Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Carol Neves
Publicado em 3 de junho de 2026 às 12:28
O júri popular de Gilmar Correia da Silva, acusado de matar a companheira Lindiane Rufino Soares, teve início na manhã desta quarta-feira (3), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Durante o interrogatório, o réu confessou o crime. A sessão foi interrompida para um intervalo e continua durante a tarde com os debates entre acusação e defesa. >
Pela manhã, foram ouvidas quatro testemunhas indicadas pelo Ministério Público e uma pela defesa, além do próprio acusado. As demais testemunhas previstas para prestar depoimento foram dispensadas.>
Gilmar responde por feminicídio pela morte de Lindiane, ocorrida em 5 de janeiro de 2025, dentro do apartamento onde o casal vivia, no bairro de São Rafael. Os dois mantinham um relacionamento há cerca de 15 anos e tinham uma filha de 10 anos.>
O julgamento é conduzido pelo juiz Gabriel Igleses, na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador. Cabe ao conselho de sentença analisar não apenas a autoria do crime, mas também se o caso ocorreu em contexto de violência doméstica e se estão presentes qualificadoras como o uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Esses fatores podem influenciar diretamente na pena em caso de condenação.>
Crime no dia de folga>
De acordo com a investigação, Lindiane foi morta com 44 golpes de faca. Em decisão que negou o pedido de liberdade provisória da defesa, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos destacou a gravidade do caso, apontando que a vítima sofreu múltiplas perfurações e uma amputação traumática na ponta do dedo polegar da mão direita.>
Segundo familiares, o relacionamento enfrentava conflitos desde dezembro de 2024. No dia do homicídio, Gilmar, que trabalha embarcado, pediu para o chefe uma folga, com a desculpa que precisava resolver problemas pessoais. Após o crime, ele teria tentado deixar o local utilizando um carro por aplicativo. O motorista, no entanto, recusou a corrida ao perceber que o passageiro estava com as roupas manchadas de sangue. A polícia foi acionada e o acusado acabou preso em flagrante por uma policial militar que estava fora de serviço e seguia para casa.>
A sessão integra as ações do projeto TJBA Mais Júri, iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia voltada à ampliação do número de julgamentos de crimes dolosos contra a vida em todo o estado.>