Tempo de transformação: trilhas do Agenda Bahia levam aos caminhos do pós-pandemia

agenda bahia
28.10.2021, 05:00:00
Atualizado: 28.10.2021, 19:24:32
Com mediação da jornalista e apresentadora Rosana Jatobá, programa vai ao ar no Youtube e Instagram do Correio, hoje às 18h (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

Tempo de transformação: trilhas do Agenda Bahia levam aos caminhos do pós-pandemia

Do Educar ao Criar, do Viver ao Alimentar e do Movimentar ao Sonhar, tendo o Incluir e o Ressignificar, programa debate questões de um futuro não tão distante

A pandemia mudou a nossa relação com tudo. Até mesmo com o tempo. Novos comportamentos, atitudes, contextos. No ‘tempo 21’, ano e século convergem para a ressignificação de que nada será como antes, desde as relações até mesmo a forma de consumo ou a maneira como se trabalha. Tudo muda, o tempo todo e de forma urgente, como destaca o futurista e estrategista Demetrio Teodorov: 

“O Tempo 21 é a ressignificação dos novos comportamentos. A pandemia acelerou a mudança, por isso o tema é tão atual. Mudou a nossa relação com tudo. Acelerou o nosso uso sem preconceito de drones, de inteligência artificial, do delivery. Como seres humanos, estamos cada vez mais pensando com essa cabeça da ressignificação, da continuidade, da diversidade do olhar de várias formas”. 

Teodorov é um dos entrevistados do Programa Agenda Bahia, que será exibido nesta quinta-feira (28), às 18h, no YouTube e no perfil do Instagram do CORREIO (@correio24horas). “Acredito que a gente está sendo chamado a pensar no ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa), entender como se ajusta o ecossistema como um todo para melhorar o ambiente, a parte social e a parte de governança. Ou seja, como trazer a inclusão e sobre o meu propósito de ser correto na atitude. Então, esse é o combo do tempo 21”, analisa o futurista. 

Se ninguém é mais o mesmo, não seria diferente com as pessoas, empresas ou tampouco os governos e cidades. Muda também o jeito de viver. É o que comenta a vice-presidente sênior das Américas da Conservação Internacional, Rachel Biderman, mais uma das entrevistadas da 12ª edição do Agenda Bahia: 

“Falamos muito de mobilidade a partir desse olhar da sustentabilidade. Uma mobilidade ativa, de caminhar com os próprios pés, menos carros comuns, mais veículos elétricos como carros, patinetes, além das bicicletas. Isso nos leva a pensar também sobre como vamos abastecer esses equipamentos e sobre como trazer as energias limpas para abastecer esse modelo de mobilidade”. 

Divido em trilhas, o Agenda Bahia deste ano mostra que o processo de ressignificação vai passar ainda pela inclusão, criatividade e pela educação. A fundadora da Wakanda Educação Empreendedora, Karine Oliveira, defende a presença da diversidade em tudo, principalmente, quando a pandemia de covid-19 colocou as pessoas para refletirem sobre todas as mudanças. 

“Se pensarmos no home office, por exemplo, alguns gostaram, outros odiaram. Alguns falam que a pandemia deu um empurrão que nos fez avançar 10 anos em meses. O home office funcionou muito para perceber que a produtividade não precisa estar dentro da empresa. Porém, se paramos para pensar nas mães e mulheres negras que trabalham, ele invadiu as casas e acabou promovendo mais desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho”. 
Como fazer um mundo mais inclusivo? Colocando as pessoas dentro de todos os espaços. “Para qualquer área, quanto mais a gente conseguir abrir para ter times diversos, mais soluções equitativas, mais pessoas serão ouvidas e incluídas”, acrescenta Karine. 

E Salvador tem muito mais potencial do que Turismo e Cultura, como ela complementa: “É tempo de chegarmos e mostrarmos outros temas, que somos bons também em tecnologia, economia.  Dar atenção a outras áreas que eram deixadas de lado. Não que a cidade não vai ser mais a Salvador do turismo, mas que ela seja vista e compartilhe também outros conteúdos além do que já se conhece”. 

