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Maiara Baloni
Publicado em 28 de maio de 2026 às 05:00
O transporte escolar público deu o primeiro passo rumo à eletrificação. Este mês, um ônibus movido inteiramente a bateria começou a circular em uma rota regular de ensino especial, ligando a Estrutural ao Guará, no Distrito Federal. O projeto-piloto é coordenado pela Sociedade de Transportes Coletivos de Brasília (TCB), estatal que gerencia o serviço na região, e atende alunos do Centro de Ensino Especial (CEE) 01 do Guará. >
Do bonde ao ônibus elétrico em Salvador
O objetivo do teste de campo é avaliar o comportamento do veículo no tráfego urbano cotidiano. Engenheiros e técnicos monitoram a autonomia real da bateria, o tempo de recarga na garagem, os gastos com energia e a eficiência do ar-condicionado. Os relatórios gerados vão balizar as decisões da estatal, que estuda exigir frotas com emissão zero nas próximas licitações e renovações de contratos com empresas privadas.>
A escolha da linha atende a critérios técnicos e sociais. Como transporta estudantes com deficiência física ou mobilidade reduzida, a estrutura do veículo elimina barreiras: conta com rampas de acesso e espaço reservado para cadeiras de rodas, substituindo as escadas altas dos modelos convencionais a diesel. >
Outra mudança imediata na rotina é o silêncio. Por funcionar com motor elétrico, o ônibus não emite ruídos nem vibrações mecânicas durante o percurso. Esse ambiente mais tranquilo ajuda a reduzir o estresse e o cansaço dos alunos no deslocamento diário até a escola.>
O modelo escolhido é o chinês Ankai OE-9, fabricado pela montadora Ankai (do grupo JAC Motors) e trazido ao país em parceria com o Grupo SHC. Com autonomia para rodar cerca de 200 quilômetros por carga completa, o veículo atende ao circuito diário atual sem necessidade de paradas. O abastecimento total das baterias leva cerca de 3 horas e meia na garagem da empresa.>
O principal obstáculo para a expansão do sistema ainda é o preço inicial de compra. No Brasil, um veículo elétrico custa entre R$ 1,5 milhão e R$ 3,4 milhões, duas a três vezes mais que um modelo convencional. No entanto, o investimento se inverte no dia a dia: o custo operacional com energia cai até 75% em relação ao combustível fóssil. >
Como o motor elétrico é mecanicamente mais simples e exige menos trocas de componentes, as despesas de manutenção caem pela metade. Essa economia combinada compensa o aporte inicial em um período estimado de 6 a 8 anos de uso regular.>
Enquanto capitais como São Paulo, Salvador, Goiânia e Porto Alegre já utilizam ônibus elétricos nas linhas urbanas regulares para a população geral, o transporte escolar nacional ainda se restringia a feiras e protótipos, como os modelos da Eletra. O teste da TCB é o primeiro em circulação prática diária no ensino público brasileiro. Para expandir o projeto, a estatal já estuda linhas de financiamento para viabilizar a compra dos veículos e a infraestrutura de recarga pelas empresas parceiras.>