Se ligue: as estratégias da PM para evitar aglomeração no São João

bahia
18.06.2021, 05:39:00
Atualizado: 18.06.2021, 11:26:46
São João terá reforços de policiais na capital e no interior (Nara Gentil/ CORREIO)

Se ligue: as estratégias da PM para evitar aglomeração no São João

Haverá reforço da tropa entre os dia 23 e 28 deste mês na Bahia

Para fazer cumprir o decreto estadual que proíbe aglomeração devido à pandemia de covid-19, a Operação São João, da Polícia Militar, vai contar com o incremento no efetivo de 7,5 mil policiais em todo território baiano. Eles estariam de folga no período, mas serão convocados para trabalhar. O reforço será empregado entre os dia 23 e 28 deste mês. 

O efetivo da PM baiana é 32 mil policiais e, como os 7,5 mil agentes do reforço dessa operação estão dentro desse grupo, um dos resultados será o pagamento de horas-extras. Isso irá provocar um custo superior a R$ 1 milhão ao Governo do Estado. "Serão 7 mil no interior e 500 na capital. Como será isso? Essa mobilização de efetivo vai gerar um investimento de R$ 1,1 milhão de deslocamento, pagamento de horas extras, diárias. A gente pega o pessoal de folga em regime extraordinário e incrementa esse policiamento nessas cidades", declarou o oficial do Comando de Operações Policiais Militares (COPPM), o major Edmundo Assemany.

O major revelou ainda que as abordagens serão meramente preventivas. "O nosso objetivo primordial é fazer cumprir o decreto estadual que proíbe aglomerações, seja ela qual for. Então, tudo o que vier em mente. Mas o nosso foco é o trabalho educacional. A gente não quer ir lá para prender. O nosso interesse é meramente educacional. Agora, diante à insistência, os indivíduos serão conduzidos à delegacia para as medidas cabíveis", pontuou. 

A PM terá o policiamento ainda mais reforçado nos municípios onde a tradição do São João é mais forte, isso inclui as tradicionais guerras de espadas.  "O foco da PM é fazer cumprir o decreto estadual. Havendo aglomeração de pessoas do jeito que seja, a gente vai atuar para acabar. Não importa que seja guerra de espada ou paredão, como acontece em algumas localidades da capital, como no Subúrbio. Por exemplo, em Cruz das Almas, que tem a tradição da guerra (de espadas), a polícia vai chegar preventivamente para evitar que aconteça aglomeração. Ocorrendo o descumprimento do decreto, a nossa principal conduta é orientar. Insistindo, os responsáveis serão conduzidos à delegacia para registro de ocorrência", declarou o major. 

Ele detalhou também como será a atuação dos policiais. "O decreto faz uma ressalva permitindo a realização de eventos científicos ou profissionais com até 50 pessoas, utilizando máscara, observando o distanciamento, uso do álcool em gel. São João é uma festa tradicional. Se um cidadão está em sua casa, com sua mulher e seus filhos e resolve aceder uma fogueira no quintal, não vejo nenhum mal nisso. O que a gente chama de festas de aglomeração? São locais onde as pessoas estão sem máscaras, não respeitando o distanciamento e nem a quantidade de pessoas. A gente pede também o bom senso das comunidades", completou.

Por fim, o major garantiu que, apesar das ações para o período do São João, o policiamento ordinário está mantido. "Todo o esforço ordinário da PM está mantido. O que vamos fazer é incrementar o policiamento". Ele pediu ainda para que as pessoas denunciem aglomerações e festas clandestinas. "Avise a Polícia Militar do seu município através do 190 ou então através do novo número do Disque Denúncia, 181, que atende todo o estado da Bahia".

Histórico ruim

No ano passado, mesmo com ações para conter aglomerações, tomadas pelas autoridades baianas, não houve jeito: os casos de covid-19 cresceram em até 280% nos municípios onde os festejos juninos são tradicionais, como Cruz das Almas, Amargosa, Santo Antônio de Jesus, Bonfim e Mucugê.

Algumas prefeituras ponderaram que houve aumento do número de testagens e afirmaram ter empreendido todos os esforços para barrar os visitantes e os festejos entre pessoas de casas diferentes, mas depoimentos de moradores, autoridades e da própria polícia mostram que o São João de 2020 teve influência direta no crescimento. 

Mucugê, por exemplo, investiu em campanhas educativas e preventivas, e fechou todo o setor de hospedagem, proibiu que se acendessem fogueiras e soltassem fogos e instalou uma barreira sanitária na entrada da cidade, mas, ainda assim, obteve aumento de 200% nos casos. O município de pouco mais de 9 mil habitantes saltou de quatro para 12 infectados. 

Em Senhor do Bonfim, o número de infectados pulou de 86 para 167. Santo Antônio de Jesus (SAJ) também investiu em uma comunicação que desestimulasse o turismo na cidade no período junino, além de ter recebido montagem de barreiras sanitárias nas entradas da cidade com apoio da Polícia Militar, mas, em números absolutos, teve a maior alta, de 253 casos para 571.

Na capital, uma força tarefa comandada pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) dispersou 32 aglomerações e desmontou 39 fogueiras em 26 bairros na noite do dia 23 de 2020. Além disso, a Prefeitura havia decretado a proibição de qualquer atividade sonora nas ruas durante a pandemia, independentemente do índice de decibéis. Mas, na noite de São João, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) registrou 495 denúncias de poluição sonora em Salvador, número seis vezes maior do que o normal para a Operação Sílere, que, esse ano, faz nove anos de atuação.

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*Colaborou Luana Lisboa

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