Saiba como não ser alvo de hackers durante reuniões virtuais na quarentena

tecnologia
10.05.2020, 12:09:00
Reuniões virtuais ganharam um boom com a pandemia (Divulgação)

Saiba como não ser alvo de hackers durante reuniões virtuais na quarentena

Invasões podem causar danos sérios a usuários]

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Seja para o trabalho ou para encontrar familiares e/ou amigos, muita gente já realizou uma reunião virtual durante a pandemia do coronavírus. Para isso é necessário usar aplicativos específicos, como Zoom, Google Meet ou Hangout, Microsoft Teams, Cisco Webex, Skype ou pelo próprio WhatsApp, app de bate-papo mais famoso na atualidade e que, recentemente, dobrou sua capacidade de participantes em reuniões virtuais: de quatro para oito.

O problema surge pois muitos desses softwares não estavam preparados para tamanha demanda de vez. Para se ter uma ideia, o Zoom, um dos preferidos por ser gratuito e permitir reuniões com até 100 pessoas tanto via smartphone como por computador, tinha 10 milhões de usuários até o fim de 2019. Agora, tem mais de 300 milhões, de acordo com a empresa.

Por conta disso, a segurança de dados nesses aplicativos passou a ser mais questionada. Como assegurar aos usuários que seus nomes, senhas, número de documentos, entre outros, que estão guardados em celulares e computadores não serão alvos de hackers infiltrados?

Criador do Zoom e um dos mais novos bilionários da famosa lista da revista Forbes, o chinês Eric Yuan veio a público no final de março confessar que o app tinha problemas de segurança, que, desde abril, segundo ele, não existem mais.

“Esses softwares não estavam preparados para essa demanda. O Zoom é um exemplo desse crescimento. Com esse crescimento exponencial, as pessoas mal-intencionadas vão junto. E acham erros que já estavam lá nas ferramentas, mas que as brechas não estavam sendo tão exploradas porque o aplicativo não era interessante neste ponto de vista. O impacto agora é muito maior”, explica Rogério Soares, diretor de pré-venda da Quest, fornecedor global de software de gerenciamento e segurança de sistemas, em entrevista por meio do Cisco Webex.

Ações
Os hackers possuem diversos modos de agir, diferindo, inclusive, se o alvo é público ou corporativo. No ambiente público, em encontros abertos e aulas, por exemplo, é comum acontecer o chamado meet (ou meeting) bombing. Isto é, os usuários infiltrados passam a ‘trollar’ o evento, mandando imagens, muitas vezes pornográficas, atrapalhando o evento. 

“Eles tentam buscar informações pessoais que as pessoas possam ter colocado, de acesso a outros locais. E usam o phishing: entram na reunião como um participante normal e colocam um link como se fosse algo complementar”, explica Soares. As pessoas clicam no link e acabam ‘fisgadas’ e ficando suscetíveis a serem vítimas de crimes.

Governadores nordetinos se reúnem com o ministro da Saúde, Nelson Teich, de forma virtual (Foto: Isac Nóbrega/PR/Divulgação)

Nas reuniões corporativas, a busca é por alguma forma de invasão ao ambiente das empresas, já que muitas vezes os usuários estão conectados de casa à rede empresarial por meio de VPN (uma rede privada virtual). “Esse acesso pode conter a instalação de um malware na máquina das pessoas, gravando e registrando tudo que elas fazem”.

Para se proteger, é preciso ficar atento. Soares, que indica os apps/softwares de grandes empresas como mais seguros, enumera algumas dicas que as pessoas devem seguir para se manterem longe dos hackers, que o leitor confere no final do texto. Afinal, o uso de aplicativos de reunião virtual recebeu esse boom por conta da pandemia, mas o especialista crê que é um caminho sem volta. 

Aprenda a criar uma reunião no Whatsapp
Aprenda a criar uma reunião no Zoom
Aprenda a criar uma reunião no Google Hangouts


“Escrevi um artigo em fevereiro do ano passado sobre as pessoas trabalhando e colaborando de forma remota, já apontando todos os indícios disso (leia aqui, em inglês, na página 67). Não esperava, obviamente, que acontecesse uma pandemia e as pessoas foram obrigadas a isso”, conta Soares. “Creio de verdade que as empresas agora já sabem que os colaboradores podem trabalhar de casa, que para fazer uma reunião corporativa não é preciso que todas as pessoas estejam na mesma sala e que muitos trabalhos podem ser feitos de forma remota. As empresas vão aprimorar (os softwares) muito, vamos encontrar falhas, mas acredito de verdade que não volta ao estado que era em janeiro”, prevê.

Dicas para não ser alvo de hackers em reuniões virtuais

  1. Se você vai participar de uma reunião/aula/palestra virtual, não importa qual seja o software, tem que estar sempre atualizado, sempre use a versão mais recente. “As empresas estão muito mais voltadas para a segurança, nesse momento, do que para funcionalidades novas”, diz Rogério Soares.
  2. As pessoas não precisam dar para o aplicativo mais permissões do que ele necessita. “Se a pessoa vai participar de uma reunião e vai só ouvir, ela pode assinalar, na instalação, que o software tenha acesso só ao microfone. Não vai interferir na funcionalidade”, diz Soares.
  3. Saber se um link postado numa reunião tem origem segura. “É muito comum, muito, que os hackers coloquem links em reuniões públicas para fisgar as pessoas”, revela o especialista.
  4. Não instale softwares de terceiros.  “Por exemplo, existem softwares que mudam o fundo da sua tela durante a transmissão com outras imagens. Te ‘colocam’ no espaço, por exemplo. Existem alguns aplicativos que possuem isso como ferramenta, mas outros não. E aí existem softwares de terceiros que prometem fazer essa mudança num outro aplicativo. Ao instalar o software de um terceiro, você pode dar estando permissões para eles operarem sua câmera, microfone, entre outros”, alerta Soares.
  5. Já para quem convida, a atenção é na forma como se está divulgando o encontro. Se uma reunião não é pública, evitar colocar o link dela em mídias sociais. Em gerar um link exclusivo para cada encontro.

 
 

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