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Maria Raquel Brito
Publicado em 22 de maio de 2026 às 05:00
Mais de 700 quilômetros. Foi o que a produtora rural Michelle Medeiros, de 33 anos, precisou percorrer para conhecer uma das maiores felicidades de sua vida. Moradora de Itamaraju, no extremo sul da Bahia, ela deu à luz aos trigêmeos Felipe, Lia e Liz no último dia 11. Os três, porém, são soteropolitanos: devido ao risco da gestação, Michelle foi transferida para Teixeira de Freitas e depois encaminhada para a Maternidade e Hospital da Criança (MHC) Deputado Alan Sanches, a maternidade municipal de Salvador.>
Na capital, foi atendida como vaga zero, protocolo que determina que a instituição deve receber o paciente, mesmo superlotada ou sem leitos disponíveis. “Da hora que eu fui recebida até a minha partida da maternidade, só tenho a agradecer o tanto de carinho que recebemos, de pessoas muito bem preparadas e positivas. Dos médicos até as meninas da limpeza, fui muito bem atendida e assistida, e não só da maternidade mas de Salvador eu trago tudo de bom. E meus três soteropolitaninhos”, diz ela. >
Michelle foi uma das 79 mulheres de outras cidades da Bahia a serem internadas na primeira maternidade municipal de Salvador desde o início do funcionamento da unidade, inaugurada no dia 16 de abril. O número corresponde a 70,5% das 112 mulheres transferidas via Central Estadual de Regulação (CER) neste primeiro mês.>
Maternidade e Hospital da Criança (MHC) Deputado Alan Sanches
Entre os bebês regulados para a UTI Neonatal e Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo), os números são ainda mais expressivos: 94,4% das transferências foram de recém-nascidos de outras cidades, contra 5,6% da capital baiana.>
De acordo com o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Alves, o suporte tecnológico encontrado na primeira maternidade municipal de Salvador já é exemplo para todo o estado. >
“Se vocês forem ouvir as mães que tiveram filhos aqui ou a equipe médica, vão se deparar com muitas situações de mulheres que, se tivessem sido encaminhadas para outras maternidades, muito provavelmente teriam feito cesárea. O direito da mãe escolher a forma como o filho nasceria seria sonegado”, afirma Alves.>
O protagonismo da paciente no próprio parto é, inclusive, um dos pilares da nova maternidade. É o que reforça a diretora técnica, Luciana Sampaio. “A obstetrícia é uma especialidade que vem mudando muito, graças a Deus. E muito por conta desse protagonismo mesmo. As pacientes vêm fazendo escolhas e a gente também tem investido em orientar e acolher. Nós temos aqui um serviço de excelência e uma equipe de excelência dentro dele”, afirma.>
As mulheres que deram entrada na HMC são de pelo menos 66 cidades baianas. Entre elas, estão locais como Feira de Santana, Amargosa, Quijingue e Taperoá. Também está na lista Itaparica, lar do primeiro bebê nascido na maternidade, a pequena Laura. Filha de Gisele Santos e Leandro Andrade, ela nasceu no dia 17 de abril, duas horas antes do horário inicialmente previsto para a abertura oficial da maternidade soteropolitana.>
Inicialmente, os planos de Gisele e Leandro eram outros: foram primeiro até a maternidade de Itaparica, que estava fechada. Pegaram o ferry boat e seguiram rumo a Salvador, onde passaram por duas maternidades estaduais, ambas lotadas. Na segunda, o que ouviram foi que seria melhor irem para a nova unidade municipal. Saíram, então, do Pau Miúdo em direção a Federação.>
“Foi uma experiência maravilhosa. O atendimento aqui é ótimo, tudo organizado, gostei bastante. (O parto) foi dolorido, mas depois fiquei feliz”, disse Giselle. Leandro concordou: “A recepção dos profissionais com a gente está sendo ótima, a nível de muitos hospitais particulares ou até melhor”.>
Laura nasceu no dia 17 de abril
Procurada, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que, entre 2023 e 2026, foram entregues sete ampliações da rede obstétrica na Bahia, e que outras seis obras estão em andamento em cidades como Amargosa, Valença e Capim Grosso. Também afirmou que, em 2025, foram registrados 29.415 nascidos vivos na capital baiana (rede pública e privada), segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, e que, desse total, 19.285 partos ocorreram nas seis maternidades estaduais - o equivalente a 65,6% de todos os nascimentos da cidade.>
A maternidade municipal de Salvador foi inaugurada em abril de 2026.>