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Mineração na Chapada dos Veadeiros: entenda a revisão do Plano de Manejo da APA de Pouso Alto

Governo de Goiás analisa flexibilização de normas ambientais para exploração de minerais estratégicos; entenda o impacto para o Cerrado e os próximos passos das consultas públicas

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 12 de maio de 2026 às 10:35

Preservação em jogo: Horizonte da Chapada dos Veadeiros, em Goiás; revisão de plano ambiental pode abrir espaço para mineração em áreas protegidas.
Preservação em jogo: Horizonte da Chapada dos Veadeiros, em Goiás; revisão de plano ambiental pode abrir espaço para mineração em áreas protegidas Crédito: Paulo gustavo, Pexels

O governo de Goiás voltou a discutir mudanças nas regras ambientais da Chapada dos Veadeiros, no Centro-Oeste brasileiro. A revisão do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) de Pouso Alto, conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), pode flexibilizar restrições para a exploração de minerais críticos na região.

Mapa estratégico: Parceria entre Brasil e Estados Unidos coloca minerais da região de Pouso Alto no radar do mercado internacional de tecnologia por Divulgação, APA de Pouso Alto

Goiás no mapa estratégico dos minerais críticos

As discussões ganharam tração após articulações do governo de Goiás com representantes dos Estados Unidos para ampliar o acesso a terras raras e minerais estratégicos, insumos considerados essenciais para as indústria tecnológica e enérgica global.

Em meio ao avanço das tratativas, a Semad realizou, no último final de semana (8 e 9 de maio), oficinas técnicas para discutir alterações no plano ambiental que regula uma das áreas mais sensíveis do Cerrado brasileiro. O encontro em Colinas do Sul serviu para mapear o potencial de exploração em face da necessidade de preservação hídrica.

Acordo com os EUA aumenta interesse pelas terras raras

Firmado em março de 2026, o memorando prevê uma cooperação de 15 anos voltada à exploração mineral em território goiano, buscando maior participação do Brasil no fornecimento de insumos usados na fabricação de baterias, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia.

As negociações ganharam novo impulso após a compra da mineradora Serra Verde pela USA Rare Earth. A operação bilionária ampliou o interesse internacional nas terras raras do interior goiano.

Revisão ambiental: o alerta para as águas do cerrado

A atividade mineral envolve processos químicos complexos e pode afetar o equilíbrio ambiental dos recursos hídricos da região. Especialistas demonstram preocupação com possíveis impactos sobre nascentes do Cerrado e rios reconhecidos pela biodiversidade e importância no abastecimento de diferentes bacias do país.

A Semad afirma que não existe autorização de lavra na região da APA de Pouso Alto. Segundo a pasta, a revisão do plano ambiental está concentrada na analise de critérios técnicos, jurídicos e ambientais, antes de qualquer definição sobre a liberação da atividade mineral.

Um patrimônio de biodiversidade sob os holofotes

Entre cânions, cachoeiras e formações rochosas que atravessam milhões de anos, a Chapada dos Veadeiros abriga uma das paisagens mais emblemáticas do Cerrado brasileiro.

Além do potencial turístico, a região é conhecida pela sua vegetação preservada, rios de águas transparentes e forte presença de nascentes que ajudam a abastecer importantes bacias hidrográficas do país.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Chapada dos Veadeiros concentra mais de 200 nascentes e cerca de 40% das águas que alimentam as bacias do São Francisco, Paraná e Paraguai.

Por causa da relevância hídrica, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) — órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações — e especialistas da rede de monitoramento ambiental classificam o Cerrado como a “caixa d’água do Brasil”. A classificação ressalta que o impacto em Veadeiros reverbera em bacias que abastecem desde o agronegócio até grandes centros urbanos.

Na APA de Pouso Alto, ambientalistas alertam para os riscos que envolvem o equilíbrio hídrico. Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) alerta que atividades antrópicas nessa região podem comprometer até 30% do fluxo hídrico local, podendo ampliar a urgência nas medidas de proteção à Biodiversidade.

A voz da comunidade nas consultas públicas

Após as oficinas realizadas em Colinas do Sul, o governo de Goiás deve avançar para uma nova rodada de consultas públicas sobre as mudanças no Plano de Manejo da APA de Pouso Alto. A próxima fase prevê debates com moradores, entidades ambientais e representantes locais.

A possível liberação da atividade mineral na região segue condicionada à conclusão dos estudos técnicos e à análise das contribuições apresentadas pelas comunidades afetadas.

O desfecho da revisão ambiental vai definir os limites entre o avanço da exploração de terras raras e a preservação de uma das áreas mais sensíveis e bonitas do Cerrado.

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