Salvador registra dia mais chuvoso do mês nesta quarta (13); veja estragos

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13.05.2020, 19:11:00
Atualizado: 13.05.2020, 19:17:23
Casa do Residencial Renascer das Mangabeiras foi invadida com deslizamento; três pessoas ficaram soterradas, mas sobreviveram (Tiago Caldas/CORREIO)

Salvador registra dia mais chuvoso do mês nesta quarta (13); veja estragos

Esse foi o décimo dia seguido de chuva na capital baiana

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Em meio a uma emergência de saúde pública, a pandemia do novo coronavírus, Salvador também tem que lidar com os estragos causados pelas chuvas na cidade. Segundo os dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esta quarta-feira (13) foi o 10º dia seguido de chuva na capital baiana, com o agravamento de que, de meia noite até às 19h da quarta, 75,2 milímetros de chuva foram registrados na estação de Ondina. Isso significa que o dia 13 de maio foi o dia que mais chuvoso do mês, até agora. 

No total, 317,2 milímetros de chuva foram registrados em maio, o que representa 11% acima da média de todo o mês completo, que é de 279,8 milímetros. “Normalmente, abril e maio são os meses mais chuvosos da capital baiana. Uma frente fria atuou sobre a cidade e provocou um maior volume de chuva”, explicou Itajacy Diniz, chefe do 4º Distrito de Meteorologia do Inmet. A previsão é que nesta quinta (14) ocorram chuvas menos intensas pela manhã. “Na sexta, porém, volta a chover”, disse. 

Mais precipitação em locais que já vinham sendo diariamente atingidos por pancadas de chuva contribui no encharcamento do solo e, assim, na ocorrência de deslizamento de terra e desabamento de imóveis. Só em Cajazeiras VIII, no Residencial Renascer das Mangabeiras, por volta das 4h desta quarta, um deslizamento de terra invadiu os dois apartamentos térreo do Bloco 4 e soterrou três pessoas que moram no local.  

Quartos foram invadidos pela terra (Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

Moradores relataram que acordaram com um estrondo parecido com um relâmpago. Era o som do muro de contenção cedendo e invadindo, junto com a terra, os quartos da casa. “Os próprios vizinhos foram retirar as pessoas soterradas. Eu mesmo não pude ajudar, pois só tive tempo de pegar a família e sair de casa”, disse Daniel Souza, 21 anos, que mora no primeiro andar dos blocos atingidos.   

Gilvania de Jesus, 40 anos, que mora num bloco próximo ao atingido, mas que também foi isolado pela Defesa Civil, relatou que às 2h tinha ligado para o número 199 da Codesal, pois suspeitou que a terra estivesse deslizando. “Acho que estava sentindo que isso ía acontecer”, disse.  

Construído pelo Governo do Estado com recursos federais do programa Minha Casa Minha Vida, o condomínio é cercado de encostas. Os moradores relatam que sempre há ameaças ou até a concretização de deslizamentos de terra no local, mas nunca houve um com essa gravidade. “A gente saiu de um local de risco e veio para outro”, disse Maria da Paz, 51 anos, que mora no térreo de um bloco que fica próximo a uma encosta que chegou a ter deslizamento de terra nesta quarta.  

Equipe da Defesa Civil faz vistoria nos prédios (Foto: Tiago Caldas/CORREIO)

Os mais de mil moradores das centenas de família que vivem no conjunto são pessoas que já moravam antes em encostas do bairro. Em 2018, o CORREIO esteve no local cinco meses após a entrega dos prédios para relatar os problemas estruturais que existiam no condomínio. Na ocasião, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) catalogou irregularidades na obra, mas não informou quais.  

Em nota, a assessoria da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), responsável pela obra, disse que o deslizamento foi provocado pela sobrecarga decorrente das construções irregulares - executadas, após a entrega do empreendimento - no talude localizado nos fundos dos blocos de apartamentos.  

