Só quem é zen chega aos 100? Geriatras dão dicas para viver mais e melhor

saúde
01.10.2021, 05:15:00
Atualizado: 01.10.2021, 06:29:05
(Reprodução/Shutterstock)

Só quem é zen chega aos 100? Geriatras dão dicas para viver mais e melhor

Melhoria das condições sanitárias e o avanço da medicina são fatores que ampliam expectativa de vida

É ácido hialurônico para cá, botox para lá. De dieta e exercício físico a creme e cirurgia, o que todo mundo quer é envelhecer bem. Mas você já se imaginou chegando na casa dos 100 anos? Pois aqui na Bahia existem mais de 8 mil idosos centenários espalhados por aí (Confira a história de alguns deles na reportagem relacionada). Passar a receita da longevidade pode ser tarefa difícil, mas é possível dizer que, quando eles eram jovens, não contaram com a ajuda de nenhuma tecnologia para fazer com que o corpo e a mente durassem mais. 

Os números do IBGE mostram que a população está envelhecendo. Em 2012, eram 1.713.000 idosos na Bahia a partir dos 60 anos. Em 2019, esse número saltou para 2.235.000, um crescimento de 23,3%. A projeção do instituto é de que, em 2060, serão mais de 4,7 milhões, o que vai representar 34,5% da população baiana. 

Mas o que explica esse envelhecimento? Segundo o médico geriatra do Hospital Aliança e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Leonardo Oliva, é um acúmulo de fatores, como a melhoria das condições sanitárias e o avanço da medicina. Isso, alinhado à baixa taxa de natalidade, caracteriza o envelhecimento da população. 

De acordo com Oliva, uma soma geral ajuda a explicar o perfil de quem vive mais e quem vive menos. “São 60% das escolhas que a pessoa faz ao longo da vida, 20% do ambiente em que a pessoa está inserida e 20% de genética. Ou seja, pesa muito mais o fato de o indivíduo se alimentar bem, praticar atividade física, controlar o estresse e não usar drogas, por exemplo”, pontua.

Mas quando se fala de centenários, a análise é um pouco diferente. “Quando falamos dos muito longevos, que são aqueles que chegam aos 90 e até mais de 100 anos, a gente já sabe que a genética tem uma influência muito maior. Tem muita gente que tem uma vida super saudável, que vive em um ambiente adequado e sem estresse mas não consegue chegar nessa idade. Para chegar depois dos 100, é preciso ter fator genético. Se o pai ou a mãe, por exemplo, chegou até uma idade mais avançada, é muito provável que o filho chegue também, mas, claro, não é uma conta exata”, explica. 

Para o médico geriatra Jonas Gordilho, professor da Faculdade de Medicina da Ufba e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o melhor é apostar naquilo que é possível interferir. O fator genético não dá para controlar, mas os hábitos, sim. E nunca é tarde para começar uma vida mais saudável. “Estudos apontam que, mesmo os pacientes idosos que começam a praticar atividade física já em idade avançada, também alcançam benefícios. Fazer atividades que mantenham a mente ativa também é essencial. É importante individualizar a avaliação, analisar caso a caso para ver até onde o idoso pode ir, mas não existe o ‘velho demais para começar’”, destaca Gordilho. 

O médico geriatra Leonardo Oliva alerta para a importância de um acompanhamento de um especialista. Segundo ele, não se deve adotar o ‘é coisa da idade’. “É da idade, mas tem tratamento e, com a ajuda de um especialista, pode ser controlado. Às vezes não há cura, mas tem o controle, é possível evitar que a doença avance e melhorar a qualidade de vida daquele idoso. É muito comum vermos isso com esquecimento e tristeza. Pode ser Alzheimer e depressão, por exemplo”, afirma Oliva. 

Ele ainda completa que, ao contrário do que muitos pensam, o ideal é buscar um geriatra enquanto ainda estiver jovem. “Eu costumo dizer que a idade certa para procurar um geriatra é o momento em que a pessoa decide que quer envelhecer bem. O envelhecimento do corpo começa por volta dos 35, 40 anos. O geriatra pode fazer esse acompanhamento de saúde em prol de um envelhecimento bem sucedido. Aí a frequência das consultas vão ser determinadas caso a caso”, finaliza o médico. 

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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