Projeto usa cães para auxiliar o tratamento de crianças com paralisia cerebral

Projeto Cão Terapeuta pode tornar mais rápido o tratamento de 520 pacientes do NACPC

Publicado em 21 de setembro de 2017 às 21:06

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Divulgação

Já pensou se um mesmo profissional conseguisse atender como médico, psicólogo, fisioterapeuta e fonoaudiólogo? É mais ou menos esse o papel de Angus, cachorro da raça labrador que passou a atuar como coterapeuta no Núcleo de Atendimento à Criança com Paralisia Cerebral (NACPC), entidade sem fins lucrativos que atende crianças, jovens e adultos com deficiência física e intelectual há 16 anos. O NACPC atende cerca de 450 crianças e jovens e 70 adultos acima de 18 anos.

O projeto “Cão Terapeuta” foi lançado na sede do NACPC na manhã desta quinta-feira (21), dia nacional de luta da pessoa com deficiência. O projeto visa utilizar cachorros como coterapeutas, auxiliando médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, pedagogos, psicólogos e terapeutas educacionais a tratar das crianças e adultos atendidos do núcleo. Todo atendimento no núcleo é feito pelo SUS.

Os cachorros facilitam o processo terapêutico ao motivar a participação do paciente do tratamento que pode ser extenuante, explica Pedro Guimarães, fundador, presidente e médico-voluntário do NACPC. “Às vezes a pessoa passa pelos exercícios fisioterápicos três vezes por semana, há anos. O cachorro é um estímulo à maior participação e assim a recuperação pode ser mais rápida. Além disso, fica mais fácil quebrar o clima na consulta médica”, ele acrescenta.

A terapia deve auxiliar também a autonomia dos pacientes, que é o principal objetivo do núcleo. De acordo com Daniela Caribé, fisioterapeuta do NACPC e coordenadora do projeto, a criança que tem contato com o cachorro durante a terapia se sente responsável pelo animal “O foco de toda terapia que desenvolvemos aqui é a inclusão deles na sociedade. Queremos conseguir que eles tenham o máximo de autonomia”, diz Daniela Caribé, fisioterapeuta do NACPC.

Diferente de uma atividade lúdica, puramente recreativa, a atividade desenvolvida com auxílio dos cachorros é chamada terapia assistida, faz parte do tratamento e, portanto, demanda um acompanhamento profissional. Além do médico, fisioterapeuta ou outro profissional do NACPC que conduz a terapia, as crianças tem também a companhia de um psicólogo do GNAP, empresa parceira do núcleo que está trazendo para Salvador as intervenções assistidas com cachorros pela primeira vez.

O atendimento pelos “cãoterapeutas” terá feito em grupos alternados de 5 a 15 pacientes, selecionados a partir da necessidade terapêutica. Por exemplo, para quem tem necessidades fisioterápicas, o animal lidera as sessões de agachamento “Angus fica de pé e ajuda a criança a se abaixar e levantar. Depois ele ainda late para mostrar que o movimento foi executado corretamente. A criança se sente muito mais motivada”, ela explica.

E não adianta levar seu pet para o núcleo! Como qualquer profissional que passa pelo RH de uma empresa antes de ser contratado, os cachorros do projeto são submetidos a um controle rígido que envolve treinamento e até seleção de perfil: eles precisam ser dóceis e serenos para não se assustarem com a euforia das crianças. Todo treinamento e suporte técnico dos animais é feito pelo GNAP. Angus já trabalha há três anos com terapia e deve continuar por mais sete.Outros dois cachorros já estão em fase de treinamento para atuar no projeto.   

A ideia do projeto surgiu a partir de uma iniciativa de três alunas, Amanda, Isabela e Maria, do sétimo ano de uma escola privada de Salvador, que levavam uma vez por mês seus cachorros de estimação para brincar com as crianças e jovens do NACPC. O projeto “Cão Solidário” durou de abril a dezembro de 2016, e despertou o interesse dos funcionários e voluntários do NACPC nessa linha de ação.

Como ser voluntário no NACPC Enviar e-mail para [email protected] com nome, telefone e ideia de como pode contribuir para o núcleo.