“O volume de lançamento de água dos telhados e das tubulações de esgotamento sanitário dessas construções, além da falta de limpeza das calhas de drenagem da contenção de alvenaria de pedra, agravaram a situação. Soma-se a isso o acúmulo de água decorrente das fortes chuvas que atingem a cidade nos últimos dois meses”, disse a nota.  

Em nota, a assessoria da Defesa Civil de Salvador confirmou a causa do deslizamento e acrescentou que há risco nas outras encostas que circundam o condomínio e que isso é dado devido à falta de proteção e proximidade com os blcoos. No total, cinco blocos com 30 famílias e três imóveis na crista da encosta foram interditados, mas nenhum já condenado – o bloco 4, mais afetado, será novamente avaliado posteriormente. 

Outros problemas 

Não foram só os moradores de Cajazeiras VIII que ficaram ameaçado nesse dia chuvoso. Na Rua do Bate Facho, na região do Imbuí, além dos constantes alagamentos, um deslizamento de terra aconteceu e destruiu a cozinha da casa de Marcela Santos, 37 anos, que mora no local com os dois filhos e marido.  

“Na hora eu estava acordada, pois não consigo dormir quando chove, já preocupada com essa situação. Saímos correndo quando o barro desceu, mas nossa sorte mesmo foi que ele não veio na direção do quarto e sim da cozinha”, disse Marcela. 

Outra pessoa que escapou por pouco foi Marcos Paulo da Mota, 43 anos, que mora no Acupe de Brotas, na Rua Coronel Francisco Bahia. No local, o rapaz tinha uma casa e um bar, que foram levados pela terra. “Como o bar não tem rendido muito por causa da pandemia, estava fazendo uns bicos como ajudante de pedreiro. Fui na casa minha namorada para pegar a comida que ia levar para o trabalho. Quando eu voltei, não tinha mais nada”, disse Marcos, que perdeu tudo que tinha, inclusive documentos.  

Moradia e prinipal fonte de renda foram embora de uma só vez (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Conhecido e querido pelos moradores da rua, Marcos foi amparado por eles, que garantiram que vão ajudar o rapaz. Ele perdeu, de uma só vez, moradia e sua principal fonte de renda. “A gente está esperando ver o que a Prefeitura vai fazer pelo Marcos para podermos ajudá-lo mais ainda”, disse Valnei Ferreira, 38 anos, que frequentava o bar atingido.  

Segundo o diretor da Defesa Civil, Sosthenes Macêdo, as outras casas da rua não foram afetadas, mas a rua foi isolada e não pode passar carros. “Só um estudo mais profundo vai poder identificar o motivo do desabamento, mas é possível que tenha contribuição de rede de esgoto e de água”, disse. O local não era considerado área de risco.  

A outra casa que desabou em Salvador foi na Rua José Gomes de Águiar, em Vila Canária. Três pessoas de uma mesma família viviam na casa, mas conseguiram escapar ilesos. Eles ouviram de madrugada os estalos provocados pelo rompimento da estrutura e deixaram a casa a tempo, sendo abrigado por vizinhos. Somente parte do quarto da casa conseguiu ficar em pé, mas já foi condenado pela Defesa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) fará a demolição do imóvel.  

Ocorrências registradas pela Defesa Civil até às 18h:  
Total: 604 
Deslizamento de terra: 179 
Ameaça de desabamento de imóvel: 131 
Ameaça de deslizamento de terra: 72 
Infiltração: 49 
Avaliação de imóvel alagado: 42 
Alagamentos de imóvel (a ser avaliado): 30 
Árvores ameaçando cair: 30
Desabamento parcial de imóvel: 24 
Desabamento de muro: 14 
Ameaça de desabamento de muro: 7 
Avaliação de área alagada: 6 
Desabamento de imóvel: 6 
Orientação técnica: 5 
Árvore caída: 4 
Destelhamento: 2 
Pista rompida: 2 
Alagamento de área (a ser avaliado): 1 

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

***

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