Super-fuça: conheça Hunter, o cão que fará trabalho inédito na polícia baiana

salvador
24.04.2019, 11:28:00
Atualizado: 01.05.2019, 15:16:11

Super-fuça: conheça Hunter, o cão que fará trabalho inédito na polícia baiana

Animal da raça Bloodhound consegue captar cheiros em até 12 km de distância

Um dos focinhos mais potentes do mundo canino é o do Bloodhound. A raça tem nome pouco familiar e é incomum na Bahia, mas ficou famosa mundialmente após dar vida aos personagens Pluto e Pateta, da Disney. Eles são tão bons farejadores que conseguem localizar um objeto que está a até 12 km de distância. É apostando nessa característica que a Polícia Civil da Bahia passa a contar com um novo membro da raça na corporação.

Hunter tem 4 meses e é da raça Bloodhound
Hunter tem 4 meses e é da raça Bloodhound (Almiro Lopes/CORREIO)
(Almiro Lopes/CORREIO)
(Almiro Lopes/CORREIO)
(Almiro Lopes/CORREIO)

Os Bloodhounds têm cerca de 450 milhões de células olfativas - o dobro do que possui os pastores-alemães, raça muito utilizada por policiais em todo o mundo, principalmente na busca de pessoas desaparecidas.

"Eles têm um olfato muito mais apurado. É uma raça muito usada na busca de pessoas, porque eles conseguem cheirar um objeto que alguém usou, tipo uma caneta, e achar com facilidade. Outra característica interessante é que eles conseguem parar um serviço de faro e retomar depois, sem precisar começar do zero", explica o veterinário Felipe Baldo, da clínica Baldo Vet.

Bloodhound da Polícia Civil baiana ficará no canil do COE, que tem 12 cães  (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Segundo o veterinário, os Bloodhounds conseguem localizar objetos em até 12 km de distância porque a busca é feita por um rastro, um trajeto percorrido pela pessoa procurada. E é justamente nisso que a Polícia Civil de Salvador vai apostar.

No mês de março, chegou ao Canil da Coordenação de Operações Especiais (COE) um cão da raça - o primeiro do estado a trabalhar em atividades policiais. Batizado de Hunter (Caçador, em inglês), ele tem 4 meses e é o caçulinha de uma turma de, agora, 12 cães - o mais velho tem 11 anos.

Além de Hunter, que deve chegar a pesar cerca de 60 kg, o canil conta atualmente com três cães da raça Pastor-belga Malinois, dois pastores-holandeses, dois pastores-alemães, dois cocker spaniels e um labrador. O mais velho deles, o Pastor-belga Malinois Troy, vai dar um tempo no serviço de farejamento de drogas e virar uma espécie de assistente de Hunter. Em breve, dois novos filhotes chegarão ao local: um Cocker Spaniel e outro da raça Braco Alemão. 

O Bloodhound, que geralmente custa de R$ 4 mil a R$ 5 mil em canis brasileiros, foi adquirido pelos próprios policiais, após uma "vaquinha". Como Hunter veio de um criador do Paraná que também é policial, a compra saiu por R$ 2 mil, além do frete e da compra da caixa transportadora, que fizeram o valor dobrar.

Como o processo de compra de um animal envolve algumas burocracias, por envolver dinheiro público, os policiais decidiram efetuar a compra por conta própria, para que Hunter chegasse logo ao canil.

Treinamento será uma grande brincadeira para Hunter (Foto: Almiro Lopes/CORREIO) 

Treinamento 
Hunter, que ainda é um bebezão, já começará a passar por um treinamento chamado Mantrailing, que surgiu no Brasil há apenas 15 anos. Ele só passará a atuar nas operações oficiais quando estiver bem preparado e atingir a vida adulta - o que, segundo o veterinário Baldo, acontece a partir de 1 ano.

No Mantrailing, seis policiais estudarão nove módulos de adestramento - serão um guia, um auxiliar de guia e quatro operadores, que darão suporte ao trabalho do animal, como por exemplo deslocamento em matas e orientação para a equipe não se perder. O treinamento dura no mínimo seis meses e, depois, o cão passa por uma prova avaliada por juízes para obter certificação.

