Veja como foi o dia de primeiro turno das eleições na Bahia

salvador
07.10.2018, 07:00:00
Atualizado: 07.10.2018, 20:15:27
(Foto: Samuel Freitas/CORREIO)

Veja como foi o dia de primeiro turno das eleições na Bahia

Confusão, filas, falha na biometria, desorganização, boca de urna... Confira o que aconteceu nas ruas do estado

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Cerca de 10 milhões de baianos foram às urnas neste domingo (7) votar e escolher quem serão os candidatos que ocuparão os cargos na presidência, no governo, no senado e na câmara e na assembleia. Acompanhe abaixo a cobertura do CORREIO do dia de votação em Salvador, região metropolitana e interior do estado.

***

CANELA: FILA GRANDE

A administradora Thainá Guimarães, 22 anos, não conseguiu votar por causa da fila no PAC, na UFBA. "Vim acompanhar meu marido. Chegamos 13h30 e ele só conseguiu votar às 17h. A gente se casou e estava em Itacimirim, no Litoral Norte, voltamos só pra votar. Não votei, viemos juntos no mesmo carro e aqui demorou muito. Minha seção fica lá no Cabula. Terei que justificar", lamenta.

(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

No mesmo local, a cuidadora de idosos Rita de Cássia Bastos, 51, ficou 4h30 na fila da sala que juntou as seções 110, 111, 112, 113, 114 e 115. "Ví gente desistir por causa da fila. Acho falta de organização do TRE. Eles juntaram várias seções numa só sala, foi um massacre com o eleitor. Ví muita gente sentando no chão. Eu também já sentei e pensei até em desisitir de votar. É muito desrespeito com a gente".

(Foto: Evandro Veiga)

Situação é semelhante no Rio Vermelho. "A eleição deste ano é muito complicada e cada voto faz a diferença", diz a pedagoga Caroline Nepomuceno da Silva, 29. Ela mora em Itapuã, mas fez questão de comparecer à Faculdade Ruy Barbosa, no Rio Vermelho, e esperou mais de 1h30 para votar: "Na última eleição, minha seção ficava na Faculdade Baiana de Direito, em Amaralina. Mas mudou para cá e não fui informada. Descobri por acaso, num link de uma reportagem que mandaram no Whatsapp e fui conferir por curiosidade. Percebi que muita gente que votava na Baiana veio pra cá, então juntou todo mundo e ficou essa loucura, esse caos. Ví várias pessoas desistindo por causa da demora deste ano, inclusive parentes meus. Eu fiquei e vou ficar até o último minuto. Estou aqui para marcar minha posição". 

Espera para votar chega a duas horas na Faculdade Ruy Barbosa, no Rio Vermelho
(Foto: Evandro Veiga)

***

BALANÇO: POLÍCIA REGISTRA 16 CRIMES ELEITORAIS NO ESTADOS

Trinta e nove pessoas foram conduzidas às Delegacias Territoriais no estado por desrespeito a alguma lei eleitoral neste domingo (7) de votação. Entre os principais registros estão a realização de boca de urna, propaganda irregular e transporte ilegal de eleitores. No total, 16 ocorrências foram contabilizadas, todas no interior do estado. Entre os municípios que tiveram conduzidos estão Ubaitaba, Campo Formoso, Gandu, Canavieiras, Seabra, Teixeira de Freitas, Coronel João Sá, Filadélfia, Milagres, Lençóis, Acajutiba, Brumado, Itaberaba e Irecê. 

***

SALVADOR: ELEITORES ESPERAM PARA VOTAR DENTRO DAS ZONAS ELEITORAIS

O relógio local já passa das 17h em Salvador, mas quem já entrou na zona pode votar. No Iceia (Instituto Central de Educação Isaías Alves Geral), que fica no Barbalho, eleitores aguardam para entrar em suas secções. Quer ver como os eleitores esperam na fila em Salvador? Assista no vídeo abaixo.

***

BARBALHO: FILAS IMENSAS FALTANDO POUCO PARA O FIM DA VOTAÇÃO

Faltando 15 minutos para às 17h, horário de encerramento da votação, longas filas estavam formadas dentro do Colégio Iceia, no Barbalho. O artista plástico Matias Florentino, 43 anos, já esperava a uma hora e meia. “A biometria é importante, mas deveriam ter mais urnas, mais mesários para agilizar o processo”, declara.

