Ufba tem espaço para oferecer até 150 mil vagas presenciais em 2022, aponta estudo

bahia
30.11.2021, 06:00:00
Enquanto aulas presenciais não retornam, Ufba está deserta (Arisson Marinho/CORREIO)

Ufba tem espaço para oferecer até 150 mil vagas presenciais em 2022, aponta estudo

Outras universidades públicas também estão se organizando para retornar aulas presenciais em 2022

Após dois anos sem aulas presenciais por causa da pandemia de Covid-19, a Universidade Federal da Bahia (Ufba) deve retornar ao modelo tradicional de ensino em março de 2022. Para isso, a instituição vai contar com um espaço físico capaz de oferecer até 150 mil vagas em disciplinas considerando salas, auditórios e laboratórios de informática adequados a parâmetros seguros de distanciamento entre as pessoas. 

O número é o resultado do levantamento realizado pela Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai) da Ufba e não significa que a instituição terá 150 mil alunos, pois cada estudante pode se matricular em mais de uma disciplina. Como a Ufba tem cerca de 50 mil alunos de graduação e pós-graduação, isso significa uma média de três disciplinas presenciais por estudante.  

O levantamento da Sumai levou em consideração a ocupação em até três turnos dos espaços que tem estrutura adequada para a oferta de aluas. Espaços sem condições adequadas de ventilação natural foram descartados e não entraram no cálculo da capacidade de vagas. No total, a previsão é que toda a Ufba consiga ofertar 9.831 lugares simultâneos para aulas em salas, auditórios e laboratórios de informática, o que é 45,7% da capacidade habitual (pré-pandemia).  

Por a instituição não considerar no estudo os espaços mal ventilados, somente 48,3% do total habitual das vagas em salas de aula da universidade serão ofertadas. Já auditórios e laboratórios de informática, por serem espaços com menor possibilidade de ventilação natural, terão sua ocupação ainda mais reduzida, a 31,9% do total de vagas habitual, no caso dos auditórios, e a 38,4%, no caso dos laboratórios. 

“Nós estamos neste momento realizando o planejamento acadêmico para o semestre de 2022.1 e é preciso que a comunidade da Ufba saiba quais são os espaços que poderemos ter acesso para realizar as atividades presenciais. É saber quais salas estarão adequadas para ser garantido um ensino de qualidade. A quantidade de vagas que poderão ser ofertadas é uma informação estratégica para quem faz o planejamento”, explica a superintendente de Administração Acadêmica, Nancy Vieira.  

Em 2019.1, o último “primeiro semestre” vivido pela Ufba antes da pandemia, foram oferecidas mais de 190 mil vagas, mas só 154 mil foram preenchidas. Isso evidencia, para Vieira, que existem condições para uma retomada segura de grande parte das atividades acadêmicas presenciais na Universidade. “A nossa demanda deve ser atendida nesse semestre nas condições sanitárias que precisamos impor”, relata.  

Campus principal da Ufba é localizado no bairro de Ondina (Foto: Arisson Marinho/CORREIO

Outras instituições 
Assim como a Ufba, outras universidades federais também estão se organizando para retornar as aulas presenciais em 2022. No Instituto Federal da Bahia (Ifba), de acordo com Jancarlos Lapa, pró-reitor de ensino, algumas aulas, como as de laboratório, já estão sendo realizadas presencialmente. “Nosso plano de retomada tem quatro fases e a quarta considera um cenário que não haja pandemia. Nas condições atuais, a previsão de retorno pleno é a partir de fevereiro de 2022”, diz.  

No entanto, o professor destaca que isso vai depender do cenário epidemiológico da pandemia nos 22 campi onde o Ifba está espalhado na Bahia. O Instituto Federal Baiano (Ifbaiano) também estabeleceu um plano de retomada similar ao do Ifba, dividido em quatro fases e dando mais autonomia para as decisões dos diretores de cada unidade.  

Já a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) quer voltar as aulas 100% presenciais no dia 21 de fevereiro de 2022 com o início do próximo semestre. O Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e o Comitê gestor da Covid na Uefs vão avaliar se a instituição terá estrutura para receber todos os alunos durante um cenário ainda pandêmico. A Universidade Estadual Do Sudoeste Da Bahia (Uesb) pretende retornar presencialmente no dia 2 de fevereiro. 

A Universidade Estadual De Santa Cruz (Uesc) já está realizando atividades presenciais para a pós-graduação. A meta é que a graduação fique 100% presencial em 2022. Já a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) afirmou que o conselho universitário ainda está trabalhando no Plano de retorno gradual das atividades presenciais.

As universidades federais do Oeste Baiano (Ufob), do Sul da Bahia (UFSB) e do Vale do São Francisco (Univasf) ainda avaliam se vão retornar presencialmente em 2022. A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) não respondeu até o fechamento do texto.  

Comunidade acadêmica da Ufba quer retorno presencial 
Estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, Arlindo Pereira, 27 anos, faz parte da comissão gestora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e é conselheiro universitário. Ele explicou que o movimento estudantil é a favor do retorno das aulas presenciais. “Há uma exaustão do modelo remoto e muitas atividades não dão para ser transpostas para o virtual. Então, a gente compreende a necessidade do retorno presencial”, explica.  

No entanto, Arlindo pede que a volta às aulas seja a mais inclusiva possível. “Temos estudantes que, na pandemia, entraram no perfil para ser atendido pela assistência estudantil. Teremos que garantir um cuidado redobrado para acolher esses colegas. A universidade tem sido atacada de diferentes maneiras, o que tem sido intensificado. Retornar as atividades presenciais é fazer com que a Ufba esteja mais pulsante”, argumenta.  

Já o professor Marcos Vasconcelos, do Instituto de Geociências, reclama que o ensino foi prejudicado na forma remota e que isso tem atrapalhado seu trabalho. “Grande parte da população já está vacinada. Então, tem segurança sanitária para um retorno. Quando vamos na rua, vemos barzinhos funcionando, pessoas indo trabalhar, a vida voltando a um certo normal e, ao meu ver, não tem justificativa de manter a universidade fechada. Como cogitar ter Carnaval e não abrir a Ufba?”, questiona.   

O estudante Icaro Jorge, 24 anos, concilia na Ufba a graduação em Direito e o mestrado em Estudos Interdisciplinares sobre Universidades. Ele sabe bem o que é precisar das aulas presenciais. “A universidade não parou durante a pandemia, mas é preciso avançar. O que tenho visto e observado é que há uma maioria a favor do retorno desde que seja garantida segurança: ventilação, higiene, acessibilidade e cumprimento dos protocolos”, pede. 

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