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Da Redação
Publicado em 29 de junho de 2016 às 05:00
- Atualizado há 3 anos
No primeiro tempo, chegou a parecer que o pesadelo brasileiro dos 7x1 se repetiria em versão eslovaca. A Alemanha tocava a bola e encurralava o adversário; em campo, sete dos 11 titulares do massacre do Mineirão. Neuer, Boateng, Hummels, Khedira, Kroos, Ozil e Muller, novamente protagonistas, trocavam passes e preparavam o bote. Boateng marcou de fora da área, Ozil perdeu um pênalti, o goleiro eslovaco Kozakic impediu dois gols, Mario Gomez, no papel de Klose em 2014, marcou o segundo. A Alemanha chegou a ter 70% da posse de bola. O massacre não se consumou, mas ficou claro que os alemães continuam favoritos não apenas para esta Eurocopa como para a Copa do Mundo da Rússia 2018.Para a torcida brasileira, o preocupante é ver como os adversários parecem evoluir ou mesmo se renovar enquanto a nossa seleção parece incapaz de fazer uma coisa ou outra. O jogaço entre Itália e Espanha mostrou dois campeões do mundo em renovação. A Azzurra, com sua mescla de defesa experiente com ataque jovem, eliminou a bicampeã Espanha que ainda busca a melhor combinação ofensiva para encaixar com o talento de um meio-campo com Andres Iniesta e David Silva e uma zaga com os excelentes Piqué e Sergio Ramos. Alemanha, Itália e Espanha - muito provavelmente - estarão na Rússia e com seleções poderosas. Dois anos antes, vão pavimentando seu caminho, cada qual a sua maneira, as três muito à frente do Brasil. E, caso nossa seleção chegue lá, como imagino que aconteça, poderemos ter ainda a França de Pogba, Griezmann e Benzema e a Bélgica de Hazard, De Bruyne e Courtois. Nesta Eurocopa, ainda foi possível ver evolução e bom futebol da Hungria, da Polônia e até de Gales.É tudo muito assustador para o torcedor de uma seleção que não conseguiu passar da primeira fase da Copa América numa chave com Equador, Peru e Haiti. É triste para quem conquistou a Copa do Mundo cinco vezes ficar secando os rivais da Argentina e torcendo para que Lionel Messi cumpra sua promessa de deixar a seleção e facilitar a classificação brasileira para a Copa do Mundo na Rússia.Atrapalhada pelos erros de Heber Roberto Lopes, que exagerou nas expulsões e tornou os times mais cautelosos, a final da Copa América mostrou quais são as melhores seleções da América do Sul. Serviu para lembrar que não temos um goleiro como Claudio Bravo - e nem perto de Neuer, Buffon ou De Gea. Serviu para ver o que não temos um volante com a capacidade de marcação, organização e liderança de Javier Mascherano. Para evidenciar que Arturo Vidal seria titular absoluto da seleção brasileira e como ter um atacante como Aguero ou mesmo Higuaín facilitaria a vida de Neymar.A missão de Tite não é fácil, mas, pelo menos, agora a seleção brasileira tem um treinador de verdade em seu comando.NO TE VAYAS, LIO Uso a manchete do Olé para entrar na campanha para que Lionel Messi não deixe a seleção. O futebol precisa de Messi, o maior craque da atualidade, e todos seus apaixonados merecem vê-lo tanto com a camisa do Barcelona quanto com a da Argentina. Ninguém pode cobrar de Messi que ele seja tão espetacular na seleção como é no clube. Cristiano Ronaldo e Neymar também não são e pelos mesmos motivos: estão melhor acompanhados e têm mais tempo para treinar. Fica Messi, os deuses do futebol sempre vão te recompensar.A HORA DE DIZER ADEUSPor mais identificado que seja com o time, o capitão também tem sua hora de dizer adeus. Melhor que seja com o senso do dever cumprido, com sua equipe na Série A, sabendo que o sucesso só foi possível por liderar um time cheio de craques.*Oscar Valporto é editor-chefe e escreve às quartas-feiras.>