Turismo na maturidade: Idosos dão a volta ao mundo por conta própria; veja destinos

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28.11.2021, 11:00:00
Maria Rita Miranda já viajou por sete países (Acervo Pessoal)

Turismo na maturidade: Idosos dão a volta ao mundo por conta própria; veja destinos

Conheça as histórias de gente acima dos 60 anos que viaja sem a família e já conheceu vários lugares interessantes no Brasil e exterior

A técnica de enfermagem aposentada, Maria Rita Miranda, 73 anos, já rodou os quatro cantos do mundo. Na Grécia, passeou de balão; na Índia, montou em um elefante. Visitou também África do Sul, Japão, China, Dubai e Egito. Tudo isso sozinha – sem parentes, paquera, filha ou neto. “Andar de balão sempre foi minha maior vontade. Não vou me esquecer nunca. Viajar para mim é meu presente de aniversário. E eu mesma me presenteio. Todo ano, eu escolho um lugar, me planejo, pago tudo direitinho e vou. Se eu posso andar, morar sozinha e resolver minhas coisas, posso viajar sozinha também”.

Depois de mais de um ano sem entrar em um avião por conta da pandemia, Maria Rita está novamente com passagem marcada, dessa vez para São Paulo, onde mora a filha adotiva, o neto e as irmãs que ela não vê desde 2018. A decisão de viajar só veio após a terceira dose da vacina. Companheiros de viagem, só mesmo o álcool em gel e a máscara. 

“Vou dia 23 de dezembro para passar o Natal e o Ano Novo e volto no final de janeiro. A última vez que fui, foi para a formatura de uma sobrinha. Tive muito medo do coronavírus. Como eu trabalhei em hospital e UTI, via o que estava acontecendo e só pensava: ‘vivo aqui sozinha e se essa doença me pega? Tenho o maior cuidado até hoje. Ainda mais que a covid é uma doença que gosta de quem é velho, hipertenso e diabético. E eu sou as três coisas”.

Aos poucos, idosos como Maria Rita voltam a arrumar as malas para viajar. Depois de passar 2020 com zero procura por pacotes, agências como a Interativa Viagens, em Salvador, começam a perceber esse movimento de retomada e estimam um crescimento de 30%, aquecido pelas festas de fim de ano e esquema vacinal completo. É o que pontua a gerontológa e sócia gerente da Interativa, Eva Pellegrino.

“Temos mais de 20 anos de experiência trabalhando com pacotes para a faixa etária dos 60+. Esse idosos viajam na maioria, sozinhos. Muito raro viajar com neto ou com filho. É um público muito receoso e cauteloso. Os mais idosos sempre procuram viajar com uma agência para contar com esse trabalho de acompanhamento”.

De março para cá, a agência já fez excursões para o Rio de Janeiro, Curitiba com Foz do Iguaçu, Santa Catarina com Camboriú, Florianópolis e mais o Circuito das Águas com São Lourenço, São Paulo e Minas. Em dezembro, a Interativa vai levar grupos para o Rio Grande do Sul no pacote Natal Luz, com Gramado e Canela e depois, o Réveillon em Aracaju ou Colômbia com Cartagena. “Na verdade, já temos programação até o Carnaval, com viagem para o Equador com Ilhas Galápagos”, destaca Eva.

Quem também já retomou as viagens foi a professora aposentada Hildete Marinho, 83. Só esse ano, já foram seis. “Sou viúva e viajo sozinha porque meus familiares não dispõem de tempo para me acompanhar. Fiz durante a pandemia algumas viagens dentro do Brasil, obedecendo os protocolos exigidos e não me arrependo. Ficar em casa trouxe muitos problemas para o idoso que se viu isolado e muitas vezes causando depressão e tristeza”.

Nos últimos meses, Hildete passou por Campos do Jordão, em São Paulo e Conservatória, no Rio de Janeiro. Aqui na Bahia mesmo, tirou uns dias para curtir Morro de São Paulo e o resort Gran Palladium, em Imbassaí. “Cada viagem é um marco diferente. Nós, idosos, temos que desfrutar das alegrias e aproveitar o que a vida ainda nos oferece”, afirma a aposentada, que tem roteiros definidos até o meio do ano que vem. “Se a pandemia deixar, quero ir à Espanha no Réveillon, ao Equador no Carnaval, Terra Santa em junho e um cruzeiro fluvial na Rússia, em agosto. Estou pedindo a Deus para que eu possa realizar estas viagens”, completa.

Com 20 cruzeiros no ‘currículo’, a aposentada Noélia Souza, 86, é mais uma que está se planejando para registrar mais momentos felizes das viagens que faz. “A pandemia fez com que eu cancelasse várias viagens, mas estou pronta para voltar. Amo viajar de navio. Sempre gostei de conhecer pessoas, costumes, lugares, e digo sempre, viajar é onde você gasta e volta mais rico: de saúde, conhecimentos, amizades e mais saudável”.