Apesar dos transtornos, o artista plástico disse que enfrentaria a mesma fila, caso o voto não fosse obrigatório. “Faço questão de exercer meu direito de cidadão e buscar uma melhora para nosso País”, completa
(Foto: Rodrigo Meneses)

***

CONQUISTA: MESÁRIOS SÃO TROCADOS POR DEIXAR FRASE SOBRE BOLSONARO

Uma seção eleitoral do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Vitória da Conquista, sudoeste do estado, foi dissolvida neste domingo (7) devido a propaganda eleitoral irregular. De acordo com o Ministério Publico Eleitoral, o quadro da sala de aula onde a seção estava instalada continha frases negativas direcionadas ao candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL), sem citar o nome do candidato, mas com "#elenão" no final. "Os mesários que estavam na seção deveriam ter apagado essa frases, mas ao invés disso continuaram a votação. Sabendo do fato, acionei a Polícia Federal. Eles foram ouvidos e liberados, depois substituídos", disse o promotor eleitoral Beneval Mutim.

Foto: Mário Bittencourt/CORREIO

***

OBRIGAÇÃO DA CIDADANIA

A enfermeira aposentada Dalva Oliveira René, 96, foi às urnas neste domingo (7) em Vitória da Conquista, cidade da região Sudoeste que possui o terceiro maior colégio eleitoral do estado, com 221.849 eleitores, para, segundo ela, cumprir uma “obrigação do exercício da cidadania”. Ela está entre as 16.199 pessoas com idade entre 95 e 99 anos aptas a votar na Bahia, segundo informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA). 

Pelas regras das eleições, o voto é facultativo para pessoas com 70 anos ou mais e para quem tem entre 16 e 17 anos. “Nunca deixei de comparecer a uma votação”, afirmou ela
(Foto: Foto: Mário Bittencourt)

***

VILA LAURA: FILAS CONTINUAM DO LADO DE FORA

No Colégio Mediterrâneo, na Vila Laura, pessoas continuam do lado de fora faltando 30 minutos para o fim da votação. Lá, são apenas oito seções, mas está super lotado. As filas continuam nos corredores apertados.

***

PITUBA: MOVIMENTO TRANQUILO PELA TARDE

Uma torção no pé não atrapalhou a enfermeira Lívia Prates, 31 anos, de exercer seu direito ao voto. “Estou aqui suando, mas não poderia deixar de exercer minha cidadania”, disse a enfermeira, que votou na escola de línguas Acbeu, na Pituba. O local registrou muita demora pela manhã, mas durante a tarde a votação seguia com tranquilidade.

(Foto: Rodrigo Meneses)

***

CANAVIERAS: CANDIDATO É PRESO POR FAZER BOCA DE URNA

O candidato a deputado estadual Justino Santana de Mello (PHS) foi detido, na manhã deste domingo (7), realizando boca de urna em frente à zona eleitoral do Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, município de Canavierias. Preso em flagrante cometendo crime eleitoral, ele foi conduzido por policiais militares à Delegacia Territorial do município, onde presta esclarecimentos.

Outro caso
Já na cidade de Coronel João Sá, o ex-prefeito José Romoaldo Costa foi levado à Delegacia Territorial da cidade, juntamente com outras doze pessoas, pelo juiz eleitoral André Andrade Vieira, com o auxílio de policiais da 20º Batalhão da PM (Paulo Afonso) e da Delegacia Territorial do município.

Ex-prefeito de Coronel João Sá foi detido realizando crime eleitoral em frente à colégio
(Foto: Divulgação/SSP-BA)

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a casa do ex-prefeito funcionava de forma irregular como comitê eleitoral, de onde saía material de campanha.

***

METENDO DANÇA PARA ATRAIR CLIENTES

Nem a chuva que caiu em Salvador conseguiu desanimar o vendedor Yago Santos, 25 anos. Ele foi um dos baianos que aproveitam as eleições para faturar grana extra. No gogó, ele tentava convencer os clientes a comprarem água, cerveja e cigarro em frente à Universidade Católica de Salvador, um dos colégios eleitorais mais movimentados da capital baiana.

