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Parece, mas não é: por que o dia do Senhor do Bonfim não é feriado em Salvador

Mesmo reunindo milhões de pessoas e sendo símbolo da identidade baiana, a Lavagem do Bonfim fica fora do calendário de feriados

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 05:03

 Lavagem do Bonfim neste ano reuniu mais de um milhão de pessoas
Lavagem do Bonfim  Crédito: Wuiga Rubini/GOVBA

Apesar de ser uma das manifestações populares e religiosas mais marcantes de Salvador, a Lavagem do Bonfim não garante folga no calendário oficial da cidade. A celebração, que neste ano acontece na quinta-feira (15), não é feriado municipal - ainda que muita gente acredite que seja.

A principal razão está na legislação federal. A lei nº 9.093, de 1995, determina que cada município brasileiro pode instituir, no máximo, quatro feriados religiosos. Em Salvador, esse limite já foi alcançado com datas ligadas à tradição católica: Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa), Corpus Christi, Dia de São João e Dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Com isso, outras festas religiosas, mesmo de enorme relevância cultural, não podem ser incluídas oficialmente.

Realizada sempre na segunda quinta-feira após o Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro, a Lavagem do Bonfim é uma data móvel. No ano passado, o evento reuniu mais de 1 milhão de pessoas. A programação começa no Comércio, em frente à Igreja da Conceição da Praia, onde ocorre um Culto Ecumênico. Em seguida, fiéis, baianas, moradores e turistas percorrem cerca de 8 km até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

Basílica do Senhor do Bonfim por Arisson Marinho/CORREIO

Durante o trajeto, diversos cortejos acompanham a caminhada. Um dos momentos mais simbólicos acontece na chegada à Colina Sagrada, quando as baianas realizam a lavagem da escadaria da igreja. Também é tradição amarrar fitinhas no gradil do templo e fazer pedidos. Ao fim do dia, muitos grupos seguem a celebração com festas em barcos, escunas e lanchas pela Baía de Todos-os-Santos.

A programação religiosa do Bonfim segue além da lavagem. Três dias depois, em 18 de janeiro, ocorre o encerramento com celebrações na Basílica do Bonfim.

2 de fevereiro

A situação se repete com outra grande festa da cidade: a de Iemanjá, comemorada em 2 de fevereiro, que também não é feriado municipal. Ambas são reconhecidas como patrimônios culturais e símbolos da identidade baiana, mas permanecem fora do calendário oficial.

Mesmo sem status de feriado, as celebrações impactam a rotina da cidade. O grande fluxo de pessoas costuma provocar mudanças no trânsito, no transporte público e na circulação nas regiões onde ocorrem os eventos, além de interferir no funcionamento do comércio e de serviços.

Em áreas como a Cidade Baixa e o Rio Vermelho, algumas empresas e órgãos públicos adotam ponto facultativo ou horários reduzidos nos dias de festa. A decisão, no entanto, não é obrigatória e geralmente se restringe a essas regiões, enquanto o restante de Salvador mantém o funcionamento normal.

O Projeto Festas Populares é uma realização do Jornal Correio, com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

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Feriado Lavagem do Senhor do Bonfim