anos, quando realizou levantamento e apresentou orçamento para a restauração e conservação do material.

“Encontrei a Casa em condição complicada. Quando fiz a primeira avaliação, as peças estavam em um estado que ainda  possibilitava um bom restauro”, afirmou.

O acervo é constituído por peças em metal, louça, tecido e gesso, além de estatuetas, telas, mobiliário, livros e documentos diversos que se referem à vida, obra e trajetória de Ruy Barbosa (1849-1923). 

O “Águia de Haia”, como ficou conhecido, teve uma atuação marcante em mais de cinco décadas da história do Brasil, como jurista, diplomata, jornalista, escritor e político. Alguns desses itens foram subtraídos do imóvel durante o furto ocorrido em setembro de 2018.

Uma das obras mais danificadas, segundo o especialista, é um retrato da esposa de Ruy Barbosa, Maria Augusta Viana Bandeira. Argolo afirma que é possível fazer uma limpeza na obra, mas a camada de carvão que era o desenho do artista está borrada, porque alguém fez uma limpeza de forma indevida, provavelmente utilizando flanela e álcool. 

"Podemos fixar o que salvou dele, mas não voltará ao que era”, afirmou o professor.

Ainda de acordo com Argolo, é necessário deslocar o acervo para fazer o processo de restauração. Esse processo é necessário "para que possamos conservar para a posteridade esse acervo tão importante sobre Ruy”.

O UniRuy se propôs a custear os reparos no imóvel, começando pelo telhado e o inventário, bem como remoção do acervo para um local escolhido pela ABI. Por indicação da ABI, foram contratadas as bibliotecárias Ana Lúcia Albano e Graça Catolino, que coordenarão a equipe técnica responsável pelo inventário. O trabalho começa na próxima segunda-feira, dia 15, e deverá se estender por mais trinta dias, liberando o imóvel para intervenções na estrutura física.

O UniRuy avalia ainda a possibilidade de assumir os custos da restauração das obras de arte e demais itens do acervo museológico. Os entendimentos avançam em reuniões semanais. O objetivo é que o espaço logo esteja em condições de ser reaberto ao público e passe a exercer a sua finalidade, de receber visitantes e principalmente ser um centro de atividades, estudos, pesquisas e divulgação sobre Ruy Barbosa e sua obra.

“Estamos empenhando nossos esforços, juntamente com a ABI, para promover as condições favoráveis à reabertura do Museu, bem como assegurar sua longevidade”, enfatiza Rodrigo Vecchi, Reitor do UniRuy.

Com os dados coletados, o restaurador vai atualizar e concluir o projeto, revisando os orçamentos que serão encaminhados ao UniRuy.

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