"Tô metendo dança e estimulando as pessoas. As vendas estão ótimas pra mim. É uma questão de saber vender", afirmou o comerciante.

Foto: Daniela Leone/CORREIO

***

CHUVA ESPANTOU CLIENTES DA ÁGUA DE COCO

Foto: Daniela Leone/CORREIO

Seu Genilson Silva, 58 anos, não contava com a chuva que caiu em Salvador nesse domingo de eleições. Ele costuma vender 50 cocos por dia em frente ao Colégio Vieira, no Garcia. Na expectativa de lucrar um pouco mais com a movimentação no colégio eleitoral, colocou 120 unidades no isopor, mas, até o início da tarde, só havia vendido 30.

"A chuva atrapalhou muito. Era pra estar um sol torrando, porque aí não ia dar coco pra quem quisesse. A gente faz um plano e Deus outro, mas como ainda tem a tarde, estou otimista que o sol saia", afirmou seu Genilson.

***

O candidato ao governo da Bahia pelo MDB, João Santana, votou hoje pela manhã na Escolinha Saci, do município de Irará. Acompanhado de correligionários, o presidente estadual da sigla fez uma avaliação da campanha.  "Como tudo que cerca a minha vida e a minha trajetória, fiz minha campanha de maneira limpa, honesta e apresentando as minhas ideias e propostas para tirar a Bahia do atraso. Procurei mostrar que, há 30 anos, a Bahia é a mesma porque os políticos que estão aí são sempre os mesmos. Agora é hora de aguardar o resultado com tranquilidade, pois tenho convicção que teremos um segundo turno para que possamos continuar mostrando o que precisa ser feito para melhorar o futuro do nosso estado", afirmou.

Foto: Divulgação

***

FILAS E MUDANÇAS DE LOCAL DE VOTAÇÃO

No Colégio Estadual Lomanto Júnior, em Itapuã, uma fila se formou em frente à coordenação. Muita gente reclamava que não encontrava sua seção. A coordenadora do TRE na unidade explicou que a maioria com este problema não se atentou que a seção simplesmente mudou de local por conta da biometria.

"Quem fez a biometria tem boas chances de ter mudado de seção e até de zona. Acostumadas à seção anterior, as pessoas acabam indo no mesmo local de sempre. Ou é isso ou ela não fez a biometria e teve o título cancelado".

Mas, no caso da eleitora Itamar Riccio, de 58 anos, ela fez a biometria e procurou a seção correta, no mesmo Colégio Lomanto Júnior. Seu título novo mostrava que teria de votar na Zona 12 e seção 346.

"Gostaria muito de votar. Fiquei duas horas na fila pra nada? Mas, estou quase desistindo", disse dona Itamar, mostrando o título para a coordenadora.

Esta,  que preferiu não se identificar, disse que  aquele era um caso pontual. "É, aí  vamos ter que analisar", disse a coordenadora, chamando a eleitora para a sala.

***

VOTO DO CANDIDATO

O candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), votou pela manhã em Fortaleza (CE). Na chegada à zona eleitoral, Ciro foi recebido por sua neta Maria Clara e disse estar confiante de ir ao segundo turno das eleições.

"Vou no segundo turno fazer uma campanha diferente de todas as que o Brasil já assistiu, porque se eu chego ao segundo turno é porque o povo brasileiro decidiu derrotar os poderosos do baronato financeiro, banqueiros, dos partidos políticos tradicionais, da roubalheira, da concentração de mídia e portanto é uma revolução que o povo brasileiro está pedindo", afirmou Ciro.

***

Uma idosa de 75 anos, de prenome Marlene, passou mal, no início da tarde deste domingo (7), no momento em que votava, no bairro de São Caetano. Ela chegou a ser socorrida para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) daquele bairro, mas acabou falecendo. A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA).

***

VOTO DO CANDIDATO

Nem Rui Costa escapou da fila de uma hora e meia no Colégio Duque de Caxias, na Liberdade. O candidato à reeleição chegou no local por volta das 10h20 e só conseguiu votar às 11h42.

Foto: Roberto Midlej/CORREIO

***

VOTO DO PREFEITO

A chegada do prefeito ACM Neto ao local de votação, na Faculdade de Administração da Ufba, foi bastante tumultuado. Correligionários e eleitores disputaram cada milímetro próximo ao prefeito que chegou acompanhado dos candidatos Zé Ronaldo e Jutahy Magalhães. O acesso de entrada da faculdade precisou ser fechado para impedir que subissem junto com o candidato. Se mostrando tranquilo, Neto fez questão de ressaltar que o momento era uma festa da democracia e que só se pronunciará após a divulgação dos resultados. "Essa foi uma eleição atípica, onde a disputa esteve menos nas ruas. Hoje, a festa é da democracia", pontuou o prefeito. Assim como outros eleitores, Neto enfrentou a fila da sua seção eleitoral na companhia do pai, Antonio Carlos Júnior, e das duas filhas. O prefeito chegou ao colégio eleitoral às 11h15 e demorou mais de duas horas na fila para votar. Na segunda feira, ele deve viajar a Brasília (DF) para definir futuros apoios a um possível segundo turno.

Foto: Max Haack/Secom

***

Ainda está perdido? Confira zonas e endereços de locais de votação em Salvador, em 2018
As sessões foram abertas às 8h e fecham às 17h

***

IDOSOS NA FILA

Nas seções estabelecidas no Pavilhão de Aulas do Canela, muita confusão desde muito cedo. Os eleitores reclamaram da desorganização que obrigou pessoas idosas a encarar filas desde às 8h; há relatos de falta de acessibilidade, com apenas um elevador disputado por quem votaria nos andares superiores e falta de informação. Revoltado com a situação, o aposentado Edvaldo Nonato, 63, disse que a vontade era dar as costas e não votar.

"Isso é uma humilhação, tenho mais de uma hora de espera sem sequer poder sentar para aguardar", desabafou Edvaldo, salientando que acompanha a esposa doente.

Com uma postura parecida, Vera Maria Lemos, 64, disse que, ao fazer a biometria, foi transferida para uma seção especial, onde, em tese, a votação seria mais rápida. "Já presenciei pessoas passando na nossa frente sem explicação alguma. Quero o que é direito", completou. A aposentada Edna de Souza, 64, também penou para conseguir votar. Com joelho inchado, ela precisou aguardar mais de uma hora para votar.

Idosos na fila (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
Idosos na fila (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

***

A eleição dos “sem seção”

Com o rezoneamento feito no ano passado, muitos eleitores não sabem mais onde devem votar (clique aqui e veja onde votar). A aposentada Doralice Pereira, 69, já passou por três colégios na região de Cajazeiras: “Eu votava no Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia. Me mudaram para um perto de casa e, quando cheguei lá, não era mais”. A seção dela, que seria 209, era a mesma do motorista Ivan Manoel, 61, que também não sabe mais para onde ir.

Já o PM José Marcos Soares, 49, contou que está desde 6h da manhã procurando seu local de votação. Ele nem mesmo consegue encontrar seu nome e número do título no site do TSE. A dona de casa Eliene de Jesus, 56, também já passou por cinco escolas. “Eu vou desistir. Eu estou doente, não sei mais o que fazer”.

Foto: Roberto Abreu/CORREIO

***

DEMORA PARA VOTAR

De Feira de Santana - Após aguardar 1h na fila, a operadora de telemarketing Rita de Cassia Macedo, de 49 anos finalmente conseguiu votar no colégio CEEP. "Os mesários me disseram que por conta da biometria juntou três seções em uma, já que algumas tinham menos pessoas antes. E aí nesse juntar tudo deu esse problema. Sempre cheguei e votei, mas hoje foi dificil", afirmou. Segundo ela, a espera valeu a pena.

Foto: Priscila Natividade/CORREIO

"Fiz questão de votar, avaliei bem os candidatos e o candidato que não tinha os meus reais interesses eu não votei. A gente é trabalhador, já ganha salário mínimo, e pobre e coitado não vai votar em quem quer acabar com os nossos direitos", disse a operadora de telemarketing Rita de Cassia .

