Todas as vítimas do naufrágio no Rio Paraguaçu têm seus corpos resgatados

minha bahia
05.07.2020, 15:41:44
Atualizado: 05.07.2020, 20:12:38
Crianças saíram de barco com um familiar e um amigo na quarta-feira (01). Buscas pelos desaparecidos duraram cinco dias (Foto: Reprodução)

Todas as vítimas do naufrágio no Rio Paraguaçu têm seus corpos resgatados

Três crianças, uma adolescente e um adulto morreram afogados após o barco virar na última quarta-feira (1); só o avô das crianças e pai da adolescente sobreviveu

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Cinco dias de angústia. Neste domingo (5) foi encerrado o trabalho de resgate dos cinco corpos das vítimas de um naufrágio no Rio Paraguaçu, na altura do município de Cabaceiras do Paraguaçu. Três crianças, uma adolescente e um adulto amigo da família morreram afogados. Só uma pessoa, pai da adolescente e avô das crianças, Paulo Roberto, de 62 anos, conseguiu sobreviver.

Anatália (14), Luiz Felipe (5), Adriele (8), Cauã (11) e mais um pescador de prenome Roque, de 58 anos, desapareceram no rio após a embarcação virar na última quarta-feira (1). Segundo informações do Corpo de Bombeiros, os primeiros chamados ocorreram por volta das 21h do dia do acidente, mas o resgate só pôde ser iniciado nas primeiras do horas do dia seguinte.

De lá para cá, a dor da perda se confundiu com a esperança de encontrar alguma das vítimas ainda viva, como contou ao CORREIO o agricultor Anderson Soares, pai de Cauã e Adriele.

“É muito triste. Perdi dois filhos e outras pessoas da minha família. Estamos todos arrasados. O que conforta o nosso coração agora é que eles estão nas mãos de Deus”, disse.

Cauã foi um dos últimos resgatados, assim como Roque, amigo da família. “Era um menino bom. Alegre, estudioso. Eu não pude nem me despedir do meu filho. Não vivia com a mãe dele”, lamentou Anderson. “A Adriele é mais uma dor que estou sentido agora. A professora dela até me ligou hoje. Minha filha era muito inteligente, uma menina feliz”, completou.

Os corpos de Adriele, Anatália e Luiz Felipe foram encontrados na manhã de sábado (4). As famílias dos desaparecidos se misturaram aos pescadores para auxiliar as equipes da Marinha do Brasil e do 13º Grupamento Marítimo de Bombeiros Militar (GMAR). A procura por sobreviventes contou com barcos, motos aquáticas, canoas e lanchas. 

O último corpo resgatado foi o do menino Cauã, de 11 anos
(Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros) 

“Cheguei na ocorrência no sábado e encerramos as buscas por volta das 18h, quando o sol já estava se pondo. Alguns ribeirinhos continuaram as buscas durante a noite e por volta da meio-noite encontraram o corpo de Roque. Quando retornamos logo pela manhã, a vítima já estava na margem do rio. Já Cauã, o corpo do garoto flutuou às 9h40 no meio do rio. Foi quando encerramos nosso trabalho de resgate”, afirmou o comandante da operação pelo Corpo de Bombeiros, capitão Albert Mascarenhas.

Dias de angústia
Bisavó das crianças e avó da adolescente, Anatália Mota Santos, de 81 anos, passou a madrugada de sexta-feira (3) rezando para que a angústia do resgate chegasse ao fim. “Foi um castigo grande morrerem quatro crianças de uma vez. Não tem um minuto que eu pare de pensar no que aconteceu. Como que vai achar mais alguém com vida? E não acharam mesmo. Estou sofrendo muito”, declarou.

O capitão Albert Mascarenhas revelou que a maior dificuldade do resgate foi a vegetação e a profundidade de 60 metros do rio.

“O acesso era muito difícil. O mergulho ficou inviável por conta da corrente, da profundidade. Era um mergulho muito difícil de fazer”, disse o capitão.

Moradores da região relataram que é comum o registro de acidentes no rio e que dificilmente há sobreviventes. “No local onde ocorreu o acidente, antes era um vilarejo que foi encoberto para a instalação de uma barragem. Normalmente, os corpos são encontrados em locais diante do ponto do naufrágio ou ficam presos embaixo das baronesas”, afirmou um dos amigos da família, Aloísio de Jesus. 

Buscas foram feitas com ajuda de barcos, botes e motos aquáticas
(Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros)

O responsável pelo resgate concordou: “Entre as características que o rio possui estão os pontos muito profundos e uma quantidade densa de vegetação”, acrescentou o capitão Mascarenhas.

Perda
Segundo a matriarca da família, Anatália Mota Santos, ainda que o desfecho tenha sido triste, finalmente o coração se acalmou. Os corpos da neta Anatália e dos bisnetos Adriele e Luiz Felipe foram sepultados. 

Graças a Deus, glória a Deus, que eles foram encontrados. Acabou esse sofrimento da gente esperar chegar quem não vai mais voltar", afirmou.

A família aguarda a liberação dos dois últimos corpos. "Estamos aguardando a liberação de Cauã e Roque para fazer o enterro, porque os corpos ainda estão em Santo Antônio de Jesus”, completou Anatália.

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