Secretaria admite possibilidade de turista ter sido intoxicado por óleo em Ilhéus

bahia
06.11.2019, 14:53:00
Atualizado: 06.11.2019, 15:19:31
(Acervo pessoal)

Secretaria admite possibilidade de turista ter sido intoxicado por óleo em Ilhéus

Sem novos sintomas, mineiro deve ter alta nesta quarta-feira (6)

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O turista mineiro Anderson Gabriel Palmela, 38 anos, que apresentou manchas nas costas após ter contato com petróleo cru em uma praia de Ilhéus, no Sul da Bahia, pode ter sido mesmo intoxicado pela substância. De acordo com o secretário de Saúde do município, Geraldo Magela, a hipótese não foi descartada.

"Ele segue internado e está repetindo exames, que até agora deram normais. Estamos trabalhando com a possibilidade de ser intoxicação por óleo, mas é pequena, cerca de 5%. Não vamos descartar até termos os resultados de todos os exames. Ele foi examinado por vários médicos, de várias especialidades, e nenhum dá indicativo para que seja intoxicação por petróleo, mas precisamos ter absoluta certeza", disse ao CORREIO. Na terça-feira (5), ele indicou que o turista não tinha sofrido intoxicação, o que foi esclarecido no dia seguinte.

Anderson, que está internado no Hospital do Cacau desde segunda-feira (4), foi examinado por médicos de diversas especialidades, como cardiologista, dermatologista, gastroenterologista e neurologista. Segundo Magela, até um profissional que trabalhou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia o paciente, que deve ter alta ainda nesta quarta-feira (6).

"Estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance para entender do que se trata. Se ele continuar evoluindo bem, terá alta hoje mesmo. Ele está ansioso para ir logo para casa. As manchas já melhoraram bastante, porque a pele descascou, como se fosse queimadura de sol. Ele teve uma queimadura de primeiro grau, leve, e tem apresentado melhora", completou Magela. 

O CORREIO tentou contato com Anderson, sem sucesso. 

Nesta quarta, um peixe da espécie baiacu foi encontrado morto coberto com o petróleo cru na Praia do Cururupe, em Ilhéus, que fica a cerca de 6km da praia em que o turista se banhou no mar. Anderson relatou ter frequentado a praia de Jardim Atlântico, próximo da famosa Praia dos Milionários.

Leia também: Confira mapa de locais atingidos por mancha de óleo na Bahia

Relembre o caso
O empresário Anderson Gabriel foi internado na segunda-feira (4), quando apresentou sangue nas fezes. O mineiro deu entrada no Pronto Atendimento da Zona Sul de Ilhéus na tarde do último sábado (2), com queimaduras no corpo após tomar banho de mar na Praia dos Milionários, também localizada no litoral sul. Segundo Gleidson, o paciente relatou que sentiu o incômodo ainda no mar, “que estava limpo”.

Depois de ir para casa e tomar banho, o rapaz percebeu que os sintomas pioraram. “Meu corpo começou a coçar e queimar muito no mar. Quando cheguei em casa, no banho, a água ficou escura no chão e oleosa, mas na praia eu não vi óleo. À noite, quando voltei com o secretário de saúde para mostrar onde estava tomando banho, vimos fragmento de óleo na areia”, relatou Anderson, ao CORREIO.

O empresário mineiro, que está visitando o tio em Ilhéus, deu entrada no Pronto Atendimento por volta do meio-dia de sábado (2), com o corpo marcado por manchas e bolhas. Já na segunda-feira (4), o paciente apresentou quadro de náusea e disse que começaram a aparecer sangue em suas fezes.

Apesar das investigações, o coordenador da Vigilância de Saúde afirmou que não há como relacionar o caso com a presença de óleo nas praias do Nordeste. “A partir da notificação do caso dele, que foi isolado, a Vigilância investiga e alimenta o sistema. Além disso, liga para o Centro de Toxicologia para informar sobre o caso e faz o monitoramento do paciente pelo menos uma vez por dia”, explica Santana.

Desde a chegada do óleo em Ilhéus, na sexta-feira (25), outros dois casos foram registrados, sendo um de uma voluntária que se queixou de reações inalatórias, náusea, dor de cabeça e dor de estômago, e outro de um surfista, mas ambos foram atendidos e passam bem.

“Até agora a gente não sabe ao certo quais são os sintomas. O Estado da Bahia não trabalha com petróleo, então a gente não tem equipe especializada nessa área. Seria o caso de alguém da Petrobras informar a gente como conduzir a situação. Por enquanto, estamos seguindo as orientações da Sesab e do Ministério da Saúde”, afirma Santana. A Marinha e o Corpo de Bombeiros também estão dando apoio, junto com a prefeitura municipal de Ilhéus.

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