'Vieram pra cima na covardia', diz segundo jovem agredido durante festa em Ondina

salvador
03.07.2019, 20:29:00
Atualizado: 04.07.2019, 15:00:19
(Foto: Acervo Pessoal)

'Vieram pra cima na covardia', diz segundo jovem agredido durante festa em Ondina

Festa Hype acabou com briga generalizada em frente ao Othon

Os momentos que antecederam a madrugada desta quarta-feira (3) ainda vêm como pequenos flashes para o estudante de Arquitetura Gabriel Louzado, 19 anos. Ele desmaiou após ser agredido com socos e pontapés por seis pessoas, dentro da festa de música eletrônica Hype, realizada na Área Verde do Othon, no bairro de Ondina, em Salvador. Ele recebeu alta do Hospital Geral do Estado (HGE) esta manhã.

O jovem acredita que a agressão ocorreu pouco antes da briga generalizada que resultou no espancamento do estudante de Direito e aluno do Núcleo Preparatório Oficiais da Reserva do Exército (NPOR) Cayan Lima Silva Santana, 19, que, após sofrer fraturas no crânio, segue internado e inconsciente na unidade semi-intensiva do Hospital do Exército. Assim como a família do jovem hospitalizado, Gabriel também prestou queixa na 7ª Delegacia (Rio Vermelho). 

“Eu não lembro o momento exato em que fui agredido. Não sei se me esbarrei, pisei no pé de alguém, mas uns seis vieram pra cima de mim. Eles vieram na covardia mesmo, meus amigos não puderam me ajudar. Desmaiei, porque, a partir daí, fui construindo tudo o que aconteceu depois, a partir da lembrança dos amigos que estavam comigo”, contou Gabriel ao CORREIO na noite desta quarta, enquanto aguardava para ser ouvido pela delegada Lúcia Maria Jansen, responsável pelas investigações.

A delegada informou que, por ora, não daria entrevistas. O advogado da família do estudante de Direito, Kaio Abreu, no entanto, comentou a investigação. “Relatamos o fato às autoridades, que estão empenhadas na situação. Como já temos a identificação dos supostos autores, estamos trabalhando com a hipótese de homicídio tentado, uma vez que Cayan estava desacordado no chão e recebeu os golpes na cabeça”, disse à reportagem.

Ao CORREIO, Gabriel disse que os amigos reconheceram um de seus agressores a partir de um vídeo que circulou, ainda nesta madrugada, por meio do aplicativo WhatsApp. “Meus amigos viram e disseram que um homem que aparece sem camisa é um dos que me bateram. Realmente não lembro e não faço ideia do porquê, não sei o que levou o grupo a me bater”, acrescentou o jovem, ao afirmar que está “bem”. “Só inchaço mesmo, agora é esperar diminuir. Tô meio triste, mas bem”, disse o jovem, que pagou R$ 150 pelo ingresso da festa open bar.

Pai de Cayan divulgou imagem do jovem em hospital e fez apelo: 'Espero que possa ser feita justiça' (Foto: Reprodução)

A Hype
Procurada pela reportagem, o produtor da festa Hype, Rodrigo Bouzon, se limitou a dizer que a equipe do evento está “prestando apoio” a Cayan. Quando questionado sobre a agressão sofrida por Gabriel, ele não se pronunciou e solicitou que a reportagem entrasse em contato com a assessoria de comunicação do evento, que, por meio de nota, comentou apenas a agressão sofrida pelo estudante de Direito, que aconteceu fora das dependências da festa.

“Houve um desentendimento entre os envolvidos no espaço de realização da festa. Contudo, não houve agressão física, pois a equipe de segurança contratada os conteve, alertando que outras eventuais medidas seriam tomadas”, dizia o documento.

“Assim, durante todo o evento, houve controle da situação”, descreve o documento, ao reiterar que a Hype “atendia a todos os requisitos legais exigidos, incluindo alvará expedido pela Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom)”, completou a nota, que não comenta em nenhum momento a agressão sofrida por Gabriel.

Ao receber um retorno, o CORREIO voltou a procurar a assessoria do evento, que reafirmou não ter conhecimento de “fatos novos”, além da briga que resultou na agressão sofrida por Cayan. Ainda de acordo com a empresa, não houve “qualquer intercorrência grave registrada pelo serviço de atendimento de saúde disponibilizado no local”.

Na line up (lista de atrações) desta primeira edição da Hype, estavam previstas as apresentações de três Djs. Embora apenas 26 pessoas tenham confirmado que participaram da festa, na página do Facebook, de acordo com o estudante de Arquitetura o local estava “lotado de gente”. “Cheguei lá por volta de 16h e lembro que estava bem cheio, não conseguia nem me mexer direito. Não consigo estimar, mas estava bastante cheio.

Susto
Irmão de Gabriel, o publicitário Rafael Louzado, 25, contou que levou um susto ao receber uma ligação de um dos amigos do caçula, por volta de 1h da madrugada. “Disse: ‘Estou indo levar ele em casa, ele apanhou muito na festa’. Quando desci, encontrei eles aqui, meu irmão bastante machucado, sangrando muito”, lembra.

Rafael contou que saiu da Pituba, onde mora com o irmão, e o levou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Brotas. No entanto, pelas lesões internas, o jovem precisou ser transferido para o HGE, onde o estudante de Direito também chegou a dar entrada. 

“Chegamos no HGE às 3h, saí de lá às 6h. Ele está triste, imagina você apanhar assim, do nada, dentro de um evento privado, sem saber de onde veio. Pior é ele não lembrar de nada, estamos tentando entender a história melhor hoje. Mas sabemos que ele [Gabriel] não conhece a outra vítima [Cayan]. O agressor, segundo testemunhas, é o mesmo”.

Veja íntegra da nota da Hype
"A produção da festa Hype, que aconteceu no feriado de 2 de julho (terça-feira), na Área Verde do Othon, em Ondina, esclarece que a agressão ao jovem Cayan Santana por outros dois rapazes não aconteceu nas dependências do evento.
 
Houve um desentendimento entre os envolvidos no espaço de realização da festa. Contudo, não houve agressão física, pois a equipe de segurança contratada os conteve, alertando que outras eventuais medidas seriam tomadas. Assim, durante todo o evento, houve controle da situação.
 
Ocorre que, após o término da realização do evento, com os envolvidos já em via pública, inclusive no lado oposto ao do estabelecimento onde se desenvolveu o evento, aconteceram os atos de violência contra o jovem, atos aos quais os realizadores do evento são totalmente contrários.
 
A produção reforça que atendia a todos os requisitos legais exigidos, incluindo alvará expedido pela Secretaria Municipal de Urbanismo (SUCOM). A festa Hype lamenta o ocorrido e, apesar do incidente ter ocorrido em via pública, se coloca à disposição das autoridades para todo e qualquer esclarecimento, bem como se solidariza com o jovem e sua família". 


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