Vigilantes ficam feridos em ataque após reintegração de posse na Bahia

bahia
03.07.2019, 20:38:00
Atualizado: 03.07.2019, 21:51:55

Vigilantes ficam feridos em ataque após reintegração de posse na Bahia

Caso foi em Belmonte; carros foram queimados por grupo que morava no local

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Um grupo que, segundo a Polícia Civil, não tem ligação com movimentos sociais do campo, incendiou seis veículos de uma empresa terceirizada da Veracel Celulose e deixou três funcionários feridos após os atacarem com foices e facões, nesta terça-feira (2), na zona rural de Belmonte, extremo sul da Bahia.

Os seguranças da empresa GPS, diz a polícia, foram atacados na fazenda Sítio Esperança e Mutum, da Veracel, e reintegrada no dia 27 de junho. Um dos funcionários sofreu um corte na cabeça que precisou de pontos. 

A ação criminosa foi filmada pelos seguranças, que não reagiram ao ataque. O vídeo mostra um ato de selvageria, com os integrantes do grupo quebrando os vidros dos veículos com foices, ateando fogo e xingando os seguranças, dando ainda ordens para que eles saíssem do local. Os seguranças acabaram fugindo para não correr risco de haver algo mais grave.  

Sediada em Eunápolis, a Veracel Celulose é um projeto agroindustrial que pertence à brasileira Fibria e a suecofinlandesa Stora Enso (cada uma tem 50% de participação). A empresa planta eucaliptos no extremo sul da Bahia há mais de 20 anos e atingiu em 2018 o maior nível de produção, com 1.148.760 toneladas de celulose.

O ataque está sendo investigado pelo delegado Moisés Damasceno, coordenador da 23ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Eunápolis). Ele disse que o grupo que atacou os seguranças é formado por quatro famílias que não aceitaram acordo feito ano passado pela empresa com outras 260 famílias de quatro grupos diferentes.

No acordo, diz o delegado, a empresa negociou com as famílias a venda de 2.099 hectares para ser pago em 20 anos, em parcelas baixas, com carência (início do pagamento da primeira parcela) de três anos. Os valores negociados e a quantidade de lotes para cada família não foram informados.

Oito pessoas foram ouvidas pelo delegado nesta quarta-feira e nesta quinta será feita uma perícia no local onde ocorreu o confronto. “Estamos analisando os vídeos para tentar identificar os autores dos crimes”, disse o delegado, segundo o qual a maioria das pessoas que realizaram os ataques não estava na ocupação anterior.

Em nota, a empresa declarou que, além dos vigilantes feridos, “outras três pessoas da empresa prestadora de serviços Plantar, também contratada pela Veracel, foram mantidas sob cárcere privado, ameaçadas de morte e forçados a executar trabalhos de interesse do grupo durante a manhã, sendo liberadas à tarde”.

“A Veracel esclarece que os colaboradores da GPS não utilizam armas e nem reagiram às agressões. Os invasores da área não se declaram associados a nenhum movimento social”, declarou a empresa.

Os vigilantes feridos foram encaminhados para o Hospital Regional, em Eunápolis, onde receberam atendimento e posteriormente liberados. O estado de saúde deles é considerado estável. A empresa GPS também dará apoio psicológico aos profissionais.

A Veracel diz que “mesmo tendo a legítima posse da terra e licenciamento ambiental, a Veracel decidiu interromper as atividades na área para garantir a integridade de seus colaboradores próprios e parceiros até que haja uma solução por parte das autoridades”, e que “as operações da empresa continuam normalmente em outros locais”.

“A Veracel está colaborando com as autoridades policiais para esclarecer as circunstâncias do ataque, entendendo que nenhuma alegação justifica a violência”, finaliza a nota da empresa.

O CORREIO não conseguiu contato com integrantes do grupo que realizou os ataques.

***

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