Mesmo com alta do caruru, feijão fradinho fica mais barato

O preço do acarajé, por outro lado, não foi reduzido

Publicado em 22 de setembro de 2017 às 17:08

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Foto: Angeluci Figueiredo/Arquivo CORREIO

Enquanto o camarão é um dos produtos do caruru cujo preço aumentou nos últimos dias, o feijão fradinho está fazendo a felicidade dos cozinheiros de plantão – tanto amadores quanto profissionais. O produto foi um dos mais afetados pela seca no ano passado e, por isso, o preço do saco de 10 quilos chegou a bater na casa dos R$ 50. 

Esta semana, quando o CORREIO visitou a Ceasa de Simões Filho, os mesmos 10 quilos estavam custando, no máximo, R$ 30. A Ceasa é um dos principais polos de abastecimento de Salvador e da Região Metropolitana (RMS) – inclusive, vende para permissionários das feiras de São Joaquim e da Sete Portas, além de grandes redes de supermercado. 

O feijão fradinho, ao contrário de outros produtos do caruru, é bem baiano. Vem de cidades como Feira de Santana, no Centro-Norte do estado. “No ano passado, teve a seca, que atrapalhou muito. Esse ano, o preço caiu porque tem mais produto no mercado”, diz o vendedor Neto Ribeiro, 27 anos.  

O que mudou o cenário do ano passado para cá foi justamente a chuva, de acordo com o assessor técnico da Associação dos Trabalhadores da Agricultura na Bahia (Fetag) Marcos Wandeley. “A produção aumentou desde o início do ano. Com a chegada da produção, é automática a queda de preço”, diz ele, que prevê também uma queda do preço do feijão de arranca – o feijão ‘comum’ – nas próximas semanas, já que a chuva também tem chegado à região de Senhor do Bonfim, no Centro-Norte. 

Acarajé Quem mais poderia se beneficiar diretamente desse novo preço do feijão fradinho seriam as baianas de acarajé, já que o ingrediente é uma das bases da massa do quitute. Só que não é bem isso que tem acontecido, segundo a presidente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos.

“O preço do feijão está excelente, mas o camarão está salgado demais”, diz. Um mês atrás, comprava um quilo do crustáceo por R$ 30. Hoje, comprou por R$ 44 – mas o preço pode chegar a R$ 52 na Ceasa de Simões Filho. “O camarão acaba pesando mais do que o feijão, porque quando você compra um quilo de feijão, ele rende. Quando você limpa um quilo de camarão, sobra só a metade”. 

O acarajé tem sofrido, ainda, com as altas da castanha e do quiabo. “Não entendo como o pessoal consegue vender acarajé de R$ 1 ou R$ 2 com essas coisas que subiram. Até o gás subiu. Você gasta gás também, ainda mais se for fazer o caruru completo, com tantas coisas para fazer”.