Veja o que os governos estaduais pensam sobre a Copa América

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31.05.2021, 18:43:00
Copa América aconteceria, inicialmente, na Colômbia e Argentina (Juan Barreto/AFP)

Veja o que os governos estaduais pensam sobre a Copa América

Além da Bahia, São Paulo também impõe condições, enquanto Pernambuco e Rio Grande do Sul vetaram

Em uma reviravolta, o Brasil será a nova sede da Copa América. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (31) pela Conmebol, que decidiu transferir o torneio para o país após as desistências da Colômbia e, posteriormente, da Argentina. Após o anúncio, os governadores estatuais se manifestaram sobre a realização da competição no território nacional.

A Bahia, assim como São Paulo, não se opõs, mas exige que os protocolos de saúde vigentes sejam mantidos. Já Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul vetaram a Copa América. As capitais que sediarão a competição, marcada para os dias 13 de junho e 9 de julho, ainda não foram definidas. 

Veja como se posicionaram os estados:

Bahia: sem oposição

O governador Rui Costa afirmou que a Bahia só será sede da Copa América caso o torneio seja disputado dentro dos moldes do protocolo das competições nacionais e estaduais de futebol. Segundo Rui, não há qualquer chance de flexibilização para que seja permitida a presença de público nos estádios.

"Estamos mantendo o mesmo padrão com o futebol daqui. Se a exigência for ter público, aqui não terá. Se a Conmenbol chegar solicitando essa abertura para torcida, vamos negar. Nós não abriremos mão disso como não abriremos mão de regras colocadas em curso no campeonato nacional e no baiano também. Se os jogos ocorrerem com o mesmo padrão, tudo bem", disse.

São Paulo: sem oposição

O governo de São Paulo garantiu que não vai se opor caso algum estádio do estado seja escolhido para receber partidas da Copa América. Mas será necessário que o torneio siga os protocolos do Plano São Paulo. Eles determinam que os jogos devem ocorrer sem torcida e que os jogadores e comissões técnicas devem ser testados periodicamente.

"O governo de São Paulo não fará objeção caso a CBF defina São Paulo como um dos locais de jogos da Copa América, desde que os protocolos do Plano São Paulo sejam obedecidos", disse a nota oficial.

Em coletiva, o governador João Doria (PSDB) destacou que os protocolos sanitários estão sendo cumpridos nos campeonatos.

"A CBF informa que a Copa América virá para o Brasil, mas não especificamente para São Paulo, até porque os estádios aqui já estão ocupados pelos jogos programados para a Copa do Brasil e o Brasileirão. De qualquer maneira, quero deixar registrado aqui que a Federação Paulista de Futebol tem cumprido rigorosamente os protocolos do Plano São Paulo, e os jogos que foram realizados aqui pelo Campeonato Paulista foram realizados dentro desse protocolo", declarou.

Amazonas: sem oposição

O Governo do Amazonas, através da Fundação Amazonas de Alto Rendimento (FAAR), informou que ainda não foi notificado formalmente sobre a possibilidade de sediar a Copa América. Mas, caso seja, irá discutir os protocolos de prevenção para que as partidas aconteçam. Além disso, confirmou que será discutida a presença de público na Arena da Amazônia. 

"Com os protocolos definidos, em comum acordo com o Comitê Estadual de Enfrentamento da Covid-19, os jogos deverão ser realizados com toda a expertise do Amazonas obtida ao sediar grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. A presença de público também será discutida e dependerá dos indicadores da pandemia de Covid-19 no estado", diz a nota.

O posicionamento aconteceu após Manaus ser apontada como uma das possíveis sedes.

Distrito Federal: sem oposição

O governador Ibaneis Rocha (MDB) informou ao Metrópoles que "não haverá resistência" de sua parte. O estádio Mané Garrincha, que foi palco da Copa do Mundo 2014, tem datas disponíveis e deve ser confirmado como uma das sedes.

Pernambuco: recusou

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), foi o primeiro a recusar receber partidas da Copa América, em razão do "atual cenário epidemiológico". O estado vive seu pior momento desde o começo da pandemia e, no último sábado (29), houve recorde de novas infecções pela covid-19.

Ao todo, foram registrados 5.576 casos da doença em 24 horas. A taxa de ocupação de leitos de UTI na rede pública já atinge os 98%. Nos hospitais privados, cerca de 86% dos leitos estão ocupados por pacientes diagnosticados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag).

"Apesar de ainda não ter sido procurado oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Governo do Estado reforça que o atual cenário epidemiológico não permite a realização de evento do porte da Copa América no território de Pernambuco", disse a nota oficial.

Rio Grande do Norte: recusou

Apontada como uma das possíveis sedes após o anúncio da Conmebol, Natal não vai receberá jogos da Copa América. Governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra comunicou a decisão em uma rede social.

"O Rio Grande do Norte não recebeu nenhum comunicado oficial a respeito da realização da Copa América em território potiguar. Mas, apesar de sermos um dos Estados com estrutura física disponível, não temos hoje níveis de segurança epidemiológica para realização do evento. Ao contrário, estamos numa luta diuturna para amenizar os efeitos da pandemia, que está em um momento crescente por aqui. O Governo é, portanto, contrário à realização do evento no nosso estado", escreveu.

Rio Grande do Sul: recusou

Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite informou que não foi procurado por Conmebol ou CBF. Mas antecipou que, mesmo que esteja aberto ao diálogo com autoridades, não é a favor de receber a competição neste momento. 

"Recebemos os jogos em 2019, o que muito nos orgulha, mas, pessoalmente, entendo que seria inoportuno realizar a competição no Estado e no Brasil neste momento. Precisamos concentrar esforços no enfrentamento à pandemia e, nesse contexto, é inadequado que a competição ocorra aqui, mesmo sem público nos estádios", diz o comunicado.

"O mundo infelizmente tem visto uma disseminação de novas variantes do coronavírus, e ampliar a circulação, com possíveis aglomerações e elevado trânsito de pessoas poderia ampliar o contágio. Caso o Estado receba algum tipo de contato da Conmebol e da CBF, vamos levar o assunto para discussão com os outros Poderes e entidades que representam a sociedade gaúcha (...) Fazer a Copa América no Brasil e no Rio Grande do Sul agora seria acrescentar um problema ao país. Seria inoportuno e inconsequente", seguiu.

Minas Gerais: recusou

O Governo de Minas Gerais se mostrou contrário à realização dos jogos da Copa América no estado. Em nota, afirma que "não considera prudente a realização de quaisquer eventos que envolvam aglomeração de pessoas" e ressaltou que, "neste momento, toda a população, mesmo a vacinada, precisa seguir as medidas de prevenção".

"Os jogos atualmente realizados em Minas Gerais só são possíveis sem a presença de público. Além disso, a presença das delegações internacionais demandaria esquemas especiais de segurança e sanitários para evitar riscos de aglomeração ou contágio", diz o comunicado.

Mato Grosso: quer ser sede

O governo de Mato Grosso se colocou à disposição da CBF para sediar a Copa América. Alberto Machado, Secretário de Cultura, Esporte e Lazer do estado, confirmou o desejo de que Cuiabá receba jogos da competição. 

"O governador Mauro Mendes ligou para o Walter Feldman [secretário-geral da CBF] e colocou a Arena Pantanal e o estado de Mato Grosso para ser uma das sedes da Copa América. Ouvimos uma resposta positiva do Feldman que o estádio está apto para receber os jogos, mas precisa ser avaliada", afirmou.

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