'Vai muito além de tecidos', diz Madá, da Negrif, marca do Afro Fashion Day

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07.10.2020, 22:04:00
Atualizado: 07.10.2020, 22:12:52
(Reprodução/Instagram)

'Vai muito além de tecidos', diz Madá, da Negrif, marca do Afro Fashion Day

De sacoleia a designer: Madalena Silva foi a convidada de Flávia Paixão nesta quarta e falou como identidade e respeito constroem sucesso

Desde menina, ela precisou aprender a vestir seu próprio corpo, afinal, roupas para pessoas mais altas que os tipos médios são difíceis de achar. A necessidade de se manter e o interesse que as pessoas demonstravam pelas peças que ela desenhava e vestia fizeram com que Madalena Silva aprendesse a cuidar de si e dos outros.

Madalena Silva tem uma trajetória profissional pautada no cuidado consigo e com os outros, sejam colaboradores, parceiros ou clientes
Madalena Silva tem uma trajetória profissional pautada no cuidado consigo e com os outros, sejam colaboradores, parceiros ou clientes (Arquivo Pessoal)

Na manhã dessa quarta-feira (7), enquanto se preparava para participar da live Empregos e Soluções, do Jornal Correio, no Instagram (veja completa abaixo), ela mais uma vez se deu conta que a Negrif não é apenas uma marca de roupa, é a forma encontrada para cuidar dos outros.

“Uma cliente ligou perguntou se nós tínhamos tamanho 60, pois ela queria que alguém que pudesse vestir um corpo negro e gordo. Aquilo foi um pedido de socorro e, imediatamente, comecei a perceber que precisamos ter uma padronagem maior para vestir pessoas com dignidade, autoestima, beleza e identidade”, disse a design e empresária. 

Madalena Silva, ou simplesmente Madá, foi a convidada de Flávia Paixão nessa quarta-feira, no encontro das 18 horas. A empresária contou ainda que no dia 27 de julho, quando desceu as escadas que dão acesso à loja que mantém há nove anos, na  Avenida Carlos Gomes, depois de amargar quatro meses de portas fechadas, estava emocionada. “Uma mistura de alegria, temor do futuro, mas com muita esperança nesse recomeço. Percebi que tenho uma marca forte, que vai muito além de cortes, formatos e tecidos”, relatou.

A conversa entre Flávia Paixão e Madalena Silva renderam boas risadas, mas sem esquecer lições de vida importantes para quem está iniciando
(Foto: Reprodução)

Todo esse cuidado explicitado nas roupas e na forma de atender as pessoas teve retribuição e a live contou com as presenças de clientes e amigos que disseram ser um time: os fãs de Madá! Nem mesmo as dificuldades de conexão fizeram esse fã clube desistir de acompanhar. Ela relembrou as dificuldades do início, a gana de recomeçar sempre que foi preciso e falou com humildade que está para aprender sempre, inclusive, nas situações em que tem resistência.

“Quando saímos no programa Pequenas Empresas, Grandes Negócios, meu WhatsApp bombou com solicitações de todo o Brasil. Eu sempre fui tão reticente para essas plataformas digitais e me vi vendendo assim”, relatou, prometendo que o próximo passo será a loja virtual. 

Se o cuidado foi a mola propulsora do trabalho da empresária, desde que era uma sacoleira que saía com suas criações de forma amadora, com peças sem etiquetas, sem ter uma máquina de cartão de crédito e anotando as compras num caderninho, foi ele também que mostrou a necessidade de profissionalizar o trabalho e cuidar das demandas dos clientes e da equipe que, à partir do momento que a loja virou uma realidade, passou a contar com o sucesso da marca para se sustentar e manter suas famílias.

 “No início, eu brincava de produzir roupa. Depois vi o desafio que era não ter dinheiro para comprar tecido e precisar comprar, produzir e vender para dar continuidade àquele negócio”, contou entre divertida e emocionada. Para ela, a grande lição para qualquer empreendedor está em acreditar em si, na sua essência e transmitir isso para o seu negócio, qualquer que seja ele. 

O cuidado de Madá não se resume à equipe ou os clientes. É estendido para os parceiros e ela falou com carinho da parceria com o próprio CORREIO, através da realização do Afro Fashion Day, que ajudou a dar visibilidade a inúmeros empreendedores locais e outros profissionais que estão ligados ao universo da moda. “Lembro tanto de Carine Guimarães, por exemplo, modelo que tem vitiligo, fez fotos para a Negrif, participou do Afro Fashion Day e ganhou o mundo. Por isso, acho que estamos para ampliar esse cuidado e, acredito que está ai, o segredo dessa marca”, finalizou. 

Se você perdeu, ainda há chance de recuperar essa e outras histórias de empreendedores de Salvador em diversos segmentos. As lives Empregos e Soluções ocorrem todas as quartas-feiras, às 18 horas, no perfil do Jornal Correio, no Instagram.

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