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Maiara Baloni
Publicado em 11 de maio de 2026 às 06:14
A imensidão da floresta amazônica abriga uma malha aérea que opera à margem das autoridades e é apontada como peça central para a viabilização do garimpo ilegal. Levantamentos técnicos do MapBiomas indicam a existência de 2.869 pistas clandestinas na Amazônia, revelando a escala de um desafio que ultrapassa a infraestrutura básica; desse total, 804 estão localizadas dentro de áreas protegidas, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. >
Amazônia sob as asas do garimpo: veja onde ficam as quase 3 mil pistas que sustentam o crime
Essa rede aérea é descrita por órgãos de fiscalização como um canal para o fluxo de combustível, mantimentos e equipamentos pesados. Segundo o MapBiomas, 456 pistas clandestinas estão situadas a menos de cinco quilômetros de zonas garimpadas. Na Terra Indígena Yanomami, o levantamento aponta que 33,7% das pistas mapeadas estão nessa faixa de proximidade de até 5 km em relação aos pontos de exploração mineral. >
A concentração geográfica dessas pistas reflete as áreas de maior pressão mineral no país, com os estados de Mato Grosso, Pará e Roraima liderando o ranking de registros. Dentro desse mapa, municípios paraenses como Itaituba, Jacareacanga, Altamira e São Félix do Xingu consolidaram-se como polos logísticos. Em muitas dessas regiões, a aeronave torna-se a principal forma de acesso, sendo utilizada para suprir garimpos encravados em locais sem rotas terrestres ou fluviais viáveis. >
Mesmo com operações de repressão, a rede de pistas clandestinas demonstra sinais de expansão. Dados do Ministério Público Federal (MPF) indicam que, apenas na Amazônia Ocidental, o número de estruturas irregulares saltou de 749 em 2024 para 844 em 2025 — uma alta de 12,68% que evidencia a agilidade da logística clandestina frente à capacidade de resposta do Estado. >
Relatórios da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apresentados em audiência informada pelo Ministério Público Federal sinalizam que o mapeamento de pistas sem autorização pode ultrapassar 1.200 em toda a região amazônica. O MPF destaca que a eficácia da fiscalização enfrenta gargalos devido à fragmentação de competências e limitações operacionais entre órgãos como Ibama, Anac e as Forças Armadas, o que dificulta a inutilização definitiva dessas estruturas. >
Além do dano ambiental, a aviação clandestina amplia a vulnerabilidade de povos indígenas e comunidades isoladas ao dificultar a ação de agentes de fiscalização e assistência. Enquanto a resposta federal permanece concentrada em poucos territórios, como em Roraima, a malha de pistas clandestinas segue ativa e reforça a logística do garimpo ilegal na Amazônia. >