Robô desenvolvido por estudantes baianos ajuda a coletar lixo em parques

tecnologia
11.05.2017, 20:30:00
Atualizado: 12.05.2017, 19:03:09

Robô desenvolvido por estudantes baianos ajuda a coletar lixo em parques

Equipe de quatro estudantes de Engenharia Mecânica e Mecatrônica venceram outros cinco grupos, quatro de universidades internacionais, em concurso de robótica

Poderia ser uma história de ficção científica: um robô criado para recolher o lixo que demora anos para se desintegrar e ajuda a humanidade amenizar um problema que afeta todas as culturas. O enredo, que fez do Wall-E o robô mais conhecido em 2008, nas telas do cinema, inspirou o batismo do Amazon-E, robô que retira o lixo de parques e o separa para reciclagem. Ele foi desenvolvido por quatro estudantes de Engenharia Mecânica e Mecatrônica da Universidade Salvador (Unifacs) e venceu outros cinco na premiação internacional promovida pela rede Laureate que aconteceu nesta quinta-feira (10). 

Os criadores, Lucas Leite, 23 anos, Brunno Brito, 23, Jander Pereira, 29, e Maurício Rodeiro, 23, começaram a desenvolver o protótipo do Amazon-E em novembro de 2016. A primeira fase era apresentar o projeto, no que diz respeito aos custos e viabilidade; a segunda, a montagem do produto em si. O desafio da premiação, que entra para o quarto ano, era construir um produto que ajudasse a humanidade e, neste ano, com o foco voltado para limpeza dos parques. 

Foto: Arisson Marinho/CORREIO

A equipe, que tinha ficado em segundo lugar em 2016, neste ano, conseguiu desbancar os concorrentes da Malásia (2º lugar), Espanha, Turquia, México e do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, com o projeto interdisciplinar. A cada ano, a premiação põe um tema e a deste foi a limpeza de parques. Como recompensa, o melhor produto recebe o bônus de 10 mil dólares, pago ao grupo de estudantes.

“O maior desafio foi adicionar inteligência ao robô e usar uma suspensão que o permitisse a se mover em qualquer terreno ou obstáculo, além dele ter que ser autônomo e cumprir a recolha do lixo sem ninguém. Usamos tecnologia usada pelos robôs da Nasa”, conta o líder do grupo, o estudante Lucas Leite. 

Foto: Arisson Marinho/CORREIO

Além de pensar na inteligência por detrás do projeto, era necessário comprimir toda mecânica do robô em dimensões determinadas pelo concurso. Cada produto não poderia ter mais do que 50 centímetros de altura, largura e profundidade (50x50x50) e nem ter mais do que 20 kg. O Amazon-E tem 14 kg e é composto de materiais de alumínio, equipado com câmeras e tecnologias para se comunicar em longas distâncias com ondas de rádio e Wi-Fi. Nele há ainda câmeras que detectam cada um dos tipos de lixo e comunica para o operador, para que seja dado fim ao resíduo localizado no chão. 

“Foi necessário também gerenciar o espaço para alocar tudo certinho nos 50x50cm e manter um robô funcional ao passar pelos diferentes ambientes, sem que sofra interferências no funcionamento. Fizemos um robô de fácil manuseio que qualquer um pode usar”, completa outro membro do grupo, o estudante Maurício Rodeiro. 

O segredo para o bom funcionamento do protótipo é a eficácia da inteligência aplicada ao projeto. “A inteligência artificial é a tecnologia empregada para o funcionamento do robô, que consegue identificar, pelo algoritmo, o que é ou não lixo e levá-lo para o local de coleta. Os estudantes treinaram o algoritmo e apresentaram milhares de imagens dos diferentes tipos de lixo para que o robô fizesse tudo sozinho”, explica o orientador da equipe e coordenador do curso de Engenharia Mecatrônica, Murilo Ribeiro.

Foto: Arisson Marinho/CORREIO

Para que fosse viabilizado o projeto, foram necessários investir cerca de R$ 10 mil reais, pagos pela Universidade, e uso de equipamentos como impressoras 3D para confecção das peças. Estas últimas eram projetadas no computador e confeccionadas no equipamento. As universidades são livres na determinação dos valores, mas a recomendação é não ser mais do que R$ 10 mil. 

O protótipo do Amazon-E pode ser o início para o desenvolvimento de um produto funcional para o dia a dia. “O robô, para ser utilizado pela sociedade, precisa de adaptações. Já foi desenvolvido um protótipo, que é mais do que um trabalho acadêmico e ainda distante da lógica comercial, mas tudo é baseado na realidade. Foi uma forma dos estudantes utilizarem todos os conhecimentos adquiridos ao longo do curso em um projeto de engenharia para o dia a dia”, pontua o orientador.

O prêmio de dez mil dólares, divido entre os quatro alunos do grupo, que estão no último ano do curso, ainda não tem destino certo. Há quem prefira investir em educação, com intercâmbio, outro em empreendimentos pessoais já de olho na carreira profissional. Além do bônus, o grupo tem garantida a viagem para outra competição em uma cidade brasileira a ser definida. 


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