Sol fraco do inverno não impede que baianos reocupem as praias

coronavírus
12.07.2020, 17:00:27
Atualizado: 12.07.2020, 23:00:40
Banhistas na praia de Piatã (Nara Gentil/CORREIO)

Sol fraco do inverno não impede que baianos reocupem as praias

Neste domingo, muita gente que estava há quatro meses sem ver o mar se arriscou

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O sol tímido que apareceu em Salvador neste domingo (12) não impediu que muitas pessoas tirassem o dia para aproveitar a praia, mesmo com a pandemia do novo coronavírus e as recomendações para ficar em casa. 

Mas, em locais mais afastadas do centro, as areias e calçadões receberam um público um pouco diferente do comum: aquelas pessoas que depois de quase quatro meses decidiram romper o confinamento e foram para praia pela primeira vez desde o início da pandemia. 

O coordenador de logística Alex Marques, de 41 anos, está nesse grupo. Morador de Stella Maris, ele vem cumprindo a quarentena desde que as orientações foram passadas pelas autoridades de saúde, mas neste domingo decidiu romper o isolamento e caminhar na praia de Pedra do Sal. Segundo ele, a atitude foi tomada para "aliviar a mente".   

"Ficar em casa é muito estressante e depressivo. Eu tive que sair de casa para correr um pouco, arejar a mente, malhar, já que a academia está fechada. Por isso escolhi um local mais afastado, com poucas pessoas", conta ele.

Alex diz que traçou algumas estratégias antes de sair de casa, como escolher um ponto pouco movimentado, mas sabe que nem todo mundo respeita as orientações. "Infelizmente nem todo mundo está aderindo às orientações de isolamento. Tem muita gente tomando cerveja, com grupo de amigos. Mas eu vim sozinho e em um horário mais cedo", explica. 

Alex diz que escolheu Pedra do Sal por ser mais deserta (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

A decisão de Alex não é uma exceção. A arquiteta Bruna Martins, de 39 anos, teve a mesma atitude. Ao lado do marido, o engenheiro agrônomo Sandoval Costa, e dos dois filhos pequenos, ela saiu da Cidade Jardim e também escolheu Pedra do Sal como destino. Segundo Bruna, o furo na quarentena também aconteceu por uma necessidade de aliviar a mente e o receio de uma depressão.

“Estamos desde fevereiro dentro de casa, com duas crianças pequenas. Estamos ficando meio depressivos, chega um momento que não tem mais paciência de ficar (em casa). A gente vê que todo mundo está indo, então decidimos vir. Tomamos o cuidado de usar máscaras e achamos que aqui estaria um pouco mais deserto", explica.

Bruna Martins e o marido Sandoval levaram os filhos pequenos para se distrair na praia (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

“De casa até aqui a gente passou pela orla e todas as praias estavam cheias e a gente não viu nem essa preocupação com o espaçamento. Mas a gente já veio com uma ideia de vir para cá mesmo, com uma ideia de que estaria mais vazia. A gente também vai ficar pouco tempo, só mesmo para as crianças se divertirem um pouco", continua.  

A poetisa Luciana Castro veio do Rio de Janeiro para visitar a irmã que vive em Salvador e também decidiu tomar um banho de mar pela primeira vez desde o início da pandemia. 

Ela conta que um dos motivos para tomar coragem para sair de casa foi já ter sido diagnosticada com o coronavírus e ter se curado da doença. 

"No meu caso, eu só saí porque já tive o corona e estou imunizada. Eu já fiz o teste e não transmito, mas temos que ter um cuidado por conta da curva. As medidas são importantes, mas de certa forma as pessoas estão cansadas. O confinamento não é uma situação fácil de lidar. Com as medidas, os protocolos, eu acredito que as pessoas vão começar a relaxar um pouco. Já são quatro meses de confinamento e para a população, de uma forma geral, ver o sol, poder respirar um pouco, é necessário. O ser humano não foi feito para ficar confinado muito tempo", defende.

Luciana Castro acredita que as pessoas precisam relaxar um pouco (Foto: Nara Gentil/CORREIO)

Sem liberação

Apesar do fácil acesso, as praias ainda não estão liberadas. De acordo com a prefeitura de Salvador, as praias estão englobadas apenas na terceira fase do Plano de Retomada, divulgado esta semana tanto pela Prefeitura Municipal de Salvador quanto pelo Governo do Estado. 

Contudo, elas terão um protocolo específico, assim como será com as escolas e instituições de ensino presencial, por exemplo. As medidas que vão ser tomadas para a liberação desses espaços ainda estão sendo estudadas. 

"Educação, Futebol profissional, parques públicos, praias e demais espaços públicos estão sendo avaliados separadamente com critérios específicos, devido à natureza própria de suas atividades", diz o Plano de Retomada.

Mesmo que a estratégia de retorno às praias ainda não tenha sido executada, muitas pessoas têm ignorado as recomendações, ainda que buscando algum tipo de isolamento. O engenheiro mecânico Marcos Torres e a esposa, a contadora Ângela Torres, por exemplo, aproveitam o calçadão da orla para correr ou pedalar pelo menos três vezes na semana. 

Ele conta que escolhe horários e locais em que o volume de pessoas é pequeno para poder manter a atividade física. “Eu costumo fazer de três a quatro vezes por semana, procuramos sair sempre por volta de 5h30, 6h, quando ainda não tem ninguém na rua. Depois a gente volta e ficamos reclusos de novo”, diz.  

“Nos dois primeiros meses da pandemia a gente não veio, mas depois pensamos: 'vamos lá ver se tem muita gente, se tiver, a gente não fica’. É isso que a gente tem feito, visando justamente o isolamento”, continua.

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