Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

'Lula não tem muita vantagem para administrar na campanha', afirma analista político

Manoel Fernandes estará em Salvador na próxima terça-feira (7) para participar do Encontro Aberje Nordeste

  • Foto do(a) author(a) Rodrigo Daniel Silva
  • Rodrigo Daniel Silva

Publicado em 3 de abril de 2026 às 06:00

O jornalista e analista político Manoel Fernandes O jornalista e analista político Manoel Fernandes
O jornalista e analista político Manoel Fernandes Crédito: Divulgação

O jornalista e analista político Manoel Fernandes, que estará em Salvador na próxima terça-feira (7) para participar do Encontro da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) Nordeste, analisa, nesta entrevista, o cenário político-eleitoral brasileiro. Na avaliação dele, a polarização deve permanecer no país, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não terá ampla vantagem. 

“O erro do presidente Lula nessa campanha tem que ser muito menor do que foi em outras, porque a margem é muito curta”, ponderou. Fernandes ainda falou sobre os impactos da Inteligência Artificial (IA). “Em uma disputa eleitoral muito acirrada, pode decidir”, acrescentou.

Com o tema “Relações Governamentais como ativo estratégico”, o encontro será no auditório do Edifício Liz Empresarial, no bairro do Caminho das Árvores.

Como observa o atual cenário político brasileiro marcado pela polarização entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro?

É algo que nós temos que aprender a conviver, porque ela já está colocada e não vai sair desse cenário no curto prazo. A gente tem uma eleição à vista em outubro, que vai refletir mais uma vez essa polarização. Acho que a gente, como sociedade, tem que entender o que está acontecendo, discutir, debater, refletir, mas é algo com o qual vamos ter que conviver, para o bem e para o mal.

Há algum favoritismo entre esses candidatos, na sua avaliação?

Naturalmente, o candidato favorito é aquele que tem o cargo, no caso, o presidente Lula. Só que, na nossa avaliação, será uma eleição muito apertada, muito difícil, com uma diferença muito curta, de 3% a 5% do eleitorado. Mais ou menos o que aconteceu na eleição passada, quando o presidente Lula ganhou por dois pontos percentuais.

Isso reflete exatamente a polarização: hoje existem dois lados, cada um com metade do país. Lula é o favorito, mas não tem muita vantagem para administrar na campanha. Então, o erro do presidente Lula nessa campanha tem que ser muito menor do que foi em outras, porque a margem é muito curta.

Qual é o perfil do eleitorado decisivo?

É aquele eleitorado do meio, que não está alinhado nem a um lado nem ao outro. Por isso, é uma eleição muito indefinida. É um eleitorado presente nas grandes cidades, nas regiões metropolitanas, como Salvador. É muito preocupado com temas do dia a dia. Por exemplo, em São Paulo, a grande preocupação é roubo de celular, motoqueiro. Na Bahia, a violência também está entre as mais altas do país. O candidato que conseguir mexer nesses temas de maneira mais organizada é quem vai falar com esse eleitor.

Tem também uma faixa entre 16 e 24 anos, que está buscando perspectivas que não são colocadas claramente. As pessoas querem prosperar. Para isso, precisam de um ambiente econômico saudável, incentivo ao empreendedorismo, coisas que não se apresentam hoje.

Há frustração do eleitorado com o governo Lula?

Na realidade, eu acho que é um cansaço. O governo gerou ganhos significativos desde a primeira eleição, mas as pessoas estão vendo um pouco a mesma novela em reprise. Não há um apontamento claro de projeto de país. As pessoas começam a pensar se existe alternativa.

O tema da ameaça à democracia pode voltar a pautar a eleição?

Não. Acho que esse tema já foi esgotado. Quem achar que pode reavivar vai cometer um erro estratégico. Foi muito importante, a sociedade precisou discutir, mas hoje as pessoas querem entender o que vão fazer da vida delas nos próximos anos. Querem segurança, querem olhar para os filhos e enxergar um futuro melhor. Isso é o que vai definir a agenda.

A segurança pública pode ser o principal tema?

Em estados como a Bahia, será. As pessoas estão se sentindo inseguras. Mas tem uma questão: a percepção de insegurança crescerá muito mais em função dos que as pessoas vão falar em redes sociais. A distância entre realidade e percepção aumentou muito. O candidato que souber lidar com isso vai ter vantagem.

Existe um tema nacional ou as campanhas serão mais regionais?

Cada vez mais, terá que ter discursos geolocalizados. Não adianta falar em Salvador de temas que são de São Paulo. A realidade é diferente. Os discursos genéricos estão gerando cansaço.

Como vê o cenário eleitoral na Bahia?

Ainda está indefinido. O PT está há muito tempo comandando o estado. Na última eleição, Lula entrou e deu a vitória ao governador. Não sei se isso vai se repetir. O jogo na Bahia está indefinido.

Por que Lula perdeu apoio no Nordeste?

Eu vejo mais como cansaço. As pessoas reconhecem o que foi feito, são gratas, mas querem mais.

Qual será o impacto da inteligência artificial na eleição?

Vai ser um uso muito forte, até indiscriminado. E com pouca capacidade de controle das consequências. A inteligência artificial pode criar conteúdos falsos muito convincentes. Em uma disputa eleitoral muito acirrada, como a de deputado estadual e federal, pode decidir. Porque pode mexer em 1 ou 2 mil votos. A inteligência artificial pode definir a suplência de deputados estaduais e federais.