Veja como ter um ambiente seguro no digital para garantir a satisfação do cliente

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01.02.2021, 06:00:00
A pandemia fez com que os crimes cibernéticos tivessem um aumento assustador no País. Saiba como se precaver (Shutterstock/reprodução)

Veja como ter um ambiente seguro no digital para garantir a satisfação do cliente

Especialistas dão dicas como as empresas podem criar um ambiente que forneça uma experiência confiável de compra

Desde o início da pandemia, quando as pessoas foram obrigadas a ficarem mais tempo em casa, o uso da internet e plataformas digitais virou uma obrigatoriedade, seja para trabalhar ou para interagir e o resultado disso foi o crescimento dos chamados crimes cibernéticos, envolvendo os consumidores e as empresas. 

Um relatório divulgado pela Apura Cybersecurity Intelligence, empresa brasileira perita no desenvolvimento de produtos avançados e especializada em segurança da informação e defesa cibernética, registrou que em 2020 houve um aumento aproximado de 400% nos indícios de crimes eletrônicos e cibernéticos em sua plataforma. Dados do Relatório Anual 2020 de Atividade Criminosa Online no Brasil, elaborado pela Axur – empresa especializada no monitoramento de crimes digitais - o volume de ataques virtuais via phishing (fraudes de roubos de dados pessoais e financeiros de usuários) aumentou quase 100% no país, saltando de 24.161 casos de phishing registrados em 2019, para 48.137 identificados em 2020.

O Chief of Practices Salesforce & Cybersecurity da Qintess Analytics & Decision Science (QADS) Gilberto Caparica Neto explica que a combinação entre metodologias, processos e tecnologias para criação de um ambiente seguro é necessária para que as empresas forneçam uma experiência confiável de compra. “Trata-se de um conjunto de defesas, ajustadas de acordo com o modelo de negócio e tamanho da empresa”, pontua.

O especialista destaca ainda que também é fundamental que as empresam desenvolvam medidas de segurança para avaliar constantemente seu ambiente, na seguinte ordem de iniciativas: Redutivas; Preventivas; Detectivas; Repressivas e Corretivas. “Assim, o sistema de e-commerce garantirá infraestrutura, dando confiabilidade para os clientes possam efetuar as compras seguras, seja pela internet, celular ou demais dispositivos”, completa. 

Ameaças

Caparica Neto salienta que uma das ameaças mais comuns é o “phishing”, quando há a tentativa de obter dados pessoais e financeiros de usuários, por meio de campanhas chamativas que chegam na caixa de mensagens, com anexos infectados ou links. “Eles redirecionam para sites maliciosos, onde muitas vezes, informações pessoais são solicitadas. Também há uma modalidade específica, da mesma família do phishing, que é o ‘pharming’ ”, explica, ressaltando que nessa modalidade, o receptor da mensagem é estimulado a clicar em um link que o leva para um site falso, que à primeira vista, parece verdadeiro, já que usa um endereço de página muito parecido com uma real, com uma pequena alteração nesse endereço que, muitas vezes, passa despercebido. 

Gilberto também destaca o potencial destruidor do boato ou “hoax”, que chega no formato de uma mensagem alarmante e, na maioria das vezes falsa, tendo como remetente instituições, empresas ou órgãos do governo muito conhecidos, o que leva o usuário a clicar em links indevidos. “Outro mecanismo bastante usado por criminosos virtuais é o ‘malware’ que é um software malicioso para atacar um computador ou rede por meio de um vírus. Isso permite não só o roubo de dados, mas também o uso do computador da vítima para atos criminosos e pode causar danos aos dados armazenado”, esclarece, salientando a importância do usuário estar atento aos e-mails, falhas ou mensagens instantâneas e até nos downloads que fizer. 

Os “ataques DDoS” são capazes de paralisar sistemas ou até uma rede inteira, o que pode ocorrer por meio de variados dispositivos conectados à internet, inclusive aqueles residenciais.  Mais sofisticados e menos conhecidos, ainda há o golpe tipo “Scam”, usado em esquemas fraudulentos para obtenção de vantagens financeiras a “engenharia social”, um método que utiliza a persuasão para obter vantagens indevidas das vítimas, como objetivo de conquistar informações.

Cuidados

O consultor empresarial Alex Cruz afirma que existem características muito comuns à maioria dos golpes da internet: os golpistas sempre oferecem algum tipo de ‘vantagem’ para seduzir as vítimas, seja por preços de produtos mais baratos, crédito aprovado, juros baixos ou empréstimo fácil para negativados.
“As vítimas normalmente são consumidores, que estão passando por alguma dificuldade financeira, ou que querem ganhar vantagens”, explica Alex Cruz, diretor da Cruz Consultoria, membro da Associação Brasileira de Consultores Empresariais (ABRACEM) e administrador de empresas.

Alex Cruz chama atenção para que os clientes desconfiem sempre das facilidades exageradas oferecidas e façam sua parte para garantir a segurança na web (Foto: Lorena Venturini/Divulgação)

Para fugir dessas ciladas, a orientação de Cruz é desconfiar sempre de taxas ou tarifas antecipadas: nenhum banco ou financeira solicita qualquer dinheiro antecipado. “As taxas são descontadas do valor do empréstimo. Quase 100% dos casos que pedem dinheiro antes é golpe. Por isso mesmo: cuidado!”, ensina, destacando a importância de procurar sempre sites de instituições conhecidas e consolidadas no mercado. “Não existe mágica, como uma empresa nova conseguirá oferecer condições bem melhores e sem burocracia concorrendo com grandes players do mercado?”, provoca.

O consultor lembra que os aplicativos são mais seguros que sites e, em alguns casos, as quadrilhas clonam as páginas de alguns sites de bancos e financeiras para coletar as informações dos clientes. Usando o aplicativo a segurança é maior. “Evite passar ou colocar seus dados pessoais em fontes que não são seguras; qualquer pessoa hoje pode criar um site, não é porque achou um site na internet que você deve confiar, pesquise na própria internet a empresa, e pesquise com amigos e parentes se alguém de confiança já contratou aquele serviço”, conclui.


Proteção de ataques

1 – Utilizar senhas fortes e não repeti-las em diferentes sites. 
2 – Mudar regularmente dados de acesso e senhas, podendo usar aplicativos de gerenciamento que ajudam nessa tarefa. 
3 – Manter os softwares sempre atualizados, pois as empresas de tecnologia sempre atualizam suas proteções a cada nova versão, para dificultar ataques de hackers. 
4 – Configurar rede sociais para proteger informações pessoais. 
5 – Proteger redes de acesso à Wi-Fi com senhas fortes e, se possível, usar uma VPN. 
6 – Alertar crianças e adolescentes sobre a utilização segura da internet e, no caso de empresas, sempre orientar os colaboradores. 
7 – Manter-se informado sobre o assunto e nunca deixar de comunicar crimes nas delegacias especializadas.

 
Clientes protegidos 

As pessoas precisam ter em mente que esse cenário exige mudanças de comportamento nos meios digitais, com destaque a algumas ações: 

1.    Manter smartphones, computadores e dispositivos como a Smart TV, por exemplo, sempre atualizados pelo fabricantes original. Ativar a instalação automática de atualizações pode ajudar nesse processo;

2.    Utilizar mais de uma forma de autenticação, conhecida como “verificação em duas etapas”. Essa ação é recomendada especialmente para contas que tenham dados importantes, com as informações pessoais dos smartphones;

2.    Usar senhas fortes, com chaves de várias letras, misturando letras maiúsculas e minúsculas com números e, se possível inserir caracteres especiais. Utilizar aplicativos de gestão de senha, pode ajudar. 
  
4.    Instalar de softwares de segurança adicionais como o firewall, uma defesa entre o dispositivo e a internet. São similares a um programa e podem estar integrados a uma solução antivírus ou um roteador. Um técnico pode ajudar nessa tarefa. 
  
5.    Faça cópias de segurança, pois, por mais proteção que você possua, é recomendado ter cópias dos dados e arquivos pessoais, em caso de falha inesperada dos equipamentos. 
 

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