‘Vivo por um milagre’, diz promotor de Justiça sobre jovem espancado em Ondina

salvador
10.07.2019, 20:03:00
Atualizado: 10.07.2019, 20:34:21
MP-BA já investiga caso, diz Davi Gallo (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

‘Vivo por um milagre’, diz promotor de Justiça sobre jovem espancado em Ondina

Promotor Davi Gallo classifica caso como tentativa de homicídio duplamente qualificado

O promotor de Justiça Davi Gallo qualificou como tentativa de homicídio duplamente qualificado o espancamento do estudante de Direito Cayan Lima Silva Santana, 19 anos, na madrugada da última quarta-feira (3), após uma festa na área verde do Othon, no bairro de Ondina, em Salvador. O MP-BA instaurou um procedimento próprio para apurar o caso. Segundo o promotor, obedecendo a um padrão.

Em entrevista à imprensa, na tarde desta quarta-feira (10), Gallo disse estar sob posse de “novas peças”, que serão submetidas à perícia. Imagens enviadas ao Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), além de depoimentos, explicou Davi, colhidos “extraoficialmente”, não deixam dúvidas de que dois suspeitos - segundo ele, já identificados -, tentaram matar Cayan.

Contudo, Gallo salientou que o MP-BA vai aguardar Polícia Civil enviar, até a próxima quinta-feira (18), o que já colheu de informações e provas acerca do caso, que é acompanhado pela 7ª Delegacia (Rio Vermelho), sob a titularidade da delegada Lúcia Maria Janssen da Silva. 

“Aguardo a doutora concluir o procedimento e me encaminhar. Estou legitimado a atuar no caso, hoje ouvi oficialmente a vítima. Ainda tem prova para ser encaminhada, mas posso dizer, diante do que já tenho: estou diante de uma tentativa de homicídio duplamente qualificado, sem qualquer sombra de dúvida. A polícia só investiga, mas creio que a tipificação [da polícia] não seja diferente”, declarou. 

Davi explicou que quem chega à conclusão do tipo penal, neste caso, é o Ministério Público, o “dono da ação”. Na leitura do promotor, Cayan foi agredido por motivo torpe e não teve chances de defesa, o que justifica a dupla qualificação. 

Estudante de Direito passou cinco dias internado (Foto: Acervo Pessoal)

Inquérito policial
De acordo com o advogado da família do jovem, Ari Guarisco, no entanto, ainda não há um inquérito civil apurando o crime. "A vítima trouxe ao promotor informações valiosas, ele reforça o que as testemunhas já tinham dito, e a palavra dele é de grande valia. Consideramos um passo importante o MP-BA ter assumido a dianteira da investigação, estamos na expectativa", afirmou, ao lamentar que não há previsão para que o jovem seja ouvido pela polícia.

"O que importa é o trabalho que está sendo feito pelo Ministério Público, porque não tivemos qualquer contato com a delegada, não sentimos o interesse e não sabemos o porquê. O endereço de Cayan é conhecido, mas, por razão que eu desconheço, nenhum contato foi feito. Levamos as testemunhas e entregamos vídeos. O interesse sempre foi nosso. Não há uma portaria instaurada para apurar o caso, não existe, sequer, um termo circunstanciado, o que nos deixa perplexos", concluiu Guarisco.

Procurada pelo CORREIO, a Polícia Civil rebateu a afirmação do advogado, e garantiu que o inquérito policial foi instaurado no mesmo dia do crime, em 3 de junho. "A delegada Lúcia Jansen apura o fato. Todas as guias periciais já foram expedidas, testemunhas ouvidas e o relatório médico do hospital também já foi anexado aos autos. A vítima será ouvida em momento oportuno", afirmou a pasta, por meio da assessoria.

Pai da vítima acredita que filho era "alvo" (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

‘Vivo por um milagre’
Nas palavras de Gallo, a morte do estudante de Engenharia Kaíque Moreira Abreu, 22, em fevereiro do ano passado, também após ser espancado, serve como “ilustração” ao ataque sofrido pelo estudante de Direito.

“Cayan não morreu porque teve a intervenção de terceiros. É um caso igualzinho, só que o agressor de Kaíque está preso, cumprindo pena de 14 anos. O que está preso é negro e pobre, e eu estou aqui para dizer que a lei que vale para Chico, vale para Francisco”, reiterou, em referência ao pintor Edson Rodrigues dos Santos, 28, condenado, no início do mês passado, pela morte do estudante.

O estudante recebeu alta do Hospital do Exército, em Brotas, há dois dias. Nesta tarde, ele esteve na sede do MP-BA, no bairro de Nazaré, acompanhado da mãe, do pai, o advogado Ary Santana, além do advogado da família Ari Guarisco. O jovem, de acordo com Davi Gallo, está “vivo por um milagre”.  “Ele quase não conseguia falar. Hoje ele estava aqui, diante de mim, e é um milagre de Deus, porque não era para estar vivo”. 

À reportagem, o pai do estudante agredido contou que foi a primeira vez que ouviu a versão do filho, que estava "em frágil condição de saúde". Segundo ele, o estudante sofreu um "nocaute", que resultou em uma lesão no baço, um edema no pulmão, além de fratura no nariz e um ponto de sangramento na cabeça. O advogado disse que, conforme diagnóstico de um neurocirurgião, Cayan não corre mais riscos de morte.

'Ele era o alvo'
Embora esteja se recuperando bem, de acordo com o pai, o estado do jovem "inspira cuidados e repouso". Com a justificativa de que o jovem tem sofrido ameaças, Ary revelou que o jovem vai sair de Salvador para passar um tempo no interior.

"Esse pai está convicto, está certo, de que tentaram matar ele. Diante de informações privilegiadas, vídeos e depoimentos de pessoas que presenciaram toda aquela brutalidade contra ele, todos falam, sem pestanejar, meu filho era o alvo dos agressores".

De forma resumida, Ary contou que o jovem se desentendeu com os agressores, que conhecia "do ciclo social", ainda dentro da festa de música eletrônica Hype, e, ao deixar o local, foi seguido pelos agressores. "Lá dentro, ele tomou uma dianteira, mas conseguiu equacionar, com a ajuda dos amigos. Na parte externa, abruptamente, foi abatido, mesmo quando já havia saído da área de confronto", completou o pai da vítima.

Sem falar com a imprensa, Cayan deixou o MP-BA rumo a uma clínica, onde faria mais uma ressonância magnética. Embora esteja andando e se comunicando, Ary Santana afirmou que a rotina do filho está longe de voltar "à normalidade". 

Testemunhas prestaram depoimento no dia seguinte do crime  (Foto: Gabriel Amorim/CORREIO)

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