Restaurantes de Salvador sofrem com falta de produtos e de clientes

salvador
28.05.2018, 20:18:00
Atualizado: 28.05.2018, 20:25:13

Restaurantes de Salvador sofrem com falta de produtos e de clientes

Tem estabelecimento que vendia 80 refeições por dia e passou a servir 20

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Antes, as mesas do restaurante de Daniela Anunciação, 34 anos, no bairro do Comércio, estavam cheias ao meio dia em ponto. Há oito dias, no entanto, nenhum cliente em busca de almoço. A movimentação no estabelecimento caiu, de acordo com ela, vertiginosamente. Os clientes que aparecem lá só vão pela cerveja. Esses são fiéis.

Pro almoço, nada em grande quantidade e, em estoque, só alimentos práticos para o preparo. Tudo para não ficar ainda mais no prejuízo. 

"Uma carne do sol, uma moqueca de ovo, tudo que seja muito rápido de fazer. Não adianta preparar mais nada porque perde. Sem clientes não dá", reclama a comerciante. 

Em um restaurante do lado, a mesma situação. Marcelo Santos, um dos proprietários do Restaurante do Márcio, diz que a greve dos caminhoneiros impactou de forma negativa nas suas vendas, algo em torno de 70%.

"Os clientes não ficam até tarde. Cedo estão indo embora. A movimentação anda fraca demais", conta Marcelo.

Daniele Anunciação amarga prejuízos no Comércio
Daniele Anunciação amarga prejuízos no Comércio (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)
Marcelo Santos também se preocupa com queda nas vendas
Marcelo Santos também se preocupa com queda nas vendas (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

No restaurante era servido, diariamente, 80 pratos. Agora, não passam de 20 refeições. O Márcio também tem encontrado dificuldades em achar alguns ingredientes, como o tomate. 

"O jeito tem sido rodar pela cidade. A gente roda, roda, e quando encontra, o preço está muito salgado", completa. 

O preço do tomate, ainda segundo Marcelo, está sendo comprado por ele por R$ 12 o quilo. Antes, era vendido por R$ 3. Por dia, ele precisa de 5 kg.

(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

O restaurante Tampinha, na Federação, também está sofrendo os impactos da greve dos caminhoneiros.

Apesar de não perder clientes, o estabelecimento está sem gás desde o último sábado (26). "Eu tive que arrumar um gás de cozinha pra colocar no lugar, porque o que a gente usa aqui é o P45", contou o dono do estabelecimento, Adeladio Soares Jesus. 

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas