Salvador terá 11% a mais de voos para o Carnaval deste ano

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29.01.2020, 20:57:22
Atualizado: 21.02.2020, 18:39:13
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Salvador terá 11% a mais de voos para o Carnaval deste ano

Prefeitura da capital espera 854 mil turistas na cidade para a festa de 2020; em 2019, foram 850 mil

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Mais de 850 mil turistas são esperados este ano para o Carnaval de Salvador. E quem pretende chegar pelo aeroporto vai ter mais opções. As companhias aéreas que atendem à cidade aumentaram a quantidade de voos para a capital baiana durante a folia em 11%. De 17 de fevereiro a 1º de março, serão 2.407 novos voos, segundo informações do Salvador Bahia Airport.

De acordo com a Vinci, que administra o aeroporto da capital baiana, as empresas oferecerão, neste mesmo período, 382.621 assentos em voos - o número é 9% maior do que os 351.006 ofertados no Carnaval de 2019.

Os voos tendem a atender o número maior de turistas aguardados para a festa de 2020. A Empresa Salvador Turismo (Saltur), que projeta 854 mil turistas na cidade, aponta que o número ultrapassa em 150 mil os 850 mil visitantes que chegaram a Salvador para a festa ano passado.

Analista de Negócios Aéreos da Vinci, Maurício Mascarenhas explica que os dias mais agitados serão os das semanas que anterior e posterior ao Carnaval: “Na chegada, o pico é entre sexta e sábado (21 e 22/2); e na volta, a Quarta-feira de Cinzas (26)”.

Somente para os dois dias de pico da chegada de turistas a Salvador serão colocados 33 mil assentos extras. No ‘Top 5’ de origens de voos neste Carnaval, de acordo com a Vinci, estão os aeroportos de Guarulhos (São Paulo), Congonhas (São Paulo), Galeão (Rio de Janeiro), Juscelino Kubitschek (Brasília) e Pinto Martins (Fortaleza).

Maurício Mascarenhas, analista de Negócios Aéreos da Vinci
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Conforme levantamento da Saltur, do total de visitantes, a maioria - 435,8 mil - é do interior da Bahia; 331,5 mil de outros estados, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Distrito Federal. Mas, a cidade costuma também receber muitos turistas de Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná.

Com relação aos estrangeiros, são esperados 86,2 mil turistas, oriundos, sobretudo, da Argentina, Chile, Espanha, França, Itália e Portugal. A movimentação econômica turística nesta temporada deve chegar próximo a R$ 1,8 bilhão, segundo estimativas da prefeitura.

Consumo
“Este é um período em que a economia da cidade fica aquecida e o folião, residente na Bahia ou visitante na condição de turista nacional e estrangeiro, é um consumidor ativo, que consome serviços e produtos na capital baiana”, avalia o secretário municipal de Cultura e Turismo de Salvador, Cláudio Tinoco.

Enquanto vistoriava a montagem de camarotes no Campo Grande, um dos circuitos do Carnaval, o presidente da Saltur, Isaac Edington, disse ao CORREIO que “esse será um dos melhores carnavais de todos os tempos”, e que novidades serão apresentadas nesta sexta-feira (31).

“Estamos fazendo de tudo para que o folião possa se divertir da melhor forma possível. Com relação aos camarotes, por exemplo, fizemos algumas adequações pontuais para que a acessibilidade possa ficar melhor para todos e os espaços do Carnaval sejam melhores distribuídos”, declarou.

Permanência
No setor hoteleiro, a expectativa é de que a ocupação fique entre 95% e 100% na festa, de acordo com Luciano Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-BA), que reúne cerca de 4 mil estabelecimentos de hospedagem na capital, com 40 mil leitos.

“A expectativa da hotelaria é que, durante a sexta e sábado de Carnaval, tenhamos 100% de ocupação, pois é o momento de pico. Isso ocorreu ano passado e esperamos que ocorra de novo esse ano, pois Salvador está sendo um dos destinos mais procurados nessa temporada de festas”, afirmou Lopes.

Vindos de São Paulo e de Porto Alegre (RS), seis amigos resolveram se juntar para alugar um apartamento com três quartos na Pituba para passar o Carnaval em Salvador. 

“Alugamos o apartamento por R$ 8 mil os cinco dias, pagamos já este mês, com antecedência”, diz o analista de sistemas Glécio Carlos de Moura, 35 anos, de São Paulo.

Já Pedro Carvalho Costa, fisioterapeuta de 45 anos, vai passar o Carnaval em Salvador pela quinta vez, junto com a esposa, Gabriela, 19. “Nos casamos ano passado e esse é nosso primeiro Carnaval juntos”, aponta ele, que mora em Goiânia (GO) e vai ficar quatro dias em um hotel.

Os turistas pernambucanos Jéssica Bem e Samuel Veras esperam poder curtir o Carnaval de Salvador. “A nossa meta é conhecer o Carnaval daqui.  Vamos tentar pegar algum ensaio de Verão nesse final de semana para ficar no gostinho do Carnaval, como se fosse uma prévia para nós”, disse Samuel, que veio para a festa de Iemanjá.

Jéssica e Samuel vieram de Pernambuco para a festa de Iemanjá, mas querem conhecer o Carnaval
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Agências esperam aumento de 10%
A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) informa que, para a temporada do Verão - de janeiro a março - é esperado um crescimento de 5% a 8% nos negócios, em todo o país, onde há cerca de 2,2 mil agências. Para o Carnaval de Salvador, segundo a presidente da Abav na Bahia, Ângela Carvalho, o crescimento deve ser de 10% em relação ao evento de 2019.

“Muitas agências estão percebendo que o crescimento por destinos no Brasil está muito grande, tanto de baianos que querem visitar outros estados quanto de pessoas que querem vir para cá, isso por conta do dólar e do euro que estão altos. A demanda de estrangeiros também aumentou, mas o movimento do turismo doméstico está bem maior”, afirma Ângela. Segundo ela, há na Bahia 700 agências, 300 delas em Salvador.

Quem está na expectativa por essa movimentação turística é Pedro Gonçalves, 31, supervisor de embalagem de bagagem no aeroporto. Para ele, que trabalha com esse tipo de serviço há um ano e quatro meses, a expectativa de aumento na venda durante o Carnaval é de 150%, como ocorre nas festas de final de ano.

“A expectativa é sempre grande, tanto para o meu setor, quanto para o setor de turismo, que eu já trabalhei. As pessoas sempre esperam um volume de turistas maior, o que vai gerar mais renda”, afirma. 

Pedro Gonçalves espera aumento de 150% no serviço de embalagem de bagagens
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

No caso do setor que atua, a embalagem de bagagens, a movimentação é maior quando os turistas estão indo embora, pois costumam levar mais bagagem que na chegada. “O Carnaval é bom para todos, quem aguarda os turistas e quem se despede deles”, observa.

Maior parte do público é do sexo masculino
Uma pesquisa realizada pela Secretaria do Turismo da Bahia (Setur) durante o Carnaval 2019 apontou que a faixa média de idade dos turistas que vieram a Salvador no Carnaval foi de 35 anos, sendo 52,7% dos entrevistados do gênero masculino e 47,3% do feminino.

A renda média desses visitantes é de R$ 6.449, com gasto médio no Carnaval de R$ 3.537. Outro dado relevante apontado pela pesquisa é que a média de permanência desses turistas na capital foi de seis pernoites - ou seja, quase uma semana de estada na cidade.

Segundo operadoras de viagem, os pacotes para pessoas que saem do Sudeste do Brasil e vêm curtir o Carnaval na capital baiana variam de R$ 5 mil a R$ 6 mil por pessoa, numa viagem de cinco dias, incluindo hospedagem em hotel de três ou quatro estrelas e café da manhã. O preço pode ser reduzido ou aumentado, a depender do poder aquisitivo da pessoa e do tipo de hospedagem que se deseja.

Em relação aos meios de hospedagem utilizados, 40,4% dos entrevistados hospedaram-se em hotel, seguidos de 32,1% que ficaram em casa de parentes ou amigos. E com a melhora na economia brasileira, a expectativa geral é de crescimento em toda a Bahia, não só durante o Carnaval, mas no Verão.

“Esperamos de 5% a 8% a mais que o ano passado, com 6,2 milhões de turistas na Bahia toda, sendo 2 milhões na capital, contabilizando de dezembro a março”, afirmou o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco.

Ele preferiu não fazer estimativas sobre a quantidade de público esperado somente para o Carnaval de Salvador.

*Colaborou Eduardo Dias, com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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