Saiba como se recuperar da folia

saúde
05.03.2017, 06:00:00
Atualizado: 05.03.2017, 08:12:00

Saiba como se recuperar da folia

Se você curtiu muito a folia e agora está pagando o preço da diversão com alguma dor ou incômodo no corpo, saiba o que fazer para se livrar disso

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Mais um Carnaval passou e ficaram as lembranças. Mas nem todas são agradáveis. Gripes, viroses, pernas doloridas, unhas quebradas. Estas são algumas das consequências enfrentadas por quem curtiu a folia com tudo.

O vendedor ambulante Luís Carlos dos Santos não teve tempo para cair na folia, mas ficou doente mesmo assim. Trabalhando no entorno do circuito do Centro Histórico, no Mercado Modelo, procurou uma unidade de saúde na última quinta-feira em busca de ajuda médica.

“Desde a segunda-feira eu estou com o corpo formigando, coçando, além de doendo. O médico suspeita que foi chikungunya”, disse. No mesmo dia, ele também sentiu uma picada de inseto nas costas que inchou e ficou dolorida. Ele foi medicado e vai seguir as recomendações médicas, de muito descanso e tomar os remédios que lhe foram receitados.

Fatores 
A propagação de tantas enfermidades durante o Carnaval, principalmente as viroses, se deve a uma série de fatores, segundo a coordenadora de Vigilância à Saúde do Município de Salvador, Isabel Guimarães. “Gripe, conjuntivite, às vezes algum surto de diarreia, isso ocorre em função do grande aglomerado de pessoas, o que facilita a transmissão de vírus”, comenta. 

Ela acrescenta que o fato de as pessoas beberem muito, não se alimentarem direito e dormirem pouco contribuem para uma queda no sistema imunológico. E cada um tem sua receitinha caseira para sobreviver aos efeitos da folia. 

A analista de mídias sociais Priscila de Freitas, curtiu bastante o Carnaval, e agora está vigilante para não adoecer. “Estou tomando muito suco de laranja, chá de hibisco para fortalecer o sistema imunológico. Como eu tomei chuva, estou com medo de pegar uma virose”. Ela pode ter escapado do resfriado, mas não dos pés machucados devido à agitação da folia. “Perdi metade de uma unha em um pé e fiquei com a unha roxa no outro”. 

A designer Aline Carolina Maia não chegou a adoecer, mas ficou rouca de tanto cantar. “Tem aquela coisa de você ficar na rua até de madrugada, toma cerveja gelada, água gelada, acaba deixando a garganta prejudicada”. Porém, ela não está nem um pouco arrependida. “ Foi maravilhoso”, disse. Agora, ela vai correr atrás do prejuízo. “Voltei à minha rotina e vou fazer gargarejo com água morna, sal e vinagre, que é bom para a garganta”, informa a designer.

A receita típica das vovós, a ingestão de líquidos quentes, como chás, realmente são bons para recuperar a voz ou para quem está alguma infecção nas vias respiratórias. Segundo explica o coordenador do departamento do otorrinolaringologia do Hospital Santa Izabel, o médico Nilvano Andrade, a quentura ajuda a tornar o muco mais fluido e consequentemente expulsar vírus e bactérias do corpo.

Repouso e muita hidratação também são fundamentais para a recuperação. Também é válido o uso de analgésico e antitérmicos para alívio de sintomas como febre e dores no corpo. Seguindo estas receitas, depois de dois ou três dias a pessoa deve começar a apresentar melhora. Em caso de piora, a pessoa deve procurar um médico.

“A pessoa pode ter desenvolvido uma infecção pós viral. Por isso, consultar um médico é sempre bom, mas nesses casos é muito importante, ou então quando a pessoa tem a sensação de perda auditiva por causa do desenvolvimento de alguma otite”, alerta o otorrinolaringologista.

Calos e bolhas
Além de doenças causadas pelo enfraquecimento do sistema imunológico, outros males frequentes no pós Carnaval são as torsões, dores nas pernas, além de calos e bolhas. Depois de vários dias dançando, caminhando e pulando sem parar, há uma sobrecarga no aparelho locomotor, conforme explica o coordenador da Câmara de Ortopedia e Traumatologia do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), Fernando Garcia.

“São muito frequentes pela própria festa as lesões de hipermovimentação. A pessoa anda muito, dança muito, muitas vezes com calçados inapropriados. Mulheres com dores na panturrilha, joelho, tornozelo, com aqueles sapatos altos, forçam bastante o aparelho locomotor”, explica.

Nesses casos, o médico diz que as únicas medidas caseiras válidas são o repouso e a interrupção de atividades físicas. “Toda vez que você tem uma dor, é um indicativo que alguma coisa está errada naquela região. Quando você tem uma dor que não cede com analgésicos, ou uma dor que vem associada a inchaço ou processos inflamatórios, você tem que procurar um ortopedista”. O risco de adiar a ida ao consultório é o agravamento da lesão.

Ele também alerta para o perigo de automedicação e não recomenda o uso de bandagens, cremes e até mesmo gelo, sem prescrição médica. “Já atendi pacientes com queimaduras por causa do uso inadequado de gelo”, conta.

Para os calos e bolhas, nada melhor que repouso e o uso de um calçado que não faça atrito com a parte machucada. A podóloga Dalva Santana, dona da clínica Salute Pés, recomenda o velho e bom escalda pés para pernas cansadas, uma mistura de água morna e sal grosso. Já para as bolhas, a recomendação é não estourar, pois o rompimento provocado da protuberância pode ser uma porta aberta para infecções.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas