Veja detalhes do depoimento do suspeito de jogar médica do 5º andar

salvador
22.07.2020, 11:48:04
Atualizado: 22.07.2020, 12:39:21

Veja detalhes do depoimento do suspeito de jogar médica do 5º andar

Ele diz que ela se jogou, mas família dela nega a versão

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(Foto: Divulgação) 

O médico Rodolfo Cordeiro Lucas suspeito de jogar a companheira dele, a também médica Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo, do 5º andar de um prédio no bairro de Armação, em Salvador, disse, em depoimento à Polícia Civil que sua namorada tinha ideias suicidas, "tomava remédio controlado e se automedicava". As informações são da TV Bahia e do G1.

O caso ocorreu na madrugada da última segunda-feira (20). A família de Sáttia nega a versão de Rodolfo e acredita que ela foi vítima de uma tentativa de feminicídio.

Rodolfo foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio e, nesta terça-feira (21), teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. A médica está internada no Hospital Geral do Estado (HGE), em estado grave.

O médico prestou depoimento na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), do bairro do Engenho Velho de Brotas, horas após o ocorrido. Na oportunidade ele e disse à delegada Maraci Menezes Lima, que, depois de uma discussão, a vítima foi para o quarto do apartamento, no quinto andar do prédio, e ficou "pendurada do lado de fora da janela, segurando com as mãos na borda da janela". 

Ainda de acordo com a TV Bahia, o médico também disse à polícia que tentou resgatá-la, mas que, "infelizmente não conseguiu segurar".

Ao ser perguntado se jogou a companheira para fora da janela ou da varanda, Rodolfo disse em depoimento que "nunca faria isso", que conhecia Sáttia Lorena há um ano e morava junto com ela há seis meses.

Ainda à polícia, o médico afirmou que a companheira tinha "ideações suicidas", fazia terapia e tomava medicações prescritas por ela mesma. "Ela se medicava, se dopava", disse durante o depoimento.

O médico também contou à polícia que, apesar dos "surtos de ciúmes" apresentados pela médica, o casal não tinha discussões pontuais e que ela "simplesmente surtava". Ele ainda disse que, durante os "surtos" segundo Rodolfo, Sáttia Lorena sempre o agredia fisicamente com mordidas, socos, tapas e ameaçava se jogar da janela e da varanda.

Rodolfo também foi perguntado sobre nunca ter falado com a família de Sáttia Lorena sobre a depressão e ele argumentou dizendo que foi um pedido feito pela companheira.

Prédio de onde a médica caiu
(Foto: Reprodução/Google Maps)

Discussão
Uma dicussão lembrada por Rodolfo durante seu depoimento teria ocorrido no dia anterior a queda, a manhã de domingo (19). Segundo versão do suspeito, o casal foi para o hospital em que os dois trabalham, cada um em um carro, e que ele teria ido por um caminho que não era o habitual. 

O homem disse que foi surpreendido, quando foi fechado pelo carro da companheira na Avenida Pinto de Aguiar. Então a médica teria descido de seu veículo e o ameaçado de morte.

O médico disse que, em seguida, Sáttia Lorena ficou nua e tentou se jogar em um canal, que fica na avenida. Rodolfo disse que conseguiu colocar a médica dentro do carro dela, acalmá-la e os dois foram para o hospital, cada um em um carro.

Ao chegar no hospital, de acordo com Rodolfo, a médica contou para ele que não estava se sentindo bem, que tinha sido liberada para voltar para casa e o chamou para conversar dentro do carro dela.

Já veículo, ainda segundo médico, ele teria sido agredido com mordidas e socos e voltou para o hospital. Rodolfo disse que Sáttia Lorena o seguiu e, por ela ter tomado muitas medicações, ele pediu para ela descansar no hospital, porque ela "queria viajar para o interior onde a família dela mora dopada de medicamento".

Após a discussão, o médico disse que dormiu no hospital e que, ao acordar, por volta das 12h do domingo, não encontrou a companheira no local. Ao mandar uma mensagem, descobriu que ela havia voltado para o apartamento.

Ainda no depoimento divulgado pela TV Bahia, o suspeito disse que a médica teria "surtado novamente", perguntou se ele voltaria para casa, e o chamou para conversar no apartamento. "Ela jurou que seria uma conversa pacífica", disse ele à delegada, conforme consta no documento policial.

O médico disse que, apesar do início da conversa pacífica, Sattia se exaltou e voltou a agredi-lo fisicamente, o que fez ele dizer que não queria mais conversar.

Leia mais sobre o caso:
Namorado suspeito de atirar médica do quinto andar tem prisão decretada

Médica gritou por socorro antes de cair do 5º andar de prédio em Armação

O interrogado afirmou, no depoimento, que ambos tomaram banho, Sattia fez uma oração e os dois deitaram na cama. O médico contou que a companheira tentou começar mais uma conversa e o agrediu com arranhões no rosto e na boca, além de murros, tapas e mordidas.

O documento mostra que ele disse que não aceitaria mais agressão e ela então teria iso para a cozinha, onde pegou uma faca. Rodolfo Lucas afirmou que tirou a arma branca da mão dela e, quando foi esconder o objeto, ela correu para a varanda.

"Eu só ouvi ela me gritar, Lucas, Lucas, e eu fui para o quarto atrás dela e quando cheguei, ela estava pendurada pelo lado de fora da janela, segurando com as mãos na borda da janela. Ainda segurei os pulsos dela para tentar fazer com que ela voltasse e gritando socorro", contou no depoimento.

O suspeito mencionou um casal, que mora no apartamento 404, que viu a situação e pediu para que ele a segurasse pelo tronco, mas ele não conseguiu. "Infelizmente, não consegui segurar e só vi ela cair lá embaixo", disse o médico no depoimento.

Vizinho viu discussão
Ainda de acordo com a delegada Bianca Torres, um homem que mora no 4° andar do prédio onde o casal vive disse, também em depoimento, que acordou com a discussão dos vizinhos. Ele contou que tentou conversar com a mulher pela janela, quando percebeu que a médica estava apoiada no parapeito e viu que o companheiro segurava as mãos delas, mas que a mulher dizia que não tinha mais forças.

Familiares negam depressão
Em entrevista ao G1 nesta terça-feira, Anderson Moreira, primo de Sáttia, negou a afirmação do suspeito sobre a médica ter histórico de depressão.

“É muito estranho tudo o que aconteceu e tudo que está acontecendo. Ela não era depressiva. Ela não faria isso. Olha o histórico dela. É uma mulher bonita, 27 anos, médica, tem apartamento, carro próprio. Como é que ela poderia se jogar?", disse.

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