Vulcabras projeta crescimento de dois dígitos na fábrica em Itapetinga

donaldson gomes
27.07.2022, 14:00:00

Vulcabras projeta crescimento de dois dígitos na fábrica em Itapetinga

A receita líquida da empresa gestora de marcas esportivas alcançou faturamento de R$ 477 milhões e lucro líquido de R$ 54 milhões – um aumento de 270%, no melhor primeiro trimestre na história da companhia

A fábrica da Vulcabras, em Itapetinga, uma das duas unidades da empresa no Brasil, deve aumentar em mais de dois dígitos o volume de pares produzidos nos próximos trimestres, projeta o CEO da empresa, Pedro Bartelle, em entrevista exclusiva.  

Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras (Foto: Jarbas de Oliveira/Divulgação)

“A Bahia fazia calçados femininos, mas viemos adequando a estrutura de produção para produzir calçados esportivos. Então, nossa fábrica em Itapetinga é uma fábrica modelo, que não perde para nenhuma fábrica, que tem tudo de mais moderno, vem em ritmo de crescimento e projetamos um aumento de produção importante para ela nos próximos trimestres”, destaca Bartelle.

Segundo ele, a unidade sempre foi vista como uma “fábrica madura e que passou por grandes dificuldades, mas que hoje faz toda e qualquer tipo de tecnologia”. “Temos mão de obra muito boa, tem a dificuldade de estar no interior, com acessos rodoviários um pouco problemáticos, mas isso não é empecilho para nada. Estamos muito satisfeitos e com perspectivas de contratações e crescimento, principalmente para o ano que vem”, diz. Ele conta que este ano foram feitas contratações e a perspectiva é de novas oportunidades em 2023. 

“Nós vamos continuar crescendo, caso não haja nenhuma grande turbulência adicional no cenário econômico e político”, projeta Pedro Bartelle. No primeiro trimestre deste ano, a empresa cresceu 53%, em relação ao mesmo período de 2021. “Nossa estimativa de crescimento segue neste mesmo ritmo”, afirma. 

A receita líquida da gestora de marcas esportivas alcançou faturamento de R$ 477 milhões e lucro líquido de R$ 54 milhões – um aumento de 270%. Foi o melhor primeiro trimestre na história da companhia. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) chegou à marca de R$ 84 milhões, um aumento de 124% frente ao ano anterior.

A empresa possui mais de 16 mil colaboradores divididos em cinco unidades: nas duas plantas fabris localizadas em Horizonte (CE) e Itapetinga (BA); no centro administrativo em Jundiaí (SP), no Centro de Distribuição em Extrema (MG) e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento localizado em Parobé (RS).

Empresa lidera geração de empregos na indústria de transformação nos estados onde tem fábricas (Foto: Divulgação)

Segundo Bertelle, a Vulcabras é o maior empregador da indústria de transformação nos estados da Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. Para ele, há um reconhecimento em relação a isso, inclusive por parte do Poder Público, com medidas como a desoneração da folha. Para ele, o que precisa mudar é a visão em relação à capacidade tecnológica da indústria calçadista. 

“Nós produzimos calçados com chips embutidos em alguns modelos. Toda a tecnologia da Under Armour já é produzida aqui no Brasil. No caso da Mizuno, também. Estamos falando de tênis que custam R$ 1 mil”, destaca. Ele cita ainda um tênis que leva uma placa de propulsão de grafeno, desenvolvido em 18 meses, da Olympikus, que custa R$ 700 no Brasil, mas que sai por até R$ 1,7 mil, feito no exterior. 

“Nós temos tecnologia para fazer e, outra coisa, ganhamos a Maratona Internacional de São Paulo, a do Rio e a de Porto Alegre com este tênis, competindo com todos os outros”, conta. 

Vulcabras criou tênis com base de propulsão de grafeno (Foto: Divulgação)

A Vulcabras está completando 70 anos com um retorno ao passado. A empresa, que se tornou conhecida pelos calçados masculinos da linha 752, ingressou na produção de modelos esportivos na década de 70 – mercado em que foi pioneira no país, trazendo diversas marcas. Mais recentemente, em 2007, se associou com a Azaleia, para a fabricação de calçados femininos – foi quando se iniciou a história da empresa na Bahia.

Desde 2002, a empresa licenciou as linhas femininas e vem focando na produção dos modelos esportivos, conta Pedro Bartelle. Hoje o foco da empresa está 100% nos produtos da Under Armour, Mizuno e Olympikus. “Optamos pelo esporte para nos especializarmos mesmo e criar uma empresa de maior valor”, explica. 

Segundo Bartelle, atualmente as áreas de criação, tecnologia e mão de obra da empresa no Brasil não perdem em nada para as concorrentes asiáticas. “O Brasil é o quarto maior produtor de calçados no planeta, é o único relevante que sobrou fora da Ásia”, destaca. 

Citando dados do setor calçadista nacional, ele acrescente ainda que a indústria nacional tem maior produtividade que a asiática, com uma produção maior de pares por trabalhador, porém perde em dois aspectos. “A nossa principal desvantagem é o custo de mão de obra. Lá se paga menos da metade do que a gente oferece ao trabalhador no Brasil. E como é uma atividade intensiva em mão de obra, gera uma desvantagem de custo”, explica. 

Indústria passou por processo de reestruturação nos últimos anos (Foto: Divulgação)

Outro aspecto apontado por Bartelle foram as práticas de dumping, que é a comercialização de produtos abaixo dos custos de produção. “Com as crises no mercado internacional lá atrás, essas empresas asiáticas reduziram as vendas nos mercados desenvolvidos e passaram a oferecer os produtos para mercados emergentes, muitas vezes abaixo dos preços de custos”, conta. “Houve até a aplicação de uma tarifa antidumping contra produtos chineses, mas as exportações não diminuíram, apenas mudaram da China para Vietnã e outros”. 

“Nós temos uma mão de obra muito produtiva, trabalhadores muito criativos, mas que às vezes precisam competir com uma situação desleal”, avalia. 

Segundo ele, para fazer frente ao cenário, a Vulcabras precisou investir num processo de reestruturação. Segundo ele, hoje em dia a competição está mais equilibrada. “Tivemos que reestruturar e a decisão foi concentrar a produção em nossa maior unidade na Bahia e no Ceará, para poder salvar o negócio. É melhor manter uma boa parte do negócio”, avalia. 

“De lá para cá, crescemos e caminhamos para gerar cada vez mais empregos. Nós torcemos que o Brasil continue protegendo o seu mercado da concorrência desleal com impostos de importação”, diz. “Se todos os países se protegem contra uma produção que não respeita as leis de ESG e que ganham espaço no mercado externo pelo preço. Eu acho que os errados não somos nós, são eles”, avalia. 

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