Efeitos híbridos

Outra transformação é que nem tudo é mais tão digital ou tão presencial. O professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper, Fundação Dom Cabral, FIA e Unicamp, Marcelo Nakagawa pontua que o momento requer que se integre o melhor de cada contexto. Passamos a chamar tudo de híbrido: trabalho híbrido, educação híbrida, vida híbrida.

 “A pandemia acelerou a integração e coexistência do físico com o digital. Talvez esta tenha sido a maior transformação. Precisamos nos preparar aprendendo a aprender de forma eficaz, e na medida do possível, prazerosa. A pandemia acirrou as divisões sociais para que não tem acesso à internet e a equipamentos de bom desempenho. É fundamental que gestores públicos consolidem iniciativas de educação híbrida”. 

E por falar em contexto, a educação é uma das áreas impactadas pelo Tempo 21, que mais exigiram essa capacidade de repensar. A professora, sócia da escola afro-brasileira Maria Felipa e influenciadora digital, Bárbara Carine, acompanhou bem de perto essa conversão, quando de uma hora para outra, a escola saiu do seu ambiente físico de aprendizagem, experiência e socialização e precisou ser pensada fora de uma dimensão material. 

“E aí a pandemia colocou em cheque quem era a escola. O que é um ensino remoto, o que é um ensino híbrido, quando voltar, como voltar, por que voltar, quais as estratégias utilizadas nesse processo de retorno”, ressalta. 

As famílias precisaram abrir suas casas para essa escola entrar. Os professores, também. “Tivemos pontos negativos no sentido do desenvolvimento pautado no processo de socialização da infância e juventude e pontos positivos ao compreender que podemos encurtar distâncias”, completa Bárbara. 

Esse é, ainda, um tempo que, na verdade, estamos tentando entender. Coordenador do programa de pós-graduação da Faculdade de Arquitetura da UFBA e ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Nivaldo Andrade, é otimista: 

“Devemos aproveitar os imensos desafios colocados pelo covid-19 para construir novos paradigmas e modelos de vida, de sociedade e de cidade, para não somente fazer frente à nova realidade pós-pandêmica, mas também para equacionar velhos problemas, buscando soluções inventivas que tornem mais justos e sustentáveis”. 

Ele vê a pandemia como portal, uma passagem entre o mundo como era antes e o futuro, “No Tempo 21, é essencial ressignificar o tempo. O tempo de deslocamento, do trabalho, do que dedicamos às pessoas que amamos. O tempo que transforma ‘as velhas formas do viver’ e nos ensina o que ainda não sabemos”, sugere.

As trilhas do Agenda Bahia 2021

*Criar + Incluir + Ressignificar + Educar
A humanidade já se depara com várias questões que a pandemia trouxe e que levam a caminhos de redefinição, como destaca a professora, sócia da escola afro-brasileira Maria Felipa e influenciadora digital, Bárbara Carine. “É um universo que problematiza o que é a nossa essência”. Bárbara cita uma série dessas questões, entre elas, a lógica do tempo ‘ser dinheiro’, da centralidade das relações estar pautada na objetividade, no material e no financeiro; além do que vem a ser trabalho, as transformações na educação e até mesmo a própria valorização do sistema de saúde. “A gente vinha de um processo de depreciação do SUS, de congelamento do teto dos gastos na saúde e educação e aí nos deparamos com uma pandemia que leva à exaustão os profissionais da saúde e ciência, que estavam no front. Trouxe, talvez, uma possibilidade de tempo futuro das conexões virtuais, da valorização de uma outra forma de estar perto, da gente compreender a importância do outro. Tudo isso é ressignificar”. 

*Viver + Movimentar + Alimentar
Para a vice-presidente sênior das Américas da Conservação Internacional, Rachel Biderman,  as trilhas interligadas mostram que a transformação necessária é  sobre como os negócios vão resolver os problemas ambientais e sociais. “Novos investimentos vão precisar levar em consideração essas questões. Trazendo isso para os tempos atuais, tudo ficou mais urgente. São desafios que precisam ser resolvidos bem rápido”, comenta. Temas como sustentabilidade, inovação, questões climáticas e inclusão estarão cada vez mais presentes, como Rachel acrescenta: “Só aí, a gente consegue se preparar, efetivamente, para essa mudança”. 

*Sonhar
Com um pensamento alinhado com o futuro, o futurista e estrategista Demetrio Teodorov enxerga uma trilha colaborativa. “Esse novo jeito está centrado totalmente no humano. Para mim, o que é essencial para resignificar é o pensamento colaborativo, sem preconceito de usar novas tecnologias para amparar novos comportamentos. Não perder a chance de experimentar o novo em todas as categorias”, afirma. O momento é das competências humanas como ele Teoderov complementa: “Estamos vivendo um momento de exploração - no bom sentido - da das competências humanas. Aquela pessoa que sabe trabalhar em gestão de conflitos, que insere a diversidade, tem pensamento criativo”. 

O Legado do Agenda Bahia em 12 edições

Tendências - Desde o início, o Agenda Bahia sempre trouxe temas e discussões que olham para o futuro e discute soluções;

Mobilidade - Quando o debate sobre o tema foi iniciado no Agenda Bahia, Salvador tinha só uma linha de seis quilômetros de metrô que ainda não funcionava e os trens parados. Doze anos depois, a cidade tem um sistema de metrô eficiente e, em breve deve contar com o BRT e também o VLT. 

Requalificação – Palestras de convidados do Agenda Bahia como a do então presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e um dos criadores do Projeto Favela-Bairro, Sergio Magalhães; e a do engenheiro espanhol Manuel Herce, se tornaram realidade com as iniciativas de revitalização do Centro de Salvador. Uma das mais importantes foi a instalação do Hub Salvador e a revitalização da Praça da Inglaterra, no Comércio. 

Hackathon - Em 2017, o Fórum Agenda Bahia chegou no Centro Histórico de Salvador para discutir  e trazer soluções que transformassem o Pelourinho, com o desafio Hackathon+Salvador. A maratona de inovação de 33 horas selecionou ideias criativas para resolver os principais problemas da região. 

Turismo - Ainda em 2011 já se debatia sobre a necessidade de investimentos para que o antigo Centro de Convenções pudesse atrair mais eventos e movimentar a cadeia. Nas condições que estava, o equipamento não se sustentou e derrubou junto todo o segmento de turismo de eventos do estado. Até que a Prefeitura de Salvador construiu um novo Centro de Convenções. Salvador também ganhou outros atrativos, como a Casa do Carnaval e, mais recentemente, a Cidade da Música. 

Infraestrutura - Outro tema que sempre ganhou espaço nas edições do Agenda Bahia. Nos últimos anos o projeto viabilizou soluções como a necessidade de ampliação do aeroporto internacional de Salvador, de reconstrução da malha ferroviária do estado e os acessos aos distritos industriais. Hoje, a Fiol I, que vai ligar Ilhéus a Caetité já está com o contrato de concessão assinado para a conclusão da obra e o aeroporto, após ser entregue para a iniciativa privada passou pelas melhorias que demandava.

O Agenda Bahia 2021 acontece nesta quinta-feira, dia 28 de outubro, às 18h, pelo youtube.com/correio24h e pelo @correio24horas no Instagram. Visite o site agendabahia21 para conferir mais informações sobre o projeto. O Agenda Bahia 2021 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Unipar, parceria da Braskem, apoio da Sotero Ambiental, Tronox, Jotagê Engenharia, CF Refrigeração e AJL Locadora e apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, Sistema FIEB, Sebrae, Rede Bahia e GFM 90,1.
 

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