***

FATURANDO COM A ELEIÇÃO

Eleição é sinônimo de trabalho para a vendedora ambulante Denise Andrade, 34 anos. Para lucrar com a fome dos eleitores desde cedo, ela chegou às 6h na Faculdade Politécnica para montar sua barraquinha de lanches. Não economizou nas mercadorias. Colocou à disposição dos clientes 100 unidades de salgados, 10 caixas de refrigerante, outras 20 de cerveja, 20 pacotes de água e café. "Na eleição passada eu vendi bastante. Se ficar em casa é prejuízo, porque os parentes chegam. Aqui eu tô ganhando. Vou pegar essa grana extra e guardar para uma hora de dificuldade", disse Denise. "Vou ficar vendendo até 16h, que é quando vou guardar tudo pra ir votar", completou.

Foto: Daniela Leone/CORREIO

***

VOTO DO CANDIDATO

Irmão Lázaro (PSC) votou na cidade de Feira de Santana. No início da manhã, ele acompanhou a votação de Zé Ronaldo, candidato ao governo do estado pelo DEM. Logo depois, a gentileza foi retribuída e Zé Ronaldo foi até o Colégio Estadual Juiz Jorge Farias Goes acompanhar a tentativa do candidato a uma cadeira no senado em sua votação.

Foto: Divulgação

***

DE QUEM É A PREFERÊNCIA?

O eleitor Antônio Jorge vota no Colégio Estadual Deputado Manoel Novaes, que fica no bairro do Canela. Em denúncia feita ao CORREIO, o eleitor disse que várias pessoas com prioridade estão alocadas numa mesma seção do colégio eleitoral. A coincidência gera uma grande fila no local.

***

EXEMPLO

Aos 89 anos, Maria José  Barreto é do tempo que mulher não votava. "Não votava e não podia fazer muitas outras coisas. Meu pai não me deixava ir pra faculdade porque mulher direita não saía sozinha à noite. E faculdade de economia só tinha à noite. Só consegui estudar porque meu irmão me levava", lembra dona Maria, que votou na Associação Atlética da Bahia.

"Tenho esperança que esse país melhore ainda mais para as mulheres. Por isso faço questão de votar", diz Maria José Barreto, 89 anos.

Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO
Foto: Marina Silva/CORREIO

***

Eleição é também dia para fazer negócio. Na Avenida Suburbana, Juninho de Jesus, 40, e outros amigos encheram o freezer de cerveja. Para beber e vender. “A galera vem, se reencontra, se diverte”, falou um dos amigos, Luciano Melo, 43.

Foto: CORREIO

***

Amigas para sempre

A advogada Ana Carolina, 27, foi acompanhar sua amiga, que vota na seção 172 do Colégio Oficina, na Pituba, mas acabou tomando um chá de espera: isso porque a urna quebrou e ninguém consegue votar há cerca de 40 minutos. Ela conta que muitos eleitores desistiram de enfrentar a fila por conta da demora. Todos alegam que retornam ao colégio durante a tarde para tentar votar. Um técnico já está no Colégio para fazer o reparo da urna e regularizar a situação. Enquanto isso, o que resta é esperar e colocar o papo em dia.

***

De Feira de Santana - Há mais de meia hora na fila, a auxiliar de serviços gerais Ronilce Souza e o operador de processos Antônio Wagner lamentavam a espera. "Vim logo cedo porque trabalho a semana toda e domingo é o único dia que eu tenho pra fazer as minhas coisas. Deveriam criar um aplicativo para que a gente pudesse votar de casa", disse Ronilce. Já Antônio queria, na verdade, aproveitar a folga:

"Uma hora dessas eu já estava bebendo. Sempre votei nessa seção e tinha no máximo, três pessoas na fila. Transferiram gente pra cá e tem uma urna só. Tô rezando pra que essa não quebre porque se não a gente só sai daqui de noite", disse o operador de processos.

Foto: Priscila Natividade/CORREIO

***

LIXO NAS RUAS

Sujeira na Avenida D. João VI, em Brotas (Foto: Leitor via WhatsApp)

***

PANE NA URNA

Problema no Colégio Marcílio Dias, em São Tomé de Paripe: uma das urnas travou. Por isso, a fila ficou ainda mais lotada. E a espera dos eleitores cresceu. “Atrasou 20 minutos, mas tudo bem”, disse a autônoma Tais Rufino, 29. O problema já foi reparado.

