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Facadas em motel e garoto de programa: a morte chocante de um  apresentador de TV em Salvador

Caso mobilizou a Delegacia de Homicídios e ganhou repercussão em toda a Bahia

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 8 de maio de 2026 às 05:19

Jorge Pedra foi morto no Hotel Democrata por garoto de programa
Jorge Pedra foi morto no Hotel Democrata por garoto de programa Crédito: Reprodução e Arquivo CORREIO

O assassinato do apresentador de televisão Jorge Luiz Lopes Pedra, conhecido como Jorge Pedra, em novembro de 2009, pegou de surpresa tanto quem convivia com a vítima como as pessoas que acompanhavam o trabalho da figura pública. A morte a facadas dentro de um hotel usado como motel, no Largo Dois de Julho, em Salvador, reuniu elementos que rapidamente ganharam repercussão: sexo, violência extrema, fuga do suspeito e uma investigação cercada por dificuldades.

O crime ocorreu na noite de 1º de novembro de 2009, quando Jorge Pedra entrou no Hotel Democrata acompanhado de um homem descrito por funcionários como jovem, moreno e forte. Segundo testemunhas, antes de subir para o quarto, o apresentador teria chamado o rapaz pelo nome de “Rogério”.

Jorge Pedra foi morto no Hotel Democrata por Arquivo CORREIO

Pouco depois das 18h30, funcionários ouviram barulhos vindos do andar superior e perceberam a fuga de um homem ensanguentado, sem camisa, correndo para fora do estabelecimento. Instantes depois, o corpo de Jorge Pedra foi encontrado nu no corredor do primeiro andar, a cerca de dez metros do quarto. Ele apresentava perfurações provocadas por faca, incluindo golpes no pescoço e no tórax.

Ao lado do corpo, uma faca de cozinha quebrada ao meio reforçava a violência do ataque. A cena encontrada pelos investigadores indicava que a vítima tentou sobreviver. Dentro do quarto havia sangue espalhado, móveis revirados, objetos caídos no chão e sinais claros de luta corporal. Segundo o investigador Luiz Gomes, da Delegacia de Homicídios, o primeiro golpe teria atingido a testa do apresentador.

Em seguida, Jorge tentou fugir ou reagir, mas acabou atingido novamente nas costas e, por fim, sofreu a facada fatal próximo ao coração. “A perfuração foi a mais profunda e provavelmente matou a vítima”, afirmou o policial na época.

Crime premeditado

Desde os primeiros dias de investigação, a polícia passou a trabalhar com a hipótese de homicídio premeditado. Um dos principais elementos que sustentavam essa linha era o fato de a faca utilizada no crime não pertencer ao hotel. Para os investigadores, isso indicava que o assassino entrou no estabelecimento já armado e disposto a matar.

“O fato de a faca usada no homicídio não pertencer ao hotel indica que o assassino levou a arma com a intenção de matar o cliente”, declarou o investigador Luiz Gomes. A perícia encontrou diversos vestígios no quarto: duas cuecas sobre a cama, pegadas de sangue espalhadas pelo ambiente e impressões digitais em maçanetas, telefone e móveis.

Embora anéis e correntes da vítima tenham sido deixados no local, dinheiro e o celular do apresentador desapareceram. A chave do Honda Civic utilizado por Jorge Pedra também não foi encontrada, levantando suspeitas de roubo associado ao homicídio.

Funcionários do hotel relataram ainda que Jorge costumava frequentar o local acompanhado de garotos de programa e que aquela não teria sido a primeira vez em que esteve com o suspeito. Segundo relatos colhidos pela polícia, o homem visto com o apresentador fazia programas na Rua Carlos Gomes.

Dificuldade nas investigações

Nos dias seguintes ao crime, equipes da Delegacia de Homicídios e da 1ª Delegacia (Barris) intensificaram diligências em áreas frequentadas por garotos de programa. Informações divulgadas pelo CORREIO sobre a presença do suspeito nas proximidades do bar Âncora do Marujo ajudaram a polícia a buscar novas testemunhas e reconstruir os passos do criminoso antes da execução.

A principal dificuldade era a falta de identificação formal dos frequentadores envolvidos no caso. Além disso, familiares do apresentador tinham pouca informação sobre a vida pessoal dele. A irmã Adelina Pedra acabou se tornando a principal interlocutora da polícia.

Abalada pela morte do irmão, ela revelou que a família havia omitido da mãe idosa os detalhes reais do assassinato, dizendo apenas que Jorge teria morrido de infarto. “Se souber da verdade, é capaz de morrer também”, desabafou durante a missa de sétimo dia do apresentador.

Emerson Neves foi preso pelo crime meses depois por Arquivo CORREIO

Prisão do suspeito

A investigação ganhou novo rumo meses depois, quando Emerson Neves de Jesus, garoto de programa de 19 anos, foi preso após roubar um relógio e R$ 5 do companheiro. Levado para a 1ª Delegacia, ele acabou reconhecido por policiais pelas tatuagens e pelas características físicas semelhantes às descritas por testemunhas do assassinato de Jorge Pedra.

A comparação com o retrato-falado produzido anteriormente reforçou as suspeitas. Segundo a polícia, Emerson confessou o crime durante o inquérito. O Ministério Público sustentou que o homicídio ocorreu após um desentendimento relacionado ao pagamento de R$ 500 por um programa sexual.

De acordo com a acusação, Jorge Pedra e Emerson entraram em luta corporal dentro do quarto antes de o apresentador ser esfaqueado diversas vezes. Após o crime, o suspeito teria arrastado o corpo para fora do quarto e fugido.

Emerson fez acusações contra o apresentador, alegando uso de cocaína e exploração de menores — versões rebatidas de forma contundente pela família. Adelina Pedra afirmou que o irmão havia sofrido um infarto anteriormente e possuía três pontes de safena, o que, segundo ela, tornava improvável o consumo de drogas.

Absolvição

Apesar da confissão apresentada no início das investigações, Emerson Neves de Jesus foi absolvido em agosto de 2012 durante julgamento no 2º Tribunal do Júri, no Fórum Ruy Barbosa. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia, o réu negou o crime em juízo e acabou inocentado por falta de provas.

A decisão gerou indignação entre familiares e pessoas próximas ao apresentador, que viam no conjunto de elementos reunidos pela polícia indícios suficientes para condenação. O Ministério Público sustentava que o homicídio havia sido cometido por motivo fútil, ligado ao desacordo financeiro após o programa sexual. Ainda assim, o júri decidiu pela absolvição.

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Apresentador de tv Garoto de Programa Jorge Pedra Morto em Hotel