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Rodrigo Daniel Silva
Publicado em 2 de junho de 2026 às 14:38
Diante dos desafios enfrentados pela educação baiana - entre eles os baixos índices de aprendizagem em língua portuguesa e matemática no ensino médio e os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador da qualidade do ensino no país -, o debate sobre o tema ganhou destaque nesta terça-feira (2). Com esse objetivo, a Fundação Índigo, entidade vinculada ao União Brasil e presidida pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto, promoveu o evento SOS Educação Bahia - Caminhos para mudar a educação no estado. >
Realizado no Hotel da Bahia by Wish, em Salvador, o encontro reuniu o ex-ministro da Educação Mendonça Filho e o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Renato Feder. Pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto afirmou que a iniciativa buscou apresentar experiências bem-sucedidas de outras unidades da federação que conseguiram avançar nos indicadores educacionais e discutir alternativas para melhorar a qualidade do ensino no estado.>
Evento da Fundação Índigo discute educação na Bahia
“Queremos fazer (com o evento) um contraponto do que o PT aqui na Bahia prega, do que o governador Jerônimo Rodrigues prega, de que os problemas da Educação acontecem em todo lugar. Não é verdade. A gente tem muitos jovens e crianças no Brasil que estão aprendendo de verdade e estão progredindo e prosperando na vida a partir da educação pública”, declarou Neto, em entrevista à imprensa. >
ACM Neto reafirmou que, caso seja eleito governador, vai revogar a portaria da aprovação automática no dia 1º de janeiro de 2027. “Caso eu tenha a oportunidade de ser governador, a primeira medida, no primeiro dia de governo, é revogar o decreto do governador Jerônimo Rodrigues que instituiu a aprovação automática aqui na Bahia. A aprovação automática é um crime. É uma agressão contra os alunos e suas famílias”, ressaltou.>
O ex-prefeito também criticou os resultados da educação baiana e afirmou que o decreto instituído em janeiro de 2024 foi adotado para melhorar indicadores educacionais. “O governador fez tudo isso apenas com o propósito de maquiar a nota do Ideb. Afinal de contas, a Bahia ocupa uma das piores posições no Brasil no Ideb, em qualidade do ensino”, afirmou.>
Os dados mais recentes do Ideb, referentes a 2023 e divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que a Bahia alcançou 5,3 pontos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano). Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o estado registrou 4,2 pontos, enquanto no ensino médio obteve 3,9 pontos. Nas duas últimas etapas, o desempenho ficou abaixo das metas projetadas pelo Ideb.>
Durante o evento, Renato Feder apresentou as principais medidas implementadas pela Secretaria da Educação de São Paulo para elevar a qualidade do ensino e melhorar os indicadores educacionais do estado.>
“Em primeiro lugar, tem que fazer o arroz e feijão bem feito. O que a gente fez? Aumentamos a carga horária das aulas de matemática e de português. Fizemos mais provas, garantimos que a aula fosse bem dada. Apoiou o professor. Entregou bons livros. Então, a primeira parte é isso”, explicou Feder.>
Segundo ele, o governo também adotou um sistema de metas individuais para os docentes, vinculando parte da remuneração ao desempenho dos estudantes. “Se eu sou professor de física, matemática ou biologia, posso receber o 14º e o 15º salário de acordo com o aprendizado dos meus alunos”, afirmou.>
Feder ressaltou ainda outras iniciativas implementadas pelo estado, como a aplicação de avaliações em escolas municipais e a definição de metas para as unidades de ensino. De acordo com ele, o governo oferece um incentivo financeiro de R$ 100 por aluno para as escolas, e algumas chegam a receber cerca de R$ 50 mil.>
Ao comentar os indicadores de desempenho escolar, o secretário afirmou que a frequência dos alunos é um dos principais sinais da qualidade da educação. “Se é alta, a escola está saudável. Se é baixa, está doente”, disse, ao salientar que o ideal é ter 95% dos estudantes na sala de aula.>
Feder salientou a importância da infraestrutura, mas ponderou que ela, sozinha, não garante bons resultados. “Infraestrutura é importante. Mas pode ter a melhor infraestrutura e a educação ruim, se não cuidar e ajudar o professor a dar uma boa aula. O aluno tem que sair preparado para a vida”. >
Já o ex-ministro da Educação Mendonça Filho defendeu uma maior cooperação entre o governo estadual e os municípios como caminho para melhorar os indicadores educacionais da Bahia.>
“É preciso dar ênfase a políticas educacionais voltadas para a alfabetização. Tem que ter um programa de cooperação entre o governo do estado e os municípios, a quem cabe lidar com a política de alfabetização. Precisa ter uma política de formação de professores, tanto inicial quanto continuada, além de ampliar a educação em tempo integral com ênfase na qualidade da gestão escolar, que impacta diretamente o desempenho dos alunos em sala de aula”, analisou ele.>
No final do evento, ACM Neto assinou uma carta de compromisso com propostas para melhorar a educação no estado. O SOS Educação Bahia foi o último evento promovido pela Fundação Índigo. Antes dele, a instituição já havia realizado encontros para debater temas como segurança pública, saúde e os impactos da seca na Bahia.>