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Maiara Baloni
Publicado em 13 de março de 2026 às 14:10
Com a retomada das atividades legislativas em 2026, o Congresso Nacional aprovou um orçamento total de R$ 6,5 trilhões na Lei Orçamentária Anual (LOA 2026, Lei nº 15.346), com foco em despesas operacionais conhecidas como "custo da casa". >
Ao olharmos para esse cenário, a pergunta sobre o tamanho desses gastos torna-se inevitável. Para entender essa conta, é preciso separar o "custo da casa", verbas fixas como salários e manutenção da Câmara e do Senado, do "poder da caneta", as emendas parlamentares de R$ 61 bilhões alocadas para obras regionais.>
O custo do Congresso Nacional
Não estamos falando de valores irrelevantes. Segundo dados do Portal da Transparência (2025-2026), cada deputado federal custa, em média, R$270 mil por mês, totalizando R$3,2 milhões por ano. Esse montante engloba salário de R$46.366, verba de gabinete (até R$125 mil), Cotão (média de R$44.952) e auxílio-moradia (R$4.253). Para os 513 deputados, isso soma cerca de R$1,4 bilhão anuais em itens diretos. >
Quando comparamos o Brasil com países como EUA e Reino Unido, a principal diferença é a "espinha dorsal" do gabinete. Enquanto parlamentos europeus trabalham com equipes enxutas (de 7 a 12 assessores), a Câmara brasileira mantém 14.001 servidores, uma das maiores proporções do mundo, segundo registros dos portais oficiais de transparência legislativa. >
Para comparação, a Câmara dos Deputados tem 51% mais servidores que o equivalente nos Estados Unidos (9.247 totais), conforme dados do Congress.gov e do parliament.uk. São cerca de 27 assessores por deputado brasileiro, contra uma média de 4,7 no Reino Unido. Essa diferença existe devido à fragmentação partidária (mais de 30 partidos) e à necessidade de estruturas gigantescas para atender bases regionais.>
O modelo de reembolso brasileiro é extremamente flexível e monitorado pelo Portal da Transparência da Câmara. O famoso "Cotão" permite o ressarcimento de quase tudo para a atividade parlamentar, o que gera situações que chamam a atenção. Em 2025, a deputada Renilce Nicodemos (MDB-PA) registrou R$355 mil apenas com aluguel de aeronaves. >
A parlamentar justificou o custo pela necessidade de visitar redutos na Amazônia, onde a logística de transporte aéreo é, muitas vezes, a única alternativa. O caso ilustra o debate: o sistema permite despesas altas em nome da "atividade parlamentar", mas a falta de uma fiscalização rigorosa, muitas vezes apontada em relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU), levanta questionamentos sobre a eficiência real desse gasto.>
Por que é tão difícil cortar? A resposta passa pela política. Propostas como limitar o número de assessores (de 25 para 15), acabar com auxílios redundantes ou impor tetos mais rígidos ao "Cotão" esbarram na resistência interna. >
A discussão sobre o "Custo Brasil" está na pauta, e a sociedade civil tem feito sua parte, cobrando maior transparência. O caminho, segundo especialistas da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), passa não só por reduzir gastos imediatos, mas por modernizar o sistema partidário, reduzindo a fragmentação que exige, hoje, uma estrutura tão custosa para que o Congresso simplesmente funcione.>