SSP mostra escudo da PM com marcas de tiros para sugerir confronto com miliciano

bahia
12.02.2020, 20:02:00
Atualizado: 13.02.2020, 13:23:41

SSP mostra escudo da PM com marcas de tiros para sugerir confronto com miliciano

Necropsia no corpo de Adriano atestou duas perfurações por arma de fogo no pescoço e na clavícula
Foto: Divulgação

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia divulgou nesta quarta-feira (12) fotos da perícia realizada num escudo da Polícia Militar que teria sido atingido por dois tiros de arma de fogo do miliciano carioca Adriano Magalhães da Nóbrega, 43, morto no domingo (9), numa ação policial em Esplanada, a 155 km de Salvador.

A divulgação da SSP, realizada em meio a desconfianças sobre um possível crime de execução como queima de arquivo, sugere que houve confronto entre o miliciano, que era ligado à família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e forças policiais da Bahia.

Nóbrega tinha mandado de prisão em aberto por suposta participação na organização criminosa Escritório do Crime. No momento do suposto confronto, a polícia buscava prendê-lo num sítio onde estava escondido, quando teria ocorrido a troca de tiros. Segundo o Departamento de Polícia Técnica (DPT), ele foi atingido por dois disparos de fuzil e carabina, no tórax e no pescoço.

Foto: Alberto Maraux/SSP

“Os PMs relataram em depoimento que o equipamento evitou que dois disparos de arma de fogo os atingissem”, afirma a SSP em comunicado, que informa ainda que a perícia “vai relatar qual material causou os danos no escudo”.

“Olhando preliminarmente, enxergamos duas marcas provenientes de impactos relevantes. As equipes analisarão se existem fragmentos de chumbo ou cobre, presentes em projéteis”, explicou o diretor do DPT, Élson Jeffesson.

Baleado na clavícula e tórax
Segundo o perito criminal, a necropsia no corpo de Adriano atestou duas perfurações por arma de fogo, nas regiões entre o pescoço e a clavícula, além do tórax. “Os resultados dos outros laudos, assim que finalizados, serão entregues ao Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), que apura o caso”, completou.

As circunstâncias da morte de Nóbrega têm causado tantos questionamentos, que a família do miliciano foi proibida de realizar a cremação do corpo de Nóbrega, sepultado no cemitério São Francisco Xavier, do bairro do Caju, no Rio de Janeiro. A determinação foi divulgada nesta quarta-feira (10), pela juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do plantão judicial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,

Laudo aponta que Adriano foi atingido por projétil (Foto: Divulgação/SSP)

O pedido de cremação foi feito pela mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e por duas irmãs, identificadas como Daniela e Tatiana Magalhães. A solicitação foi submetida a uma consulta ao Ministério Público do Rio de Janeiro, que opinou negativamente.

A juíza destacou na decisão que Nóbrega não morreu de causas naturais e que “não consta a cópia da Guia de Remoção de Cadáver e nem do Registro de Ocorrência, não sendo de se desprezar a possibilidade de vir a ser necessária a realização de diligência [exumação do corpo], a melhor elucidar a ocorrência”.

“Acaso fosse deferida a cremação dos restos mortais de Adriano, inviabilizadas estariam eventuais providências a serem levadas a efeito pela Autoridade Policial. Não é despiciendo enfatizar que o interesse público na cabal elucidação dos fatos tem preponderância sobre o desejo de seus familiares”, ela escreveu.

Procurada pelo CORREIO, a advogada da família de Adriano da Nóbrega, Cintia Paula Pereira Cadete, informou que não daria declarações. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga o miliciano por participação na organização criminosa Escritório do Crime, ficou de enviar nota ao CORREIO sobre o caso, o que não ocorreu.

Ex-membro do Bope, o pelotão de operações especiais do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega teve o nome citado na investigação que apura prática de “rachadinha” no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro (hoje senador), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e de ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Embora conhecido entre os milicianos como Capitão Adriano ou Gordinho, ele nunca chegou a ser capitão, de acordo com a assessoria da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro. Nóbrega serviu no Bope entre 2000 e 2002 como tenente. Quando foi demitido da corporação, em 2014, durante uma operação contra milícias no estado, ainda ocupava este cargo. 

Nesta quarta-feira, o senador Flávio Bolsonaro se manifestou pela primeira vez sobre a morte do miliciano: por volta do meio-dia, ele escreveu a seguinte mensagem no Twitter: “Acaba de chegar a meu conhecimento que há pessoas acelerando a cremação de Adriano da Nóbrega para sumir com as evidências de que ele foi brutalmente assassinado na Bahia. Rogo às autoridades competentes que impeçam isso e elucidem o que de fato houve”. Ao comentar a declaração, a SSP da Bahia afirmou que “ação policial foi dentro da legalidade”.

Durante entrevista coletiva, o promotor de Justiça Dario José Kist, de Entre Rios, e que acompanha o caso em Esplanada, declarou que “não mais concederá entrevistas até a conclusão das investigações em curso sobre os fatos que envolvem a morte de Adriano da Nóbrega”, e que “o Ministério Público do Estado da Bahia voltará a se posicionar sobre o caso somente quando concluir as apurações”. 

O promotor informou que acompanha as investigações do Draco, da Polícia Civil da Bahia, que está apurando as passagens de Adriano Magalhães da Nóbrega pelos municípios de Mata de São João (localidade de Costa do Sauípe) e Esplanada.

O objetivo é saber se houve algum tipo de investimento, compra ou transação que caracterize lavagem de dinheiro ou outro tipo de ato ilícito. O miliciano possuía mandado de prisão e participação em diversas ações criminosas no Rio de Janeiro.

Depoimentos de Leandro Guimarães, preso no dia em que o miliciano foi localizado, e de testemunhas das duas cidades, estão sendo colhidos pelo Draco. Detalhes da investigação da Polícia Civil e Ministério Público do Rio de Janeiro, que indiquem algo ilícito na Bahia, também estão sendo buscados.

Leandro foi solto na noite desta terça (11) após pagar fiança de R$ 3,5 mil.
“Estamos com equipes no terreno e vamos esmiuçar toda a passagem de Adriano pelo território baiano”, declarou o diretor do Draco, delegado Marcelo Sansão. Ele acrescentou que informações sobre Adriano podem ser enviadas, sigilosamente e sem necessidade identificação, através dos telefones 3235-0000 (quem estiver em Salvador) e 181 (denunciantes do interior).


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