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Nova regra sobre saúde mental no trabalho entra em vigor e prevê multas de até R$ 44 mil para empresas de todos os tamanhos

Atualização da lei trabalhista obriga companhias a monitorar estresse, assédio e esgotamento

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 26 de maio de 2026 às 12:23

Veja o que muda na rotina do trabalhador com a nova lei de saúde mental
Nova regulamentação da lei trabalhista aperta o cerco contra o burnout e prevê punições financeiras para empresas que ignorarem a saúde mental das equipes. Crédito: Reproduçãoo/Canvas

A partir de hoje, a gestão do bem-estar dos funcionários deixa de ser uma escolha das empresas e vira obrigação legal em todo o Brasil. Entrou em vigor nesta terça-feira, 26/05, a nova regulamentação do Ministério do Trabalho e Emprego que exige o monitoramento, a avaliação e o combate prático aos riscos psicossociais dentro das corporações. A mudança, que atualiza a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), transforma problemas como jornadas exaustivas, metas abusivas, assédio moral e omissão da chefia em infrações diretas à legislação trabalhista.

Ambiente corporativo em transformação: a partir desta terça-feira, o combate ao estresse e ao assédio vira obrigação legal para todas as empresas brasileiras. Reprodução/Canvas por Reproduçãoo/Canvas

Até então, programas voltados para a saúde mental eram vistos no mercado como um benefício opcional ou um atrativo para melhorar o clima interno. Agora, a realidade muda para qualquer negócio que contrate profissionais pelo regime da CLT, independentemente do setor de atuação ou do número de funcionários na equipe. Quem descumprir as exigências fica sujeito à fiscalização imediata e a penalidades financeiras que prometem pesar no orçamento corporativo.

Explosão de afastamentos motivou o cerco da lei

A decisão do governo federal de endurecer as regras contra as causas do adoecimento psíquico foi impulsionada por dados alarmantes da Previdência Social. No ano passado, o INSS contabilizou mais de 546 mil afastamentos do trabalho, sejam temporários ou definitivos, provocados por transtornos mentais e comportamentais, com destaque para crises de ansiedade, depressão profunda e a síndrome de burnout. Esse volume de profissionais afastados por problemas psicológicos dobrou em um intervalo de dez anos, acendendo um sinal vermelho para os cofres da saúde pública e para a produtividade da economia do país.

Para evitar um choque de gestão no mercado, o Ministério do Trabalho ofereceu um prazo de doze meses de adaptação antes de começar a aplicar as punições, que começou em 2025. Durante esse período de carência, as ações fiscais tiveram foco estritamente educativo para que os empregadores pudessem ajustar suas dinâmicas internas. Com o fim desse prazo, a tolerância zero passa a valer para as irregularidades.

Entrevistas e fiscalização rigorosa nas empresas

A partir de agora, os auditores fiscais do trabalho vão exigir que o mapeamento desses fatores psicológicos e sociais esteja integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de cada estabelecimento. Os técnicos do ministério alertam que não haverá espaço para documentos genéricos ou criados apenas para cumprir protocolo. A fiscalização vai cruzar os dados apresentados com a rotina real das equipes, monitorando de perto indicadores como o índice de rotatividade de funcionários, o histórico de faltas e até realizando conversas confidenciais e diretas com os trabalhadores.

As punições financeiras foram calculadas com base no porte da empresa e no nível de gravidade de cada caso. A ausência de um programa de gestão atualizado ou a omissão diante de casos visíveis de estresse crônico e assédio pode render multas que começam em R$ 1.700 e passam de R$ 5.200 por cada item em desacordo com a lei. Em situações mais graves ou quando há reincidência, o acumulado das penalidades pode chegar perto de R$ 44 mil. Além do prejuízo financeiro, os estabelecimentos correm o risco de ter setores inteiros interditados caso os fiscais constatem perigo iminente à integridade da equipe.

O caminho prático para a regularização

A nova legislação não obriga as empresas a manterem psicólogos contratados em tempo integral em suas folhas de pagamento, um ponto que gerava preocupação principalmente entre os pequenos e médios empresários. O texto legal permite que as companhias recorram a consultorias especializadas e profissionais terceirizados para elaborar as estratégias de prevenção.

Na prática, as empresas precisam estruturar pesquisas de clima organizacionais anônimas e aplicar questionários com validação internacional para entender a real situação do ambiente. Também será necessário treinar as lideranças para que saibam identificar os primeiros sinais de esgotamento nos times. Todos os riscos identificados devem compor um inventário técnico dividido por prioridades.

Com o diagnóstico em mãos, os gestores precisam comprovar que adotaram medidas reais de mudança na rotina, como o redesenho de metas inatingíveis, a limitação de horas extras abusivas e a implementação de canais de denúncia totalmente seguros contra episódios de assédio.

Tags:

Brasil Empresas Saúde no Trabalho Saúde Mental