Viajar sozinho dá ao idoso um sentimento de independência e autonomia, como comenta o médico psiquiatra especialista em geriatria, Lucas Alves. “Contribui para formar novos vínculos sociais, amizades nas excursões. Para alguns idosos esses vínculos tendem a diminuir com a idade. A possibilidade de sentir-se útil, somar as experiências para crescimento pessoal. Uma viagem significa diversificação das ações e sair da monotonia”, enumera o especialista.

A psicóloga, professora do UniRuy Wyden e doutora em saúde coletiva, Camila Bonfin, concorda: “O idoso de hoje está longe de ser um momento de recolhimento aos aposentos, como ocorria anteriormente e pode vivenciar a velhice de forma bastante diversa. Ao escolher viajar sozinho, escolhe os percursos a serem seguidos, toma decisões sobre os locais que quer conhecer e isso favorece ainda mais funções cognitivas que precisam continuar a ser estimuladas nesta fase da vida”.  

Faz bem 

E por falar em saúde e qualidade de vida, os benefícios se estendem ainda à condição física. Quem explica é o médico clínico e professor do curso de Medicina da Unesulbahia (Rede UniFTC), Carlos Sarquis. É muito comum neste período a presença de doenças crônicas, como a hipertensão, as cardiopatias e o diabetes.

“Uma das características dessas doenças é a piora do quadro quando o indivíduo é exposto a estresse. Hormônios como o cortisol e adrenalina são liberados nessas situações. Atividades prazerosas como viajar, conhecer novos lugares, outras pessoas, diferentes culturas são um santo remédio”.   

Sim, uma boa viagem é também alternativa eficiente no controle de doenças crônicas do corpo e não só da mente. “Há um aumento da serotonina, melhora do humor, e isso acarreta sim melhores níveis de cortisol e adrenalina. E a melhor parte: sem acrescentar nenhum medicamento a mais para isso”, ressalta Sarquis.

Além de estar com o cartão de vacina em dia, em tempos de covid-19 o mais recomendado antes de viajar é evitar aglomerações, locais fechados com circulação de ar insuficiente, mantendo um distanciamento mínimo por segurança. “Uso de máscara sempre. Ela permanece como uma barreira para a transmissão dos aerossóis contendo o vírus. A higienização das mãos com sabão ou álcool em gel permanecem na lista de cuidados”, reforça o médico.  
 
Alguns destinos para os 60+ 

1.Gramado, Canela e um circuito pelo Rio Grande do Sul - Natal Luz de Gramado chama atenção pela beleza das hortênsias e pelos espetáculos de Natal.  
2. Campos do Jordão - A cidade surpreende pelo clima e beleza do local também. Não por um acaso é conhecida como a ‘Suíça brasileira’.  
3. Espírito Santo com as serras capixabas - É um dos pacotes mais procurados por esse público por conta da gastronomia, praias e pelo clima das serras.  
4. Colômbia com Bogotá e Cartagena das Índias - O passeio até a Catedral de Sal em uma galeria subterrânea a 180 m de profundidade com iluminação colorida faz parte do roteiro, que conta ainda com a subida de bondinho até o Serro Monserrate.  
5. Portugal - A língua, a opção de voo direto e a gastronomia são os principais atrativos.   

*Pacotes nacionais com nove dias custam, em média, R$ 4 mil. Quatro noites, R$ 3 mil. Já viagens internacionais com 12 noites saem, em média, por 5 mil dólares (R$ 27,9 mil).  

Fonte: Agência Interativa 
 
Cuidados na hora de viajar 

Álcool em gel na bagagem de mão 
A Agência Nacional de Aviação (Anac) limitou a quantidade de 500 ml por artigo nos voos domésticos. O mesmo vale para o álcool líquido. Para voos internacionais, o álcool em gel deve ser levado em frascos transparentes com capacidade de até 100 ml cada.  

Uso de máscaras 
Ainda de acordo com as orientações da Anac, é permitido o uso de máscaras cirúrgicas, profissionais do tipo N95, PFF2, FFP2 e as caseiras, confeccionadas em tecidos como algodão e tricoline, desde que possuam mais de uma camada de proteção e ajuste adequado ao rosto cobrindo o nariz e a boca, sem aberturas. É proibido o uso de bandanas, lenços e protetores faciais do tipo “face shield” usados sem máscara por baixo. 

Na hora de escolher o roteiro  
Prefira locais com maior possibilidade de acesso a atividades ao ar livre e fuja dos destinos com maior aglomeração. 

Hospedagem 
Ao contratar o serviço se certifique sobre quais as medidas de segurança e os protocolos que estão sendo adotados pelo local.  

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