Foto: Fernanda Lima/CORREIO

***

Foto: Roberto Abreu/CORREIO

A urna da seção 297, no Colégio Estadual Rafael Oliveira, em Cajazeiras, quebrou. A fila de espera tinha mais de 50 pessoas. O motorista Eronildes Andrade, 63, chegou às 7h30 e, às 10h, ainda não tinha entrado. “Eu era o décimo da fila, por aí. Eles nem explicaram nada. A fila já está dando voltas. Há 20 anos, voto aqui, mas não era tão cheio. Encheu por causa da biometria”, diz. A doméstica Luciene Santos, 57, também chegou perto das 8h e, às 10h, não tinha votado. “Teve muita gente que foi embora, que disse que ia voltar a tarde”. O motorista Sidclei Santos, 43, também chegou às 8h20. “Eu votava no Iceia e me trocaram para cá. Não vou embora porque não adianta voltar para casa agora, ainda mais sem guarda-chuva”, explica.

Sidclei Santos, 43, chegou cedo para votar (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)
Foto: Roberto Abreu/CORREIO

***

VOTO DO CANDIDATO
Jutahy (PSDB) foi o primeiro candidato ao Senado a ir até a urna neste domingo eleitoral. Ele foi acompanhado do prefeito ACM Neto e de seu filho, Jutahy Neto, até o colégio Odorico Tavares, no Corredor da Vitória. O candidato enfrentou cerca de 15 minutos na fila antes de acessar a cabine de votação.

***

VOTO DO CANDIDATO

De Feira de Santana - Às 9h15, o candidato ao governo do estado pelo Democratas (DEM), Zé Ronaldo, chegou ao Colégio Luis Eduardo Magalhães, em Feira de Santana para votar. Acompanhado do candidato ao senado da "Coligação Coragem para Mudar a Bahia", Irmão Lázaro, Zé Ronaldo aguardou menos de 5 minutos para votar. Ele também cumprimentou correligionários e eleitores que passavam próximo a sala onde estava localizada sua seção. Sobre a campanha, o candidato destacou que 'fez um jogo limpo': "Trabalhei com esse objetivo. Eu acho que eu fiz um bom combate. Votar é algo extraordinário. Faço com prazer e satisfação e sempre  compareço com muita emoção", afirmou. Ele segue agora para Salvador, onde deve acompanhar o voto do prefeito ACM Neto. "Espero que o povo se manifeste nas ruas. A decisão do povo é soberana. O que não deve acontecer no país é o retorno do PT", acrescentou.

Foto: Priscila Natividade/CORREIO

***

VOTO DO CANDIDATO

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) votou às 9h de hoje (7) no Rio de Janeiro. Ele chegou à seção eleitoral na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, acompanhado do filho Flávio Bolsonaro, que é candidato ao Senado. Agentes da Polícia Federal e militares do Exército fizeram a segurança do candidato.

***

Voto na Barra

Seções lotadas na Associação Atlética da Bahia, na Barra. Mesmo em um salão com ar-condicionado, os eleitores reclamam das filas. "Nunca peguei tanta fila para votar", disse o relações públicas Francisco Freitas, 39 anos.

Foto: Marina Silva/CORREIO

***

A química da matemática eleitoral

Pense no problema: André Luiz, 36, não consegue anotar o número dos candidatos na palma das mãos. Até queria, mas não dá. “Trabalho com ácido, produto químico... Come é tudo”, brinca. Restam somente os santinhos, adesivos e a própria memória. “Ó praí, não tem jeito, não”, apontando os calos. É a química contra a memória eleitoral.

***

Mais falha na biometria

A eleitora Maria Eunice da Cruz, 52 anos, não conseguiu votar com a biometria. A ela, a mesária explicou que seus dedos estavam muito oleosos e por isso não conseguia fazer a captura. Sem a biometria, Maria votou como nos outros anos: assinando a lista de presença. "Quando eu fiz a captura da biometria não tive nenhuma dificuldade, mas hoje, tentaram algumas vezes em alguns dedos, mas não consegui. Aí, assinei o papel mesmo", contou.

