Transformação digital é ferramenta para alavancar negócios

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26.12.2020, 06:00:00
Atualizado: 26.12.2020, 16:16:53
A transformação digital estratégica exige que exista o envolvimento das lideranças (Shutterstock/reprodução)

Transformação digital é ferramenta para alavancar negócios

Conheça os segredos para garantir uma transformação digital efetiva para o seu empreendimento

A pandemia forçou os negócios do mundo físico a ingressarem no mundo digital. A transformação digital, no entanto, é um processo mais complexo que simplesmente possuir um e-commerce ou perfis em redes sociais. Os especialistas defendem que a transformação digital precisa estabelecer atuações no convencional e no universo digital ao mesmo tempo, possibilitando que o público alvo tenha opção de escolha e canais de comunicação abertos. 

O presidente da WSI Master Brasil Caio Cunha lembra que é preciso também conhecer a amplitude em que se deseja aprofundar no digital e a essência do conceito, pois preparar para o mundo digital não é um único passo. “Se não tivermos conseguido montar uma visão comum dentro de casa, a gestão fica prejudicada. As iniciativas ficam fragmentadas e os resultados são pífios. Oportunidades são perdidas, resultados mal sucedidos e vamos ter baixo desempenho”, orienta.

Caio Cunha salienta a importância de definir uma visão comum do negóciopara que os resultados sejam os desejados e as oportunidades sejam aproveitadas (Foto: Divulgação)

Caio reforça que para o sucesso, os processos de negócios devem ser revistos e adaptados, contemplando sempre a nova jornada de compras do seu público-alvo, seus futuros clientes. “Áreas como vendas, marketing e tecnologia não podem ser mais segmentadas. Serão todas parte de um único motor. Esse motor vai funcionar com o cliente no centro e as funções de marketing, vendas e serviços, amparados por novas tecnologias e processos digitais, circundando seu cliente”, explica, salientando que a comunicação interna precisa ser bem elaborada, com engajamento entre as áreas envolvidas, e uma reputação forte inovadora vinda de cima. 

Processos e fluxos

As diretoras da Jahe Marketing Thaís Faccin e Satye Inatomi concordam que para aderir a transformação digital, é importante definir prioridades e responder por que se deseja efetuar essa transformação digital? “Muito mais do que uma mudança para atender modismos, acreditamos que a principal carta na manga é a noção de atuar atendendo ao princípio do omnichannel, ou seja, trabalhar com mente no digital e no convencional, estabelecendo comunicação no canal que o consumidor desejar”, completa Thaís Faccin. 

Satye Inatomi reforça de que isso não é apenas uma conversa de marketing, mas de adaptação de todos os processos de uma companhia. “Esse consumidor, do qual estamos falando, pode ser um cliente interno. Dessa forma, os líderes podem encontrar novas maneiras de atingir metas, e novos aliados para impulsionar áreas que, muitas vezes, estavam abandonadas”, ensina, lembrando que não é preciso abraçar todas as plataformas de uma vez só. 

“O que existem são pessoas, produtos e serviços, e companhias e profissionais que podem oferecê-los. Uma boa linha de comunicação entre esses agentes é fundamental para uma jornada bem-sucedida”, reforça.

Maior eficiência

O diretor da empresa CRIATIVOS Rodrigo Almeida defende que a transformação digital organizacional significa utilizar/inserir ferramentas tecnológicas na empresa, com o objetivo de aumentar a eficiência dos processos, agilizar os fluxos internos, reduzir custos ou promover inovações e melhorias nos produtos/processos. 

“Para que a transformação digital de um negócio ocorra de forma fluida e estratégica, é preciso que exista o envolvimento das lideranças e suas replicações com toda equipe; integre setores e atividades através de ferramentas tecnológicas, promovendo proximidade e transparência; automatize os processos organizacionais; estimule a participação e o envolvimento de toda a empresa, garantindo assim maior aceitação às mudanças de processos e fluxos”, afirma.

Almeida diz que o principal ganho para micro e pequenas empresas que aderem à transformação digital está na ampliação do controle, redução de prejuízos e consequente aumento de resultados. “Entender o cenário, adaptar os mecanismos ao cenário contemporâneo, promover diálogos contínuos com os colaboradores e apostar na transparência são essenciais também para micro empresas”, pontua o representante da CRIATIVOS.

