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O dia em que um folião dormiu no capô do carro e virou cena de Carnaval

Relato inusitado revela o lado humano e imprevisível da folia da cidade

  • Foto do(a) author(a) Fernando Guerreiro
  • Fernando Guerreiro

Publicado em 28 de março de 2026 às 12:00

Ilustração: Thainá Dayube
Ilustração: Thainá Dayube Crédito: Ilustração: Thainá Dayube

Sou um folião inveterado do Carnaval, com um histórico respeitável de 55 anos de folia. Consequentemente, não faltam causos vividos na farra soteropolitana, nem todos possíveis de registro, nem todos dignos de atenção, pelos mais variados motivos que podem derrubar minha frágil reputação.

Idos da década de 1970/80, a Praça Castro Alves reinava absoluta no epicentro do desbunde momesco. Eu, fascinado por aquele ambiente pitoresco e inusitado, me mudava para lá no sábado e só me retirava, deprimido, depois do famoso e lendário Encontro de Trios, na madrugada de terça para quarta. O detalhe é que meu ponto de ônibus ficava no Vale do Canela, o que transformava a volta para casa em um sacrifício único, atravessando a Rua Carlos Gomes como um deserto intransponível, rumo ao coletivo lotado.

Certa ocasião, ao passar pelo Largo dos Aflitos, descalço e desolado, vejo um Opala Sedan estacionado na porta do querido Teatro Gamboa e não resisti: deitei no capô quentinho e apaguei. O que era para ser um cochilo virou um pernoitão até as 10 da manhã da quarta-feira de cinzas, quando fui acordado pelo proprietário do veículo, que precisava seguir para casa. Baratinado, levei alguns minutos para me situar e entender a situação, observado de forma espantada e divertida pelos ocupantes do veículo, uma família de fora que me ofereceu carona, numa generosidade tipicamente momesca e soteropolitana.

Ao chegar em casa, o circo estava formado: minha mãe aos prantos, meu pai de cinto em punho, um grupo de amigos retados da vida, viatura da polícia, rabecão do Nina Rodrigues e o escambau. Para explicar o acontecido, foi um estresse, até que comecei a gritar que estava bem, não tinha sido roubado, atacado e lúcido. Abracei todo mundo aos prantos e fui perdoado sem penitências. Convenci meu pai a comprar um Opala e sempre cochilava no capô, em homenagem àquele acolhimento genial de Carnaval.

O que posso dizer: uma loucura dessas só acontece em Salvador!

O projeto Aniversário de Salvador é uma realização do Jornal Correio, com patrocínio do Salvador Bahia Airport, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio do Salvador Shopping.

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Salvador Salvador 477 Anos