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Maiara Baloni
Publicado em 26 de maio de 2026 às 09:30
Pedir a aposentadoria rural no INSS ficou mais difícil nos últimos anos. O motivo não é a mudança na idade ou nos direitos, mas sim a tecnologia. Com o sistema agora totalmente digital, o trabalhador do campo precisa provar o que fez na lavoura direto na tela do celular ou do computador. Diante dessa barreira tecnológica, juntar os documentos certos e saber apresentar as provas virou a parte mais importante para garantir o benefício. >
FILA NACIONAL DO INSS
O INSS divide a aposentadoria do campo em duas regras:>
O caminho para comprovar o trabalho >
Tudo agora é feito pela internet, no site ou aplicativo Meu INSS. A forma de comprovar muda de acordo com o ano em que o trabalho foi feito:>
Para ajudar a aprovar o pedido, o trabalhador deve anexar papéis antigos. Valem contratos de arrendamento, blocos de notas de produtor, notas fiscais, registros de imóveis rurais e o comprovante do imposto da terra (ITR). Até certidões antigas de casamento ou nascimento que citem a profissão de agricultor servem. Para os indígenas, a Funai emite uma certificação eletrônica. >
Embora a previdência rural registre um saldo negativo, fechando o balanço de 2024 com um deficit de R$ 187,1 bilhões devido a uma despesa de R$ 196,9 bilhões contra uma arrecadação de R$ 9,8 bilhões, o dinheiro pago aos aposentados sustenta as pequenas cidades brasileiras. O INSS injeta no interior um valor médio de R$ 1.524,25 por beneficiário, um recurso que vai direto para o comércio de proximidade. Pesquisas do Ipea mostram que em 70% dos municípios do país, o montante total recebido pelos idosos rurais supera a própria arrecadação de impostos locais e os repasses do Fundo de Participação dos Municípios, sustentando farmácias, mercados e feiras. >
O mapa dessas concessões mostra que a região Sul concentra a maior fatia de beneficiários do país, respondendo por 46,3% do total nacional, com destaque para o Rio Grande do Sul, que lidera o ranking com 428 mil aposentados rurais, seguido por Paraná com 375 mil e Santa Catarina com 211 mil. O Nordeste aparece em seguida com 29% das concessões, vindo antes do Sudeste com 18,2% e do Centro-Oeste com 18,1%, onde Goiás se destaca com 170 mil registros e o Distrito Federal contabiliza 33,5 mil aposentados. Já os menores volumes estão na região Norte, que detém 6,4% do total do país, registrando cerca de 5.000 pessoas em Roraima, 6.500 no Acre e perto de 7.000 beneficiários no Amapá.>
Dados do Tribunal de Contas da União mostram que apenas 22% dos trabalhadores rurais conseguem o benefício de forma imediata na plataforma. Os outros 78% esbarram em exigências por falta de documentos ou por dificuldades em lidar com o sistema eletrônico. Por causa dessa lentidão e da informalidade histórica no campo, muita gente precisa recorrer aos tribunais, fazendo com que a taxa de concessão de aposentadorias rurais por via judicial atinja 34,8%, um índice muito superior aos 13,8% registrados na área urbana. >
Como o sistema se tornou complexo para quem vive isolado, os sindicatos rurais ligados à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) viraram o principal ponto de apoio desses trabalhadores. Essas entidades auxiliam o produtor a preencher os dados do e-Social, emitir a papelada da terra e regularizar impostos. Os sindicatos que possuem acordo de cooperação técnica com o INSS facilitam o trâmite na plataforma eletrônica, e a própria ficha de associado ajuda a comprovar os anos de trabalho na lavoura. >