Foto: Amanda Palma/CORREIO

***

9h - Nas zonas eleitorais visitadas pelo CORREIO, eleitores reclamam da demora na fila para votar. "A fila está mais vagarosa do que na eleição passada, Nas outras eleições, eu vinha meio-dia, nessa vim nesse horário", disse a dona de casa Sandra Adan, 58 anos, que votou no Centro Educacional Maria José, em Pernambués.

***

Para não dar branco - Os eleitores podem levar uma “cola” com os números de seus candidatos para a urna da votação. Mas tem de ser impresso ou anotado num papel. É proibido usar o aparelho celular na cabine.

A autônoma Helena Almeida Sampaio, 65, esqueceu em quem ia votar e passou cerca de 5 minutos na cabine. "Quando eu já vim subindo as escadas, os números começaram a sumir da minha mente. Aí, quando entrei na cabine, não lembrava mais. São muitos números pra gente lembrar e eu não anotei os números. Eu fiquei muito nervosa e o pessoal da fila começou a reclamar", contou. Só depois de se acalmar, ela conseguiu votar. Por causa disso, uma fila de formou na 19ª seção.

***

De Feira de Santana - A estudante Edilane Martins, de 22 anos, não teve problemas para votar hoje no colégio Luis Eduardo Magalhães. Mesmo com as mudanças trazidas pela biometria, não houve filas. "Foi bem tranquilo pra mim. Resolvi vir logo cedo, porque todo mundo em Feira sempre deixa tudo para o último horário". Apesar de não dizer em quem votou, Edilane disse que avaliou bem as propostas do candidato antes de decidir a quem daria o seu primeiro voto para presidente.

"O histórico dele contou muito, a formação também. O conhecimento que ele tem. O acompanhei nas redes sociais e também observei bastante. A gente tem que saber o que é melhor pra gente", diz Edilane.

Foto: Priscila Natividade/CORREIO

***

O porteiro Bruno Santos, 33, foi o primeiro a deixar o Colégio Central, às 8h04. Ele chegou ao local de votação às 6h, por receio de que o local estaria cheio, mas acabou sendo o primeiro a votar. "Quando entrei, não tinha ninguém. Fui o primeiro e agora já vou sair para trabalhar. É muito importante que a gente venha votar. Eu já tinha justificado por três eleições e esse ano eu transferi para cá", contou.

Foto: Amanda Palma/CORREIO

***

TRE-BA altera 47 locais de votação em Salvador; confira lista

***
8h16 - O eleitor Marcio Pinto vota há 20 anos no Colégio Central. Ele sempre votou no Pavilhão Rio Branco, onde fica a 7ª seção, mas dessa vez foi surpreendido com a alteração de local.

"Sempre votei no mesmo lugar, mas dessa vez me mudaram. Está desorganizado isso aqui", disse o eleitor, depois de rodar pelo Central até encontrar a sua seção.

O Central agora recebe eleitores do Carneiro Ribeiro, Moura Bastos e Carlos Santana.

***

7h31, de Feira de Santana - A movimentação ainda é pequena no Colégio Estadual Luis Eduardo Magalhães, lugar onde vota o candidato ao governo Zé Ronaldo (DEM). Ambulantes já arrumam as barracas. Mesmo com a escola fechada, já há vários santinhos espalhados pelo chão. As ruas estão bem vazias. O motorista Gilvan Marques,  de 43 anos, foi o primeiro a chegar ao colégio, no centro de Feira.

"Moro em Ipirá, mas voto aqui. Não tive dificuldade de escolher em quem vou votar. Vim com o voto certo, tanto que cheguei primeiro", afirmou Gilvan.

Na fila, que antes das 8h já tinha cerca de 20 pessoas, o motorista não revelou o candidato que escolheu, mas vai optar por quem, segundo elepode tirar o Brasil da crise: "quero ver se o Brasil melhora".

Foto: Priscila Natividade/CORREIO

***

7h30 - As zonas eleitorais só abrem às 8h, mas na Federação teve gente que chegou com tempo de sobra. Por volta de 7h30, cerca de 30 pessoas aguardavam a liberação dos portões para votar.

Foto: Amanda Palma/CORREIO

[publicidade]]

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas