Titular contra o Sampaio, Ronaldo começou a carreira no ataque

e.c. vitória
22.05.2018, 05:00:00
Atualizado: 24.05.2018, 10:01:36
Ronaldo treina forte no Barradão para fazer a estreia no profissional (Maurícia da Matta/EC Vitória)

Titular contra o Sampaio, Ronaldo começou a carreira no ataque

Goleiro chegou ao Leão com 14 anos e vai ter sua primeira chance no time principal

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Não há pressão pelo resultado que atrapalhe o momento de Ronaldo na quinta-feira (24). Depois de mais de três anos treinando no profissional, o goleiro de 21 anos vai enfim disputar o seu primeiro jogo.

A partida contra o Sampaio Corrêa, pela quartas de final da Copa do Nordeste, no Barradão, será o ponto alto de uma história que começou há sete anos, quando Ronaldo passou pela peneira para a base do Leão. Detalhe: o goleiro contou com o improvável para ser aceito.

“Na verdade não estou ansioso, estou muito tranquilo, com vontade de jogar. Esperei por essa chance e os profissionais do Vitória me prepararam pra isso. Trabalhei muito, então estou confiante”, disse ao CORREIO.

Nascido em Salvador, Ronaldo cresceu em Cruz das Almas, no Recôncavo do estado. Por lá, como muitos outros garotos interioranos, jogou na Associação Atlética do Banco do Brasil – a famosa AABB – da cidade.

O detalhe é que por lá Ronaldo era centroavante. “Jogava muito pouco de goleiro, só de vez em quando, para rodar o time”, diz o garoto, hoje com 1,94 metro de altura.

Aos 14 anos, se aventurou numa seleção para o Vitória: “Fui fazer o teste como atacante, até levei o material de atacante. Mas chegando lá tinha muita gente. Sabe como é, né, todo mundo só quer ser atacante e meia”, conta.

“No meio do teste, o professor parou e me perguntou por que eu não ia pro gol, já que eu era o mais alto... Nem acho que tenha ido tão bem assim, mas eles gostaram e me aprovaram (risos)”, completa Ronaldo.

“Mas aí me disseram: ‘você só pode ficar se for para treinar como goleiro’, porque tinha muita gente melhor do que eu para o ataque (risos). Como é que não fica?”, diz.

Melhor goleiro
Deu certo. Ronaldo foi evoluindo na base rubro-negra até 2014, quando se destacou. Naquele ano, chegou à final da Copa do Brasil Sub-20, ao lado de colegas como David, Ramon e Flávio.

O Vitória acabou perdendo o bicampeonato para o Internacional, mas Ronaldo foi escolhido o melhor goleiro do torneio. Um mês depois, já no início da temporada 2015, ele foi integrado ao profissional.

Aos 18 anos, disputava posição com dois amigos: Wallace – falecido em acidente de carro no início deste ano –, que era um ano mais velho, e Caíque, um ano mais novo.

O mais velho teve a primeira oportunidade, em jogo do Baiano de 2016, contra o Feirense, quando o titular Fernando Miguel se machucou. Acabou não indo bem. No duelo seguinte, um Ba-Vi, a chance poderia ser de Ronaldo, mas Vagner Mancini optou por Caíque. O resto da história já é conhecida.

Foram, portanto, três anos de treinos e vendo os jogos do banco de reservas. “Entendi que eu tinha que esperar, respeitar a decisão dos treinadores que passaram por aqui e só trabalhar. A gente confia em Deus e trabalha forte, sabia que um dia a minha chance chegaria”, conta o goleiro.

Sem Elias, que não foi inscrito a tempo de participar da Copa do Nordeste, e Caíque, barrado pela comissão técnica, a oportunidade, enfim, sorriu para Ronaldo. E ele espera contar com toda a família para prestigiá-lo.

“Vêm de Cruz das Almas meu pai, minha mãe e meu irmão. Pedi até para trazer mais gente, fazer uma caravanazinha... Sabe como é, cidade pequena, todo mundo fica sabendo e quer vir. Só minha namorada não vem, porque tem faculdade na hora”, lamenta o garoto.

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