Mesmo sendo ainda apenas um "estagiário", Hunter irá para a rua antes de se formar. "Assim que virmos que ele está fazendo os exercícios, achando as pessoas, levaremos para a rua. O que dá experiência ao cão é ir para a rua, ir a campo", garante o investigador de Polícia Civil e coordenador do canil, Luis Bastos.

Para achar uma pessoa desaparecida e foragidos, Hunter vai cheirar peças de roupas ou objetos utilizados por essas pessoas. "Em São Paulo, um cara roubou um carro, largou no caminho e se meteu na mata. O cachorro cheirou o volante, o banco, e achou ele na mata. Mas ele é treinado para achar pessoas vivas, não cadáveres. Quando ele encontrar, ficará sentado ou deitado, até que a gente vá até ele", aponta Bastos.

Marcos Melo, Hunter e Luis Bastos (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Também investigador da Polícia Civil, Marcos Melo será o principal parceiro do gurizão do canil no treinamento. Inicialmente, a atividade é feita com uma trilha de ração e, ao fim dela, Hunter encontrará o seu comedouro cheio do alimento.

"Isso servirá para a gente associar a busca com o trabalho a ser desenvolvido. A partir daí, coletaremos odor das pessoas e, quando ele encontrar, será premiado. Aos poucos, trocaremos a premiação da ração por carinho, afago. Eles são cães muito afetuosos", explica Melo.

O cuidado de substituir a ração por afeto tem uma explicação. Por ser de porte grande, os policiais explicam que os Bloodhounds têm maior tendência a passar por uma torção gástrica -  quando o estômago dá uma volta sobre si mesmo, ficando torcido. Quando o animal come, o estômago naturalmente dilata. Com agitação, há possibilidade dessa 'torção' do órgão, podendo levar à morte.

Orelhas ajudam no faro
Quem pensa que é só essa fuça poderosa que fará com que Hunter ajude a encontrar desaparecidos e foragidos está enganado. Os longos orelhões também terão papel fundamental em seu trabalho. Isso porque eles formam uma espécie de "parede" ao lado do focinho e impedem que cheiros externos atrapalhem a busca.

"A anatomia dele já é feita para a atividade da busca. Eles têm pernas longas e conseguem andar por quilômetros, têm as patas arredondadas que dão estabilidade e a própria orelha atua como um funil, que ajuda a levar o cheiro em direção ao nariz. Ela é tipo uma vassoura, porque, por onde ele anda, arrasta a orelha e elas levantam o odor em direção ao focinho. A pele deles também é bem oleosa, o que protege na hora de trabalhar na área de mata e espinhos", explica Ana Beatriz Albernaz, fundadora e presidente do Grupamento de Busca e Resgate (GBR) Brasil, referência no treinamento de Bloodhounds no país.

Ela esteve em Salvador para ministrar um seminário para os policiais do COE, que atuam com cães desde 2004 e nunca participaram deste tipo de treinamento. Ela explica que, embora muito complexo para o ser humano, o Mantrailing costuma ser de fácil assimilação para o cão.

"O treinamento vai totalmente no caminho contrário dos que já se fazem com cães. Ele é muito difícil para nós, mas fácil para eles, porque o cachorro não precisa aprender a fazer nada, na prática. Ele já fareja naturalmente. Outra curiosidade é que, como a raça tem rugas, quando abaixa a cabeça, eles não enxergam direito, o que obriga ainda mais a usar o faro para se guiar", acrescenta.

Segundo ela, no Mantrailing o cachorro atua como se fosse um lobo durante a caça. "A gente treina o cão para usar uma ferramenta que já é natural dele, que é a caça. Os Bloodhounds são cães de caça. E como são muito brincalhões, temos que fazer isso de forma divertida e que seja uma grande brincadeira para ele", conta ela.

Além de Hunter, chegou à Bahia sua irmã, Surah. A Bloodhound está em Valença, no Sul do estado, onde trabalhará com a Polícia Militar.


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