Rodrigo Almeida ressalta a importância de envolver toda a equipe para garantir que a transformação digital aconteça de modo efetivo (Foto: Divulgação)

Almeida diz que no processo de transformação de digital não adianta impor uma mudança sem envolver a equipe no processo. “O empresário precisa ouvir a equipe, identificar os gargalos, participar as decisões para o maior número de colaboradores no processo de transformação/implantação e monitore todas as etapas, estimulando um canal aberto de escuta e adaptações ao longo do processo”, finaliza.

Avalie:
o    O “modelo de negócio” é viável nesse mundo digital ou precisa ser mudado? 
o    Os produtos e serviços serão competitivos nesta nova realidade?
o    A forma atual de interação com clientes deve mudar?
o    Os concorrentes no digital são os mesmos? 
o    A empresa tem colaboradores com a competência digital necessária?
o    A cadeia produtiva de distribuição e fornecedores está preparada?
o    Há uma alocação de investimento ao digital corretamente? Ou se deve realocar mais investimentos do offline para o online? 


Diagnóstico feito, realize:


1.    Desenvolva um plano digital alinhado aos objetivos de negócio / clientes da empresa;
2.    A consciência digital é importante principalmente nas áreas de Vendas, Reputação e Comunicação. Essas áreas devem ter orientação para trabalhar as iniciativas digitais alinhadas com a gestão do relacionamento com os clientes. 
3.    Crie uma unidade nas áreas de Operações, Marketing, Direção de Departamentos, Direção Geral e Conselhos das empresas para assegurar uma única voz. 
4.    Quando as iniciativas digitais estiverem em andamento, a medição dos resultados e monitoração frequentes são chave.


Para transformar a empresa de ponta a ponta.  

Saiba identificar a cultura da sua empresa.
A cultura é como a personalidade de uma companhia. “É a identidade, é como a companhia é vista, como as coisas são feitas e, o mais importante, porque são feitas. Para o mercado, cultura é o que a organização como entidade comunica para seus membros, funcionários, clientes e público em geral”, explica Barsi. “Ela pode se manifestar de várias maneiras, por meio de mensagens diretas e claras, simbolicamente ou por meio de produtos ou traços comportamentais sutis.”

Invista em uma cultura forte!
Para o executivo, muitas empresas se colocam em plataformas digitais, mas não atualizam seus processos internos, ou seja, sua cultura. “Seja dentro o que você está mostrando para fora. Além de atrair bons profissionais, uma empresa com uma cultura saudável gera uma organização mais horizontal, reduz a burocracia e elimina crenças limitantes, baseadas em comportamentos passados que não são mais adequados para o momento.”

Defina onde você quer chegar.
Antes de qualquer coisa, é fundamental que a empresa saiba qual é a sua meta, como se imagina no futuro, de forma clara e prática. “Sem um objetivo, pode-se ir pra qualquer lugar, mas isso é como depender da sorte”, afirma o CEO da Verity. 

Identifique onde estão os seus gaps.
De forma qualitativa e quantitativa, avalie entre seus stakeholders questões como processos de trabalho, relacionamento interpessoal, engajamento dos colaboradores e, principalmente, como essas pessoas veem a identidade e cultura da empresa. A partir disso, avalie onde estão as falhas. 

Escolha uma metodologia.
Pela experiência de Barsi, o mais indicado é o uso de métodos ágeis (Agile), com a participação das equipes de Tecnologia da Informação (TI). Scrum e suas variações são as metodologias Agile mais comuns usadas pelas organizações. “Em organizações ágeis, cada equipe é vista como um negócio em si. Ao dar às equipes e aos funcionários mais liberdade para tomar suas próprias decisões e definir suas prioridades, eles ficam mais voltados para o empreendedorismo e responsáveis por suas ações. Eles se concentram no desempenho e nos resultados, em vez do presenteísmo.”

Meça os resultados.
Defina seus indicadores de performance e resultados, que podem incluir dados como vendas, lucratividade, sugestões e reclamações do cliente ou do funcionário. Faça uma medição periódica para identificar as melhorias. Ver na prática isso ajuda no planejamento estratégico da empresa. 

(Fonte: Alexandro Barsi)

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